CAMILLE CLAUDEL 1915 (Crítica)

CAMILLE CLAUDEL 1915

4estrelas

Por Guilherme Pulga

Camille Claudel e a arte da loucura

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Camille Claudel 1915 é uma obra de extrema beleza e sensibilidade. Bruno Dumont nos inseri no ambiente junto com a protagonista, os gritos, o tédio e aquele tempo que não se esvai é de atordoar qualquer amante do gênero drama.

Contextualizando, o filme se faz quando o estopim da 1º Guerra força Camille ser transferida para o manicômio de Villeneuve-lès-Avignon, onde passa o resto de sua vida lá. Baseado nas cartas médicas e nas correspondências entre a escultora e seu irmão Paul, o diretor Bruno Dumont pode projetar uma sensação única da protagonista para os espectadores, os belos enquadramentos da escultora abandonada pulsam o sentimento de impotência e loucura.

As atuações são perfeitas, com destaque é claro para Juliette Binoche, a partir do momento em que ela se entrega de corpo e alma no que faz, o filme deixa de ser só um filme. E para somar, o filme conta com loucos reais, causando um incomodo de ambas as partes personagem/espectador.

Outro ponto é o ator Jean-Luc Vincent na pele de Paul Claudel. Elaborando uma bela performance junto de Binoche faz com que o encontro dos dois seja angustiante e extraordinário.

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Ausente de trilha sonora, o diretor francês utiliza do som ambiente para mostrar o quão enclausurada Camille se sente. Além disso, a fotografia se faz por um impressionismo discreto, apesar dos tons opacos, a câmera parada em paisagens com movimentos do vento e/ou exposições a luz marcam o movimento artístico.

Dumont expõe uma Camille Claudel que procura entender o seu cárcere, assim como a falta de notícias de sua família e o interesse de seus chegados em ajuda-la a sair daquele lugar. Apesar de ser uma história real e sabermos como termina, se deixa vago as relações de Camille com seu irmão, assim como é duvidosa a decisão de mantê-la no manicômio. Embora a artista apresente sinais claros de paranoia, fica difícil igualar Camille aos outros pacientes do hospício.

Camille Claudel 1915 é um filme de feridas expostas que convida o espectador a participar e a decidir a lucidez da escultora francesa. Um filme que nos apresenta uma condição insana de forma sutil. Uma obra de arte de muito significado para os amantes das artes.

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SINOPSE

Inverno, 1915. Contra a sua vontade, a escultora Camille Claudel (Juliette Binoche) é internada pelos familiares em um asilo psiquiátrico mantido por religiosas, e permanece durante anos na instituição, sem poder sair. Ela afirma várias vezes que está perfeitamente sã, mas desenvolve uma mania de perseguição, acreditanto que seu ex-amante Auguste Rodin conspira contra ela, e que todos no asilo tentam envenená-la. Camille passa os dias cercada por internos com deficiências mentais e surtos psicóticos graves, não tendo ninguém com quem conversar. Sua única esperança é uma carta enviada clandestinamente ao irmão Paul (Jean-Luc Vincent), implorando por sua liberação. Quando Paul confirma que vai visitá-la, Camille aguarda com impaciência a oportunidade de mostrar ao irmão que pode viver em sociedade.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Bruno Dumont
Título Original: Camille Claudel, 1915
Gênero: Drama
Duração: 1h 35min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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