BOA SORTE (Crítica) | Mostra SP

BOA SORTE

4estrelas

Por Kadu Silva

O Amor que transforma

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A mente humana é realmente um campo de infinitas leituras. Tanto é, que o cinema tenta a muito tempo decifra-la.

No filme Boa Sorte de Carolina Jabor, mergulhamos em duas mentes que passam por situações opostas, mas que de certa forma se completam.

João é um garoto de apenas 17 anos, que acaba de ser internado numa clinica psiquiátrica por ser dependente de remédios. Judite também está internada, mas porque está marcada para morrer, por ser soropositiva, devido a uma vida regada a sexo e drogas. Eles acabam se conhecendo e se apaixonando, mas será que é possível este amor sobreviver?

O roteiro de Jorge e Pedro Furtado foi baseado no conto “Frontal com Fanta”, do próprio Jorge Furtado. O interessante do roteiro é que ele não se restringir ao romance do casal, o filme busca entender o porque de dois jovens tão interessantes irem parar numa clinica de reabilitação.

É ai que durante a narrativa do romance, vamos conhecendo melhor João e Judite por meio de flashbacks. Neste momento Carolina Jabor aproveita para colocar a tona uma série de discussão sobre a educação familiar. Até que ponto ela, trás consequências na vida adulta? Será que João e Judite foram vitimas do descaso e o despreparo de seus pais?

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Além disso vemos por meio do romance, uma celebração a vida. Já que João, nunca se importou com a dele, a ponto de usar o remédio Frontal junto com Fanta para se sentir invisível, uma espécie de “poder”, que ele usou como forma de escondia a solidão que sentia em não ter muito contato com os familiares e por não ter amigos. Já Judite, por saber que tinha pouco tempo de vida, aproveitava todo o seu tempo para ser feliz e curtir tudo da melhor forma. A relação dos dois, lendo de uma forma poética, seria como um passar de bastão, Judite passando a alegria de viver para João. E João dando o amor que ela nunca havia sentido. Portanto os personagens mostram que a falta de amor na vida de ambos, pode ser o grande “segredo”, da situação que eles estavam vivendo.

Carolina Jabor se mostra corajosa e precisa na condução dos atores e principalmente na narrativa que ela consegue não apelar para o melodrama barato, usando ao invés disso, elementos pops, para facilitar a identificação do público. Ela prefere provocar o espectador a pensar sobre a trama, que pode ser o retrato de vida de muitas pessoas.

Deborah Secco numa atuação que lembra um pouco a de Bruna Surfistinha, consegue convencer, principalmente quando o romance ganha forma no decorrer da projeção, tudo porque a química com João Pedro Zappa, que vive o João é perfeita. João é o retrato fiel de um garoto introspectivo de sua idade, é fácil notar traços dele em amigos ou parentes próximas, tal é o excelente trabalho de composição da personagem.

Ainda no elenco tem uma pequena, mas marcante participação de Fernanda Montenegro, que faz a avó de Judite. Fernanda consegue em poucos minutos, fazer de sua participação algo marcante dentro da trama, realmente é sempre um prazer vê-la em cena.

Portanto podemos dizer que Boa Sorte, além de um bom roteiro, é também um filme de atores, que mostram através de suas entregas, como a falta de amor pode ser muito problemática para o resta da vida. Sem contar os espaço que o roteiro abre para colocar a tona assuntos sérios e importantes que não são exatamente sobre o tema central, mas que caem como uma luva durante a narrativa. É realmente imperdível!

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SINOPSE

João e Judite se encontram em momentos delicados de suas vidas. A vida dele está apenas começando, e a dela, terminando. Um filme sobre a solidão, sobre a importância do outro. Às vezes a vida é longa e o amor, breve. Outras vezes, é justamente o contrário.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Carolina Jabor” espaco=”br”]Carolina Jabor[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Jorge e Pedro Furtado
Título Original: Boa Sorte
Gênero: Drama
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

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