CAMINHOS DA FLORESTA (Crítica)

08mech_ITW_1Sheet_Brazil

4estrelas

Por Pedro Vieira

MUSICAL INSPIRADO EM CONTOS DE FADAS TEM PRODUÇÃO CERTEIRA E CHARME VISUAL

CAMINHOS DA FLORESTA02

Sempre vista como uma “casa dos contos de fadas”, a Disney anda buscando inverter alguns conceitos destas histórias populares em vista do público atual. E que maneira melhor de fazer isso do que adaptando uma peça teatral que já realizava este feito desde a década de 80, e ainda contando com o apoio de um diretor renomado? Dirigido por Rob Marshall (de “Chicago” e “Nine”), “Caminhos da Floresta” (Into the Woods) é o novo musical da Disney adaptado da peça da Broadway vencedora do Tony Awards.

Ainda que tenha cara de blockbuster, o filme é quase totalmente fiel à peça, o que deve alegrar aqueles que já conheciam o musical. Fiel também o estúdio e o diretor se mantiveram à visão que é dada pelo musical às personagens populares como Cinderela (Anna Kendrick), Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford), Rapunzel (Mackenzie Mauzi) e outros, que se encontram durante a história de um padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt) amaldiçoados por uma bruxa (Meryl Streep).

Entrar nesse mundo de fantasias é extasiante e divertido. Desde cenário até figurinos, tudo se encaixa perfeitamente para desenhar uma atmosfera de magia e comédia com um toque de drama. Marshall é bem-sucedido em suas escolhas visuais, assim como na escolha de seu elenco. Corden e Blunt possuem uma ótima química juntos e com o resto do elenco, dão o tom certo aos seus personagens, conduzem o filme com facilidade, não erram no momento de cantar e são muito engraçados. Kendrick está encantadora como a princesa Cinderela e até mesmo as crianças Lilla Crawford e Daniel Huttlestone (no papel do João do pé de feijão) se destacam. Já Streep é difícil elogiar sem parecer repetitivo, uma vez que a atriz nunca erra na hora de atuar, mas aqui vale destacar o fato de sua personagem passar a maior parte do tempo embaixo de uma grande camada de maquiagem, e que mesmo com este detalhe que poderia ser um obstáculo para alguns atores, Streep consegue dar personalidade à sua cômica bruxa, que é por vezes vilã, e outras vezes a voz da razão no meio daquele universo.

CAMINHOS DA FLORESTA03

Como todo conto de fadas, há algumas mensagens e morais aqui a serem passadas, tanto para adultos, quanto para crianças. Com o auxílio das belas músicas e dos personagens carismáticos, o filme realiza tal tarefa com perfeição e sem se tornar enfadonho. A direção também sabe escolher o melhor meio de adaptar alguns elementos que são comuns do teatro (como a troca de atos), ou que ficam bem na peça, mas que se tornariam estranhos em uma produção cinematográfica, evitando assim maiores problemas ou estranhamento do público.

Marshall só derrapa na construção de algumas cenas, que poderiam ser mais cômicas, mas que o diretor insiste em lhes dar um clima mais dramático. Também há certa presunção, pois a produção parece querer ter uma cara de grande espetáculo visual, cheios de efeitos e câmeras que se movem sem parar. Isto é uma pena, pois evita que algumas sequências se tornem mais intimistas e causem maior impacto dramático junto ao espectador. “Menos é mais” é uma frase que o filme poderia ter adotado para si em pequenas doses, pois no todo, ele cumpre bem o seu papel.

CAMINHOS DA FLORESTA01

SINOPSE

Uma bruxa (Meryl Streep) está decidida a dar uma lição em vários personagens famosos dos contos de fadas, como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela e Rapunzel. Cabe a um padeiro e sua esposa a tarefa de enfrentá-la, de forma a colocar as histórias e seus personagens em ordem.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Rob Marshall” espaco=”br”]Rob Marshall[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: James Lapine
Título Original: Into the Woods
Gênero: Fantasia, Musical
Duração: 2h 4min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: Livre

TRAILER

Comente pelo Facebook

5 Comentários

  1. inconforme

    Vi e não gostei… há tempos que não via um filme tão mau. Como musical ainda podia escapar, mas a história, se é que se pode chamar assim, é uma salada… A Disney parece querer continuar a difundir os antivalores, como em Maléfica no ano anterior.

  2. Benito Annunciato

    Sem dúvida, vi e não gostei. Inversão de valores é o mote do filme. Esculhambaram com as tradicionais historias infantis conhecidas. Na chamada, artistas como Meryl Streep e Johnny Deep
    somente para atrair o público. A interpretação da Meryl, claro, foi boa e a do Deep, pífia. Contudo, a “história”, ficou uma colcha de retalhos.

  3. Paulo

    O filme Caminhos da Floresta tem o seu valor. Respeito a crítica cinematográfica, até porque não sou especialista no assunto. Confesso que indo assistir com a expectativa de um filme espetacular, dá até vontade de sair e, realmente, não é para crianças. Entretanto, sugiro que quem for assistir, o faça com a expectativa de fazer leitura de conteúdo. Aí o filme é excepcional, impregnado de arquétipos, de comportamentos doentios muito bem salientados pelas personagens dos contos de fadas. Faça-se a pergunta: “que personagem é este?” Você vai se surpreender ao reconhecer no filme seus amigos, parentes e a si próprio.

  4. Mysa Guillen

    É impressionante como uma mesma obra de arte pode causar efeitos tão antagônicos nas pessoas. Particularmente, gostei muito do filme, como já gostava demais da peça. A direção de arte é magnífica e os arranjos musicais (Jonathan Tunic e Paul Geminiani, colaboradores de Sondheim desde os anos 60) dão ainda mais grandiosidade à partitura original. Bomba pra mim foi a catástrofe que Tim Burton fez de Sweeney Todd, outra masterpiece teatral de Sondheim. Escrita nos anos 80, portanto muito antes desta onda de reinterpretação dos contos de fadas, Into the Woods fala, na verdade, sobre os ritos de passagem da alma humana. Do que se deseja ao que se alcança, da infância à vida adulta, da ilusão da fantasia ao choque da realidade. De como criar seus filhos, do que dizer a eles, de tentar protege-los do mundo. Que aliás é o que tenta fazer A Bruxa com sua filha adotiva Rapunzel. À principio uma vingança que se transformou num laço de afeto. A superproteção de uma mãe insegura. O final desta mesma Bruxa se dá quando ela resolve assumir todas as culpas das personagens ditas “inocentes” na história e assim, num misto de cólera e auto sacrifício, implode-se diante de todos. Embrenhar-se nos caminhos da floresta, significa mergulhar no desconhecido, de onde se pode retirar uma série de novas experiências. Aprendizado, crescimento, amor, mas também tristeza, penar e morte. Não é um musical fácil onde as músicas são apenas acessórios da história, mas sim, parte integrante dela. É o estilo do autor. O que se canta são os diálogos do filme. Se não gosta desta linguagem, melhor não ir ao cinema. Aliás, recomenda-se a qualquer pessoa informar-se sempre do estilo que vai assistir antes de entrar no cinema. Pensei que isto fosse bastante óbvio, mas pelos comentários, percebo não ser. Com algumas poucas diferenças do texto da peça, Into The Woods para mim ainda é uma obra inquietante. Daquelas coisas que só serão reconhecidas talvez daqui a alguns anos ou décadas. Não seria a primeira vez, nem a ultima no mundo das artes.