BEASTS OF NO NATION (Crítica)

BEASTS OF NO NATION

4estrelas

Por Kadu Silva

A inocência tirada de forma brutal

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Com a crescente busca do serviço on demand, a Netflix começa a investir em produções próprias para concorrer com o pungente nicho do mercado no Brasil e no mundo. Esse ano, ela apresentou seu primeiro longa-metragem, o drama, Beasts of No Nation, e já chegou conquistando a crítica com um filme muito contundente na mensagem que quer transmitir.

Trata-se de uma história brutal sobre as consequências de uma guerra civil, principalmente para entre as crianças. Na trama que acontece numa cidade, não especifica da África, conhecemos Agu (Abraham Attah), um garoto que após um ataque em seu bairro, se vê sozinho no meio de uma floresta, é então que um grupo de rebeldes utilizam de sua fragilidade emocional para o transformar num selvagem soldado desse bando, que é liderado por um cruel mas carismático comandante (Idris Elba).

O roteiro foi baseado no romance homônimo de Uzodinma Iweala e escrito pelo também diretor Cary Fukunaga (True Detective), e utiliza do drama pessoal do garoto Agu para retratar toda a barbárie que os grupos rebeldes, vem a anos perpetuando no continente Africano.

O roteiro tem um víeis extremamente violento, bem diferente de muitas produções cinematográficas atuais, que optam por minimizar a violência, para diminuir a classificação etária e assim, consequentemente aumentar o lucro.

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Fukunaga consegue transmitir a sensação de alerta eminente a todo o momento. Algo que qualquer pessoa que já esteve próximo em uma guerra, jamais esquece.

Apesar de caminhos distintos a trajetória de horror de Agu lembra um pouco a de Zé Pequeno no filme Cidade de Deus. A perda “forçada” da inocência em consequência do meio em que vive.

Apesar de toda a carga dramática que o personagem necessitava, o estreante Abraham Attah, que vive o garoto Agu, tira de letra sua difícil missão em carregar um filme tão forte. Destaque também para Idris Elba que faz de seu papel uma aula interpretativa, conseguindo emprestar para esse líder, uma imagem quase religiosa e extremamente manipuladora, seus discursos hipnotizantes e seus gestos quase paternais são impressionantes.

O diretor Cary Fukunaga conseguiu entregar com Beasts of No Nation uma obra muito forte e de difícil digestão, mas que nos faz refletir como o ser humano é capaz de atos tão bárbaros com o seu semelhante.

A produção está na plataforma Netflix e é considerada pelos críticos uma forte candidata a estar entre os finalistas do Oscar 2016.

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SINOPSE

Em uma cidade africana, Agu (Abraham Attah) é uma criança, que atingida pela guerra, é transformada em soldado. Após a morte de seu pai por militantes, ele é obrigado a abandonar sua família para lutar na guerra civil da África do Sul, instruído por um grande comandante (Idris Elba) que o ensinará os caminhos de um conflito.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Cary Fukunaga” espaco=”br”]Cary Fukunaga[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Cary Fukunaga
Título Original: Beasts of No Nation
Gênero: Drama, Guerra
Duração: 2h 16min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 18 anos
Lançamento: 16 de outubro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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2 Comentários

  1. Felps

    Excelente crítica, não conhecia o site antes, realmente notei a semelhança com Cidade de Deus e também o apelo à violência para chamar a atenção dos espectadores.

    • Kadu Silva

      Obrigado pela visita Felps. Volte sempre!

      Ano que vem o site vem com grandes novidades, cara nova e mais conteúdo.