BEIRA-MAR (Crítica)

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Por Pedro Vieira

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“Beira-Mar”, o primeiro longa dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, poderia ser mais um filme que, focando no público adolescente, criaria uma narrativa já conhecida do espectador junto a uma construção tradicional da imagem. Entretanto, devido a determinadas decisões estéticas e narrativas, a dupla de diretores faz de “Beira-Mar” um filme que é muito mais que um longa adolescente: é na verdade uma experiência sinestésica.

Acompanhando a viagem de dois amigos, Martin (Mateus Alamada) e Tomaz (Maurício José Barcellos), o filme consegue trazer as sensações de solidão e confusão comuns à fase da adolescência, ao mesmo tempo em que cria um clima de inquietação que reforça o fato de que algo está prestes a acontecer entre os dois jovens. Tal inquietude já é exposta no próprio título.

Ainda que o “Beira-Mar” possa se referir à casa na qual os dois garotos ficam hospedados (uma casa à beira-mar, assim como menciona de forma desnecessária um dos personagens, numa tentativa falha do roteiro de explicar tal fato ao espectador), o título também se mostra como uma metáfora dessas angústias dos protagonistas e do fato de que há todo momento o espectador é pego em situações que o fazem se perguntar se determinados acontecimentos irão ou não irão acontecer com a dupla de rapazes.

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Tal significação é reforçada pelo fato do mar pouco aparecer durante o longa, mas ainda assim o espectador consegue ouvir o barulho das ondas se chocando, mesmo em cenas que ocorrem dentro de locais fechados, graças à montagem sonora escolhida para a narrar a história. O longa apresenta vários planos mais fechados que proporcionam maior intimismo com os personagens, mas também realçam suas preocupações.

Toda a trama se desenrola durante atividades cotidianas da vida de qualquer garoto adolescente, como festas, brincadeiras entre os amigos e passeios noturnos. Trata-se afinal de um filme adolescente, mesmo com sua montagem fora do padrão. Entretanto, é justamente o fato de se ter um longa mais introspectivo que pode causar a aversão de uma parcela do público ao filme.

Há sim um estranhamento trazido pelo longa em seus minutos iniciais, e o fato da história se desenrolar de maneira mais devagar o torna cansativo. Isto é adicionado a momentos do roteiro que pouco complementam a história que é comum aos dois protagonistas, como as cenas em que Martin busca um documento com familiares distantes e logo depois tenta manter uma conexão com essas pessoas em sequências pouco inspiradoras.

Ainda assim, essas cenas de menor força narrativa não são predominantes e facilmente esquecíveis graças ao ótimo clima que o filme busca manter a partir de sua estética, um ponto que se torna muito mais importante que sua história. “Beira-Mar” se mostra como uma experiência sensorial muito bem conduzida, mesmo que sofrendo com um roteiro muito lento.

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SINOPSE

Durante o inverno dois jovens viajam ao litoral gaúcho. Martin precisa visitar parentes distantes, em busca de um documento para seu pai. Tomaz aceita acompanhá-lo nessa jornada, aproveitando a oportunidade para se reaproximar do amigo.

Os dois passam os dias imersos em um universo próprio, expostos à família que rejeita Martin e à estranha distância que surgiu entre ele e Tomaz. Alternando entre distrações corriqueiras, reflexões sobre suas vidas e sua amizade, os garotos se abrigam em uma casa de vidro, à beira de um mar frio e revolto.

DIREÇÃO

Filipe Matzembacher, Marcio Reolon

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Filipe Matzembacher, Marcio Reolon
Título Original: Beira-Mar
Gênero: Drama
Duração: 1h 23min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 5 de novembro de 2015 (Brasil)

TRAILER

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