CHEVROLET AZUL (Crítica)

CHEVROLET AZUL

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Blue Caprice
Ano do lançamento: 2013
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Alexandre Moors
Roteiro: Alexandre Moors

Sinopse: Lee Boyd Malvo (Tequan Richmond) é um garoto abandonado pelos pais. Ele encontra proteção na casa de John Allen Muhammad (Isaiah Washington), um homem temperamental e apaixonado por armas de fogo. Aos poucos, John começa a manipular o garoto, treinando-o como um atirador de elite e incitando-o a cometer assassinatos em seu nome.

Por Jason

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O jovem Lee, de Antigua e Barbuda, foi abandonado pela mãe, que simplesmente saiu de casa deixando o menino a mercê do mundo. Lee, com certa aflição e numa aparente tentativa de suicídio, acaba cruzando seu destino com o de John, de Washington, EUA. John está sem a guarda dos filhos e tira o menino do mar, algo até aí natural. Lee parece ser um bom rapaz, apesar de solitário e recluso, e aceita trabalhar para John já que não tem opção alguma na vida. A relação dos dois acaba fazendo com que John retorne para Washington levando Lee a tira colo.

O que ninguém nesse mundo esperava é que o homem e o jovem se tornariam dois assassinos e o ótimo Chevrolet Azul (Blue Caprice, 2013) recria o passo a passo do momento em que se conheceram até a tragédia que matou dez pessoas e feriu outras três em 2002, nos arredores da cidade de Washington. Aos poucos, o roteiro, que não vitimiza nem engrandece – mas também não se preocupa apenas em registrar os fatos – começa a construir a personalidade insana de John e o relacionamento de pai perturbado com seu então novo filho. Em uma conversa com o garoto quando passa pela antiga vizinhança, John demonstra sua raiva pelo que aconteceu a ele, ao ser acusado de sequestrar os próprios filhos. Começa a nascer ali um exercício de influência sobre a mente já perdida do menino que o diretor Alexandre Moors trabalha com sutileza. Até a fotografia do filme muda, de clara do mar do Caribe para um tom sombrio, cinzento e tenebroso. O próprio carro do título, como visto, é filmado de maneira solitária pelas ruas, tal qual seus personagens, vagando como um assassino tenebroso silencioso procurando por mais uma vítima.

No contato com armas, John começa a induzir o garoto a atirar, e ele parece ter um dom fora do comum para a coisa. John começa a treinar Lee, como se fosse para uma guerra. Nada na vida de John, porém, parece dar certo, nem mesmo o relacionamento com a mulher que o acolhe em sua casa com o menino (e que o despeja). Ambos formam um tipo de explosivo, uma bomba relógio prestes a ser detonada. É Lee, induzido por John, que dá o primeiro passo, começando a matar pessoas inocentes como se no ato tentasse exorcizar algum tipo de demônio que povoa sua vida, seguindo a mente doentia de John.

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A forma com que as vítimas são assassinadas não é apelativa, é o ato em si que causa desconforto no espectador. Os personagens matam aleatoriamente, gente que está passando, desnorteados, fazendo atividades rotineiras, sem um modo de operação conhecido, o que deixa a polícia desorientada e os assassinos agindo de forma quase invisível (eles furam a tampa do porta malas do carro e atiram de dentro dele não deixando assim qualquer sinal de suas ações a não ser os cadáveres). Não é preciso assistir o filme para conhecer o caso: John foi condenado a morte. Lee foi preso perpetuamente, sem liberdade condicional.

Isaiah Washington tem aqui a chance de se mostrar um bom ator – para quem não se lembra, ele se envolveu em uma confusão com outro ator da série Greys Anatomy. Sua carreira parecia destinada ao fracasso de filmes como os horríveis Area Q e Navio Fantasma. Isaiah aqui é o ponto alto do filme, porque consegue passar toda a piração e desequilíbrio do homem, sem afetações ou exageros. Enquanto passeia pelo supermercado, escolhe suas vítimas, de crianças, passando por mulheres grávidas, velhos e adultos como se fosse algo comum e natural. Quanto a Tequan Richmond não se pode exigir muito. Ele tem poucas falas e se mantém inexpressivo durante todo o filme o que, involuntariamente ou não, casa bem com o perfil solitário e deslocado do personagem, que não consegue dar uma justificativa para as suas mortes ao final da trama. O ator é conhecido pela série Todo mundo odeia o Chris.

Chevrolet Azul pode afastar alguns espectadores por ser lento. O ritmo parece melancólico e arrastado. Isso se dá porque o foco é a relação dos dois e a psicologia dos personagens e não os crimes em si; é o caminho até lá, as ruas que o carro azul, que uma das personagens acha feio, segue até resultar no saldo de mortos final. O filme está longe de ser uma obra prima, mas o epílogo, transmite a mesma sensação para o espectador da vida dos personagens centrais: o mais puro vazio.

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TRAILER

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