BREAKING BAD (finale) | Crítica

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Por Igor Pinheiro

Eu reforcei várias vezes, ao longo dessa segunda metade da temporada final de Breaking Bad, que o maior destaque da série é o roteiro bem amarrado, nos mostrando como tudo está planejado desde o começo. Esses momentos passam de simples menções e flashbacks à cenas do passado e vai até fatos que realmente influenciaram no rumo da trama, mesmo que parecessem irrelevantes no começo.

A primeira metade da quinta temporada pode até ter seus altos e baixos, fazendo a gente pensar na necessidade da divisão do último ano em duas partes, mas tudo bem. Por dinheiro ou qualquer outro motivo, foi bom digerir esses últimos momentos de Breaking Bad aos poucos. Mesmo que isso bagunçasse um pouco a mente em alguns momentos, como na história do menino Brock, que ninguém lembrava direito e teve problemas para associar à reação do Jesse.

O ponto alto da temporada é, sem dúvidas, a revelação de Walter White para todos os conhecidos. Hank e Marie são ameaçados por ele e Skyler nas ótimas cenas do restaurante e do vídeo. E todos ficaram destruídos com o antepenúltimo episódio, com Walter Jr. defendendo a mãe e expulsando definitivamente o pai da sua vida foi tocante, provavelmente ele será Flynn para sempre.

A morte de Hank com certeza já era esperada por boa parte do público, mas nem por isso nos fez sentir menos. Tudo com classe, sem sangue, sem mostrar o personagem tão querido morto de fato e Walter desesperado, tudo muito bem feito.

A relação entre Walter e Jesse, uma das mais complexas da TV, também chega ao seu extremo durante esses momentos finais. Os dois se odeiam ao mesmo tempo que sabem o quanto devem um ao outro, e o final deixa isso claro.

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Realmente, como eu havia imaginado, as questões da família foram resolvidas no episódio anterior, Skyler só voltou para a tocante cena de despedida (e todo mundo já sabia que o Walter estava lá durante o telefonema, né?). Walter na mansão em que poderia estar morando por conta do Grey Matter foi incrível. Ele vendo tudo o que Gretchen e Elliott conquistaram e pedindo para os dois dar todo o dinheiro ilegal que ele conseguiu para seu filho, meses depois, foi incrível (assim como a cena em que os dois acham que estão sendo mirados por atiradores profissionais, mas são apenas os amigos de Jesse com um laser na mão).

Teve a vingança. Pela morte de Hank, por tudo o que aconteceu. Devo dizer que achei o método para a chacina um pouco irreal, a geringonça montada no porta-malas do carro, com a metralhadora disparando de um lado para o outro, sem parar, me deixou um pouco incomodado, no mau sentido. Mas e daí, né? Não ligo porque Walter pulou com Jesse no chão para salvá-lo, não ligo porque ele matou o chefe da quadrilha sem nem deixar o cara tentar se safar, não ligo porque ele deixou Jesse matar o sósia do Matt Damon (que todo mundo achou que ia escapar ileso) e não ligo porque ele deu ricina escondido pra Lydia, que morreu sozinha, achando que estava ficando com gripe.

E aí Walter e Jesse “se perdoaram”. Jesse não teve coragem (ou não viu mais motivos) para matar Walter quando teve a oportunidade e fugiu de carro, rindo sem parar, provavelmente indo para uma vida tão ferrada quanto a que levava antes. Mas e daí? Ele sobreviveu. E Walter, baleado, caminhando pelo laboratório de metanfetamina e deitado no chão enquanto a polícia chegava, nos fez acreditar naquele papo de que antes de morrer, toda sua vida passa diante de seus olhos. Breaking Bad passou diante dos nossos olhos durante aqueles minutos finais, todos os 62 episódios, todos os personagens, todas as mortes, todos os momentos marcantes. E Gus, Saul, Mike, Tucco… Tudo. E aí acabou.

E eu poderia ficar por linhas e mais linhas falando da transformação do Walter e sobre todas as metáforas presentes na série. Sim, isso é tudo muito genial, mas foi tão bom ter um final “simples” sendo entregue pra gente. Um final que dispensa teorias mirabolantes ou momentos surreais demais. Porque, pensando bem, acredito que um final fora dos padrões acabaria não agradando a todos, ficaria longe do que a série sempre foi. Breaking Bad, sem ousar demais, conseguiu o que muitas séries tentam apelando a todos os recursos possíveis: chegar perto da perfeição.

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IT’S OVER, BITCH!

Obs. 1: Depois do crédito, existe uma mensagem de agradecimento a quem amou o show, vale a pena ver.

Obs. 2: O episódio final recebe o título de Felina, seu significado é: Fe (ferro – sangue) Li (lítio – metanfetamina) Na (sódio – lágrimas)

Obs. 3: O personagem de Saul Goodman ganhará uma série própria, se passando antes dos acontecimentos de Breaking Bad. Vamos conferir.

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2 Comentários

  1. danillo

    foda se breaking bad e uma bosta, o heisenberg [e um gay passivo e troxa e todos os dias transa de costas com o jessy pinkman e os dois são viados

    • Kadu Silva

      Oi Danillo, normal você não gostar da série, afinal gosto é individual, só gostaríamos de falar que ser gay e acidou no sexo não é ser menor que ninguém. Assim como você não gostou de Breaking Bad, tem pessoas que gostam ou não de coisas diferentes, o importante é respeitar. De qualquer forma obrigado pela visita. Abraços