BICHAS (Crítica)

Bichas

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Por Davi Gonçalves

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Dois garotos de mãos dadas entre um grupo de amigos e uma ameaça: “eu vou atirar em vocês porque vocês são bichas e bichas merecem morrer”. Este foi o ponto de partida do publicitário pernambucano Marlon Parente para a concepção de Bichas, um documentário com pouco menos de quarenta minutos que vem ganhado muita repercussão nas redes sociais nesta última semana.

Com um modesto orçamento de R$ 10,00 (direcionado à compra de um microfone), o filme apresenta casos reais de seis personagens com diferentes perfis, narrados em formato de depoimento e editados pelo próprio Marlon. As histórias contadas no vídeo envolvem episódios sobre a descoberta da sexualidade, relação com a família, preconceito e violência nas ruas – temas constantes e até mesmo batidos, mas que carecem de boas abordagens e de um tratamento humanístico no cinema.

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Infelizmente, Bichas entra para o extenso rol de produções que tratam seu assunto principal à beira da superficialidade (cinematograficamente falando). Apesar de o público poder se identificar com algumas situações transmitidas no decorrer da projeção, é evidente que a ausência de um roteiro elaborado faz com que a narrativa não avance, percorrendo em círculos sem chegar a um objetivo muito bem definido. É como se o autor simplesmente selecionasse alguns amigos para filmar, mas os diálogos entre eles não seguem muita lógica. Não há um critério: a sensação que se passa é a de que o diretor pegou horas de material e apenas juntou as partes que considera importante, refletindo o fraco trabalho de edição, apesar de eficiente. Mas este aspecto técnico não atrapalha necessariamente o projeto, uma vez que temos a consciência de estarmos diante de um filme “amador” – e, para a sua proposta, esta característica não chega a ser um defeito.

O problema que vejo é apenas um: Bichas é mais um entre tantos. Mesmo na Internet, vira e mexe aparecem filmes que, assim como Bichas, retratam o cotidiano turbulento de homossexuais pelo mundo afora. Sendo documentário ou simples ficção, o tema já está virando pauta assídua – só falta ser devidamente trabalhado. Assim, o maior trunfo de Bichas é o fato do filme “apoderar” este termo, constantemente tratado de forma pejorativa. Bichasdeixa bem claro que a “bicha” é um homossexual como qualquer outro – e, principalmente, é um ser humano e, como tal, deve ser respeitado. A fita ganha bastante credibilidade inclusive com o depoimento de um garoto negro – para mim, os melhores momentos da obra. Bichas, como caráter “social”, é até interessante e levanta um debate que merece ser discutido urgentemente: a intolerância – mas como cinema é ainda irrelevante.

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SINOPSE

Esse filme fala, antes de tudo, de amor. Para ser mais exato: de amor próprio. A palavra BICHA vem sendo usado de forma errada, como xingamento. Quando na verdade, deveríamos tomar como elogio.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Marlon Parente” espaco=”br”]Marlon Parente[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Marlon Parente
Título Original: Bichas
Gênero: Documentário
Duração: 38:57min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 20 de fevereiro de 2016 (Brasil)

O DOCUMENTÁRIO

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3 Comentários

  1. T3

    eu acredito que o homosexualismo não é um “problema ou doença” mas acredito que a pessoa ja nasce com isso.
    Eu não sou gay e respeito todos os gays em geral. Acredito que cada pessoa deve ser feliz da sua propria forma, porém existe uma coisa que eu não aprovo, seja para gays, heteros, asexuados e o que mais exista.
    É a necessidade de que todo mundo aprove, ou querer que as outras pessoas achem normal. Eu me pergunto o que é normal? normal pra mim é tomar café misturado com agua, pra muito gente isso é anormal. De forma alguma em meu comentário gostaria de generalizer, mas vejo pelas ruas muita gente com necessidade de aceitação. Fazendo o máximo de show possível pra chamar atenção. O que tu faz da tua vida e com quem tu faz é unica e exclusivamente problema seu. Se você é gay, hetero ou ambos, tanto faz. Seja feliz sem necessidade da aprovação dos outros. É isso que eu penso 🙂

    • al

      T3, entendo o seu desconforto a necessidade de aceitação de alguns, mas indivíduos pertencentes a grupos minoritários precisam brigar para serem aceitos como uma forma de sobrevivência (física inclusive, muitas vezes).
      Quando pertencemos a grupos maioritários e detentores de todos os direitos e prerrogativas, fica bem mais fácil não se importam com a opinião alheia.

      • valdir

        Por motivos óbvios, os gays são um tipo de minoria que não pode existir sozinha. Basta lançá-los em uma ilha isolada (homens em uma e mulheres em outra) e não restará mais ninguém em menos de 100 anos. Esse discurso do politicamente correto é uma balela. O cara nasse com os cromossomos xy e a mulher xx e ponto final! O cara produz esperma e a mulher ovula e é isso!
        É tipo querer usar um trator como cafeteira, não tem nexo. Eu respeito um gay como pessoa, mas nunca concordarei com essas práticas. O mesmo seria com um filho, ele seria uma frustração pra mim.