CHOCANTE (Crítica)

Kadu Silva

Desconstruindo a Fama

2017 definitivamente tem sido o ano de revisitar os anos 80 e 90 nos cinemas, tanto no mercado nacional como internacional. Chocante é mais uma produção que se apega ao passado para narrar sua história de amizade e de quebra desconstrói o glamour empregado a fama.

Em pleno anos 1990 o mercado fonográfico brasileiro tinha como principais atrações as boy bands, entre as mais famosas, existia a Chocante, formada por Clay (Marcus Majella), Tim (Lúcio Mauro Filho), Téo (Bruno Mazzeo), Toni (Bruno Garcia) e Tarcísio, mas devido a uma briga no auge do sucesso a banda se separou e cada um seguiu um caminho diferente. Já em 2017 quando um dos integrantes da banda vem a falecer, todos os integrantes acabam se reunindo novamente durante o funeral e lá mesmo resolvem preparar um show para relembrar os velhos tempos, mas o empresário da banda decide colocar um novo integrante, o novato Rod (Pedro Neschling) uma celebridade vencedor de um reality show. O grande desafio agora, será continuar com suas atividades cotidiana e ainda encontrar tempo para se dedicar a essa volta ao passado.

O roteiro foi escrito por alguns colaboradores, mas boa parte do argumento do arco dramático surgiu de Pedro Neschling (Um Homem Qualquer), que visualizava no universo pop televisivo dos anos 90 um potencial enorme para desenvolver uma história cinematográfica. Esse roteiro apesar de apresentar uma comedia em sua primeira camada, tem um aprofundamento interessante em subtemas como a fragilidade da fama, a necessidade do reconhecimento público, a frustração profissional e assim vai.

CHOCANTE (Crítica)

De todos esses temas a desconstrução da fama é a melhor elaborada, principalmente porque a história do conjunto musical que foi sucesso nos anos 90 e que nos dias atuais não tem nenhuma lembrança popular retrata muito bem a imagem “torta” que muitos têm sobre ser famoso, ainda para completar o estudo sobre o tema, o personagem de Pedro Neschling reforça essa imagem ao retratar os anônimos que entram nos reality shows em busca de reconhecimento popular.

E mesmo sendo uma comedia extremamente engraçada, com piadas inteligentes, que não faz uso de homofobia e nem de situações chulas (importante destacar), o filme ainda tem um melodrama, que pode levar muitos as lágrimas.

Os grandes responsáveis por encontrar esse equilíbrio fino entre humor e drama é a dupla de diretores Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, que soube explorar o melhor de cada ator e deixar as cenas livres de muita marcação, a sensação ao assistir ao filme que se trata de uma grande brincadeira de amigos que estavam se divertindo em cena com muitos improvisos.

O problema do filme, se é que podemos classificar assim, é sua estrutura clichê de um grupo de perdedores que buscam dar a volta por cima a qualquer custo, faltou criatividade nesse esqueleto, no entanto, diversos filmes dos anos 90 tinha como formato esse cenário, portanto podemos imaginar que é uma espécie de homenagem ao passado.

Vale menção também a trilha sonora muito bem elaborada, inclusive com canção feita exclusivamente para o filme. Falando sobre a parte musical, tem uma sequência com um clássico do Domino que é hilária (Tô p da vida…).

Chocante é um filme engraçado, com camadas para refletir e ainda pode te fazer chorar.

Pôster de divulgação: CHOCANTE

Pôster de divulgação: CHOCANTE

SINOPSE

Os anos 1990 marcaram o sucesso da boy band brasileira Chocante. Vinte anos mais tarde, o grupo acabou, e Clay (Marcus Majella), Tim (Lúcio Mauro Filho), Téo (Bruno Mazzeo), Toni (Bruno Garcia) e Tarcísio tomaram rumos diferentes na vida. Os antigos colegas se reúnem para um evento inesperado: a morte de Tarcísio. No funeral, eles decidem se apresentar mais uma vez, em nome dos velhos tempos. No lugar do falecido colega, entra o novato Rod (Pedro Neschling).

DIREÇÃO

Johnny Araújo, Gustavo Bonafé

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Luciana Fregolente, Pedro Neschling, Bruno Mazzeo, Rosana Ferrão
Título Original: Chocante
Gênero: Comedia
Duração: 1h 41min
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 5 de outubro de 2017 (Brasil)

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