CAROL (Crítica)

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Por Davi Gonçalves

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Baseado no romance The Price of Salt, de Patricia Highsmith (publicado originalmente em 1952), Carol se passa nos Estados Unidos da década de 50 e acompanha a trajetória de Carol Aird, uma mulher da alta sociedade nova-iorquina que vive um casamento de aparências com Harge Aird, um rico e influente banqueiro local. A situação entra em colapso quando Carol decide consumar o divórcio, embarcando em um relacionamento com Therese Belivet, uma jovem aspirante a fotógrafa com quem viverá uma intensa história de amor.

O cineasta Todd Haynes (de Não Estou Lá e da série Mildred Pierce) acerta no estilo sofisticado, o que torna Carol um deleite visual tamanho requinte da produção. Com uma direção de arte primorosa e belas locações, a ambientação de época é impecável – e fica bem acentuada com a os ótimos figurinos (de Sandy Powell, ganhadora de 3 estatuetas do Oscar nesta categoria das 10 indicações que recebeu) e maquiagem. Para além disso, o roteirista estreante Phyllis Nagy faz um excelente trabalho de construção das personagens, cuidadosamente retratados de forma com que o público realmente se solidarize com elas. Obviamente, as atuações das protagonistas Cate Blanchett e Rooney Mara contribuem muito para isso. Apesar das atenções estarem voltadas todas para a primeira, é difícil dizer qual delas está melhor, uma vez que ambas se entregam completamente às suas personagens – Rooney chega, inclusive, a roubar a cena em várias ocasiões tamanha a sutileza com que faz sua Therese. Juntas, então, Blanchett e Mara são fulminantes: a cumplicidade que transmitem através dos olhares furtivos e dos gestos contidos dão ainda maior acalanto ao relacionamento das duas. Curiosamente, as duas mulheres terminam o filme de forma diferente do que no início – e esse desenvolvimento é muito bem-vindo na narrativa.

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Aplaudido em Cannes, Carol está longe de ser apenas um “romance lésbico com Cate Blanchett” – como muitos o têm reduzido. Carol é uma elegante produção que escancara os obstáculos vividos pelas mulheres daquela época. E mais do que isso: a trama nos oferece um pequeno panorama da hipocrisia humana, fruto do preconceito de uma época onde o amor entre duas pessoas do mesmo sexo era considerado “ilícito”, “imoral”. Infelizmente, pouca coisa mudou desde então – portanto, Carol vai muito além de uma obra de cinema para trazer à tona uma discussão socialmente necessária.

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SINOPSE

A jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Phyllis Nagy
Título Original: Carol
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h 58min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 14 de janeiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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