Camocim (Crítica)

Kadu Silva

Necessário!

Em 2014 na última eleição para presidente no Brasil aconteceu um movimento onde evidenciou a separação ideológica da sociedade brasileira, principalmente porque as denuncias da Operação Lava-Jato mostravam que boa parte da corrupção até aquele momento se instaurou durante a gestão da esquerda, fazendo com que o país se dividisse entre esses dois polos. Essa tensão política (infelizmente) continua até agora quando novamente escolheremos um novo presidente, só que no momento ela é ainda mais intensa, já que o impeachment de 2016 tornou o conflito ainda mais perigoso (a morte de Marielle Franco e o atentado ao candidato Jair Bolsonario são exemplos tristes disso).

O diretor francês Quentin Delaroche (Marie, dompteuse de crabe), com objetivo de estudar esse momento político no Brasil, usou do microcosmo do município de Camocim no Ceará durante as eleições para prefeito em 2016, pois essa região litorânea é dividida entre direita e esquerda de forma bem acentuada – um verdadeiro retrato do país.

Para ser a linha narrativa dos momentos pré e pós-eleição, Delaroche usou como “guia” a jovem Mayara de 23 anos, uma organizadora da campanha de seu colega César a um posto de vereador. Durante o processo a jovem tomou ciência das dificuldades que é fazer uma campanha honesta, já que o poder local é marcado por disputas de hierarquias, compras de votos e clientelismo.

Camocim (Crítica)

Delaroche tenta em sua narrativa não tomar partido de um dos lados, ainda que a protagonista seja representante da direita, mas seu olhar sobre as campanhas dos dois polos mostram características estereotipadas do que é a direita e esquerda, para que não tem um background sobre o assunto pode ver nessa visão um preconceito do diretor. Talvez se tivesse uma personagem tão marcante como a Mayara na campanha da esquerda o retrato final fosse mais fiel dos dois polos, ainda que no final ela tenha um dialogo com amigos que mostra como escolher um lado pode ser um grande “erro”.

É exatamente no discurso de Mayara que o filme se torna acima da média, afinal ver uma mulher forte, assumida com sua sexualidade e defendendo a honestidade num ambiente tão “sujo” e ainda sendo jovem, nós faz ter esperança que as novas gerações podem, talvez, mudar o rumo preocupante que o país se encontra hoje.

Camocim é um filme necessário! Ele é capaz de ajudar a ver que se fechar numa ideologia é somente benéfico para os políticos corruptos. Unindo as forças de direita e esquerda, é o único caminho para um futuro melhor para o Brasil.

Pôster de divulgação: Camocim

Pôster de divulgação: Camocim

SINOPSE

A jovem Mayara, 23 anos, organiza uma campanha honesta durante as eleições municipais de Camocim de São Felix para eleger o candidato e colega César. A cada quatro anos, a cidade no interior de Pernambuco tem sua tranqulidade interrompida pela euforia política do evento. Durante o processo, Mayara toma consciência da dificuldade em participar de uma disputa marcada por hierarquias, compras de votos e clientelismo.

DIREÇÃO

Quentin Delaroche Quentin Delaroche

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Quentin Delaroche
Título Original: Camocim
Gênero: Documentário
Duração: 1h 16min
Classificação etária: Livre
Lançamento: 13 de setembro de 2018 (Brasil)

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