Bohemian Rhapsody (Crítica)

Kadu Silva

Musicalmente funciona, mas…

Existem algumas pessoas que certamente passam no mundo para entrarem para um seleto grupo de imortais, seja pelo seu legado ou mesmo por sua história de vida. Freddie Mercury tem ambos os requisitos, por isso a cinebiografia Bohemian Rhapsody é uma das mais aguardadas do ano.

O filme narra a trajetória da banda Queen, do inicio na década de 70 até a última grande apresentação da banda. Freddie Mercury (Rami Malek) é o protagonista da linha narrativa que mostra seu estilo de vida extravagante e a complexa relação com seus companheiros, Brian May, Roger Taylor e John Deacon.

O roteiro de Anthony McCarter (A Teoria de Tudo) é fraco, primeiro porque ele não apresenta nada de novo sobre o Freddie Mercury e a banda, cria com sua trama uma fabula da vida do líder da banda, que só reforça lendas sobre ele, a única coisa que consegue fazer o filme deslanchar são os momentos musicais, já que as poderosas músicas acabam emocionando e hipnotizando o espectador.

Outro grande problema do roteiro é que ele não segue uma linha cronologia correta dos fatos que marcaram a história da banda. Para os fãs mais exigentes, essa escolha de não respeitar as datas pode soar como um certo desrespeito e até uma tentativa de criar uma imagem irreal do que foi o Freddie Mercury e a banda.

Bohemian Rhapsody (Crítica)

O diretor Bryan Singer (X-Men: Apocalipse), consegue criar um espetáculo em torno das lendas que o roteiro apresenta, principalmente porque usa áudios reais do Freddie toda a vez que tem alguma canção, até quando ele canta Parabéns Para Você, tem o áudio real na dublagem de Rami Malek.

Muito dos “problemas” do roteiro, talvez, venha da influência de Singer que costuma querer dar seu olhar peculiar a seus projetos, mesmo que para isso a cronologia dos fatos seja alterada e que maniqueísmos bobos sejam criados para fazer de uma história um verdadeiro conto fantástico e mastigado para a plateia.

Algo que merece elogio é que mesmo com todos os problemas que o filme apresentou desde que foi pensando, as escolhas de certas passagens lendárias ficaram no corte final do filme, principalmente no quesito sexual do Freddie e seu temperamento complicado, mas obviamente que nada tão real (assim), já que os integrantes da banda acabaram direcionando tudo que está contado ali.

Outro destaque é um grande momento em que o Brasil é citado, talvez uns dos mais emocionantes do filme.

Negativamente também é importante citar a prótese dentaria que é muito artificial, principalmente nas primeiras cenas, que atrapalharam a atuação de Rami Malek e a maquiagem muito exagerada e até caricata dele e de alguns personagens da trama. Por falar em caricata, infelizmente a performance de Rami Malek (Papillon) se torna caricata e pouco humana para esse personagem tão icônico.

No fim “Bohemian Rhapsody” reforça lendas e apresenta grandes momentos musicais, mas está longe de ser uma obra definitiva ou a altura desse personagem magnífico que foi Freddie Mercury.

Pôster de divulgação: Bohemian Rhapsody

Pôster de divulgação: Bohemian Rhapsody

SINOPSE

Freddie Mercury (Rami Malek) e seus companheiros, Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.

DIREÇÃO

Bryan Singer Bryan Singer

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Anthony McCarter
Título Original: Bohemian Rhapsody
Gênero: Drama, Biografia
Duração: 2h 15min
Classificação etária: 14 anos
Lançamento: 1 de novembro de 2018 (Brasil)

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