Benzinho (Crítica)

Emílio Faustino

Existem muitos motivos que podem fazer um filme se tornar querido e relevante para o público, como abordar um tema tabu, apresentar uma trilha sonora agradável que desperta a vontade de ouvir de novo ou até mesmo um roteiro mirabolante que te faz pensar “UAU que ideia genial!”.

“Benzinho” não apresenta nada disso, o filme encontrou um caminho próprio e ganhou sua relevância de forma despretensiosa e muito singela: apresentando um tema recorrente (a separação de mãe e filho), uma trilha sonora cheia de ruídos (mas que contribuí de forma definitiva para a história) e um roteiro linear que brilha com a riqueza dos detalhes captados da vida de uma família pobre brasileira, apresentando-a não com vitimismo, mas de forma humana, com suas contradições, aspirações e conflitos.

Na trama, Irene (Karine Teles) mora com o marido Klaus (Otávio Müller) e seus quatro filhos. Ela está terminando os estudos enquanto se desdobra para complementar a renda da casa e ajudar a irmã Sônia (Adriana Esteves). Mas quando seu primogênito Fernando (Konstantinos Sarris) é convidado para jogar handebol na Alemanha, ela terá poucos dias para superar a ansiedade e ganhar forças antes de mandar seu filho para o mundo.

É uma história absolutamente trivial, mas é o trivial em sua melhor forma. Com situações tão corriqueiras do cotidiano do brasileiro, que será praticamente impossível as pessoas não se identificarem e se emocionarem com a história.

Benzinho (Crítica)

Não seria exagero dizer que “Benzinho” pode ser considerada a versão brasileira de “Pequena Miss Sunshine”, uma vez que assim como no filme americano existe um objetivo declarado de um integrante da família e os demais ainda que imersos em seus próprios problemas se unem em prol do ente querido. Outros dois elementos que tornam a comparação inevitável é o uso de uma perua na locomoção da família e a arte do cartaz do filme onde o amarelo chamativo também predomina no fundo.

Ainda que “Benzinho” possa ter se apoiado na estética de “Pequena Miss Sunshine”, é preciso dizer que a abordagem da trama é bem diferente, uma vez que o filme nacional explora a relação da mãe e do filho com cenas sensíveis que fazem bom uso do silêncio e do enquadramento focado no olhar cativante da atriz Karine Teles.

Aliás… Precisamos falar sobre o olhar dessa atriz que muitas vezes diz exatamente o contrário do que a boca fala em cena, traduzindo perfeitamente a contradição da mãe que quer ver o filho crescer, mas ao mesmo tempo já sente a falta que ele irá fazer.

Benzinho é mais que um filme para ver no cinema, é um filme para os brasileiros se verem no cinema. Sem palavrões, sem putaria e sem violência.

Além de emocionar, ele também reserva bons momentos cômicos e dá um show de atuações, desde os atores mirins aos mais crescidinhos. Não por terem cenas homéricas com frases de efeito, mas por conseguirem executar com maestria personagens críveis, tangíveis e reais.

Benzinho estreia nesta quinta (23) nos cinemas do Brasil e é um dos principais filmes cotados para representar o país no Oscar de 2019.

Pôster de divulgação: Benzinho

Pôster de divulgação: Benzinho

SINOPSE

O primogênito de uma família de classe média é convidado para jogar handebol na Alemanha e lança sua mãe (Karine Teles) em uma espiral de sentimentos pois, além de ajudar a problemática irmã (Adriana Esteves), lidar com as instabilidades do marido (Otávio Müller) e se desdobrar para dar atenção ao seus outros filhos, ela terá de enfrentar sua partida antes de estar preparada para tal.

DIREÇÃO

Gustavo Pizzi Gustavo Pizzi

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Karine Teles, Gustavo Pizzi
Título Original: Benzinho
Gênero: Drama
Duração: 1h 35min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 23 de agosto de 2018 (Brasil)

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