BILLY ELLIOT (Crítica)

BILLY ELLIOT

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Billy Elliot
Ano do lançamento: 2000
Produção: Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte
Gênero: Drama, Comedia
Direção: Stephen Daldry
Roteiro: Brian Tufano, Kathleen Marshall, Lee Hall e Stewart Meachem

Sinopse: Billy Elliot (Jamie Bell) um garoto de 11 anos que vive numa pequena cidade da Inglaterra, onde o principal meio de sustento são as minas da cidade. Obrigado pelo pai a treinar boxe, Billy fica fascinado com a magia do balé, ao qual tem contato através de aulas de dança clássica que são realizadas na mesma academia onde pratica boxe. Incentivado pela professora de balé (Julie Walters), que vê em Billy um talento nato para a dança, ele resolve então pendurar as luvas de boxe e se dedicar de corpo e alma dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai sua nova atividade.

Por Jason

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Billy era apenas um garoto de 11 anos, diferente dos demais. Um dia, é levado a treinar boxe induzido por seu pai, mas não leva o menor jeito. A vontade de dançar fala mais alto quando descobre as aulas de balé ocorrendo ao lado das aulas de boxe e ele começa a fraquentá-las escondido. Para completar, não possui um diálogo com seu irmão, precisa cuidar da avó e o pai está sem dinheiro devido a uma greve. Incentivado pela professora de balé, que vê em Billy um talento nato, ele resolve então se dedicar de corpo e alma a dança, mesmo tendo que enfrentar a contrariedade de seu irmão e seu pai na sua nova atividade.

Acima de tudo, o filme mostra ao espectador uma criança que já tinha uma vocação nata para uma determinada atividade – e como se faz necessária a presença da família no incentivo e no entendimento dessa vocação. Elliot, óbvio, por estar em uma atividade feminina, no meio de um buraco atrasado da Inglaterra da década de 80, sofre com o preconceito de uma sociedade machista, com os homens da cidade que vivem se engalfinhando em confusões como se quisessem assim provar sua masculinidade – e essa dualidade entre a brutalidade dos homens e a sensibilidade das crianças é mostrado sutilmente quando uma confusão numa greve ocorre paralelamente a uma aula de dança.

A descoberta pelo pai de Elliot na aula de balé resume todo o pensamento da sociedade: meninos jogam futebol e lutam boxe, mas não dançam balé. Billy perdeu sua mãe e está numa fase em que não compreende o meio em que vive. O amigo se veste de menina, copiando o comportamento do pai quando a esposa sai de casa, o que só confunde mais as coisas na cabeça do menino. Há um contraponto evidente entre os sentimentos dos homens da família e Billy, mas o menino é tão forte e tão corajoso quanto eles, o que faz aqui toda a diferença na trama. Não se trata então de um filme musical, mas do drama de aceitar como se é e de olhar para uma situação com outros olhos – e o pai e o irmão, depois de muito resistirem, conseguem se aceitar como pessoas incapazes de compreendê-lo, mas capazes de reconhecer o talento em Billy e a incentivá-lo a ter um futuro melhor longe daquele fim de mundo.

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O filme foi nomeado a quase 60 prêmios, incluindo 3 Oscar (Atriz coadjuvante, roteiro e direção). O elenco é bem calibrado. Jamie Bell atua com sensibilidade e espontaneidade. Atire a primeira pedra quem não se emocionar com a cena da carta deixada pela mãe para Billy. Ao ouvir da professora que ela deveria ser uma mulher muito especial, Billy, ingênuo, responde que ela era apenas a sua mãe. É a ingenuidade do garoto que o leva a tão disputada escola profissional de balé. Gary Lewis, que interpreta o pai, é o homem que não compreende os filhos e é incapaz de dialogar com eles. Perde a paciência e ameaça bater em Billy ao descobrir a dança, esmurra o filho mais velho ao saber que ele vai lutar pelos seus direitos. No entanto, seus esforços em ajudar o menino resultam em uma das cenas mais fortes do filme, quando decide ceder a greve e com o filho mais velho cai no choro.

Mas é Julie Walters, como a professora de Billy, que se destaca. Sua função, além de professora acaba sendo a de cobrir a ausência materna de Billy e Julie, atriz calejada, é capaz de passar de áspera e exigente a sensível e compreensível. Nada disso seria possível sem a capacidade de Stephen Daldry na direção, em seu primeiro longa metragem. A prova de sua sensibilidade viria mais tarde: Daldry, ótimo em extrair o melhor de seu elenco, seria um dos responsáveis por presentear Nicole Kidman com um Oscar por As horas e pela excelente performance de Kate Winslet em O leitor.

Imperdível.

É uma pequena e simples obra prima.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicações: Melhor Diretor – Stephen Daldryl, Melhor Atriz Coadjuvante – Julie Walters e Melhor Roteiro Original

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Filme – Drama e Melhor Atriz Coadjuvante – Julie Walters

CÉSAR
Indicação: Melhor Filme Estrangeiro

TRAILER

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