BOOGIE NIGHTS – PRAZER SEM LIMITES (Crítica)

BOOGIE NIGHTS  PRAZER SEM LIMITES

3emeio

FICHA TÉCNICA

Título Original: Boogie Nights
Ano do lançamento: 1998
Produção: EUA
Gênero: Comédia Dramática
Direção: Paul Thomas Anderson
Roteiro: Paul Thomas Anderson
Classificação etária: 18 Anos

Sinopse: Eddie Adams (Mark Wahlberg) é um jovem de 17 anos sexualmente bem-dotado. Ele é descoberto por Jack Horner (Burt Reynolds), um diretor veterano que o transforma em Dirk Diggler, uma celebridade da subcultura do mundo pornô no apogeu dos anos 70. O sucesso faz com que Eddie se envolva no mundo das drogas e a súbita fama pode ter seu preço.

Por Carlos Pedroso

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Lembro de ter lido na época de O Mestre uma crítica que dava o título de maior cultor de imagens do cinema contemporâneo à Paul Thomas Anderson. Essa lógica é bastante valida, principalmente sempre que a obra do diretor é revisitada com mais atenção. No entanto, essa ótica não parece completamente condizente com o que é visto em Boogie Nights. Ainda que um baita exercício de elementos narrativos (e até a própria pretensão de Anderson é plausível), esse é possivelmente seu longa menos centrado e autoconsciente até então.

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Eu particularmente curto muito a forma meio irreverente com a qual Anderson constrói seus personagens, sem foco, numa espécie de áurea ambígua sob um ideal subentendido da trama. São filmes sempre pensados como uma sucessão de eventos que levam a momentos catárticos (como a chuva de sapos em Magnólia, por exemplo). E talvez por essa consciente meio hipócrita, meio moralista, meio perversa, que esconde uma intenção real de desmistificar valores da cultura americana do pós-guerra, Anderson consegue ser um tremendo visionário. Entretanto, embora todo o primeiro ato de Boogie Nights seja realmente minucioso em detalhes e riqueza do controle de subversão (ele transformar um pênis num objeto poético é simplesmente genial), a medida que insere curvas à trama e ao contorno daqueles personagens, é explícito um certo conservadorismo por parte de Anderson, que sucede num segundo ato todo voltado pra uma conclusão atropelada, principalmente por uma necessidade assídua de mostrar a decadência dos personagens (a catarse aqui é tremendamente estilizada e óbvia).

Levando em conta que Anderson tinha um elenco realmente entregue a caricatura daqueles indivíduos, num black humor bastante sólido, digno dos melhores Coen, é questionável sempre que Anderson opte por condenar aqueles personagens, ainda mais levando em conta este ser um filme que não precisava ser tomado pela tragédia para ser bem sucedido em seus aspectos históricos, fotográficos, sonoros e visuais.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicações: Melhor Ator Coadjuvante – Burt Reynolds, Melhor Atriz Coadjuvante – Julianne Moore e Melhor Roteiro Original

BAFTA
Indicações: Melhor Ator Coadjuvante – Burt Reynolds e Melhor Roteiro Original

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Ator Coadjuvante – Burt Reynolds

Indicação: Melhor Atriz Coadjuvante – Julianne Moore

TRAILER

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