CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA (Crítica)

Ricardo Rocha

A primeira coisa que me veio à cabeça ao assisti a sequência de Círculo de Fogo, aqui com o subtítulo de “A Revolta” foi “Transformers” (sim, aquele monte de filmes dirigidos por um louco chamado Michael Bay com vários robôs gigantes que ficam se sucateando em cenas infinitas e barulhentas onde a história ou mesmo seus personagens não tem relevância alguma) A grande e talvez única diferença aqui é que os roteiristas (e não são poucos) tentam colocar uma alma a seus personagens, pois ficam apenas na tentativa, já que mesmo diante de uma ameaça iminente parece que não nos importamos tanto com eles como deveríamos.

Ok. Vamos voltar um pouco. Se o primeiro filme dirigido pelas mãos talentosas de Guillermo Del Toro (agora oscarizado) lá em 2013, tinha um charme com todas aquelas luzes de neon e batalhas bem coreografadas, fazendo assim, um bom entretenimento na medida certa, para muito marmanjo fã de filmes como Godzilla e seriados japoneses de robôs e monstros gigantes dos anos 80. Era também um sonho do próprio Del Toro levar monstros gigantes vindo da cultura oriental para as telas do mundo inteiro. E mesmo que o resultado tenha sido bem abaixo do esperado em bilheterias, despertou um interesse no público e em outros estúdios para filmes do gênero, como citei acima o próprio “Godzilla” (2014) por Gareth Edwards, “Kong: A Ilha da Caveira”(2017) por Jordan Vogt-Roberts e “Power Rangers”(2017) por Dean Israelite. E ao misturar várias nacionalidades e etnias para construir robôs gigantes chamados de Jaeger que são comandados por 2 humanos conectados através do cérebro, para tentar derrotar os monstros que conseguiram escapar através de uma fenda no Oceano Pacífico, estes os vilãos chamados de Kaiju, tudo é claro, repleto de batalhas apoteóticas, feito para o público torcer pelos mocinhos (no caso os robôs).

CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA (Crítica)

5 anos depois… e agora com uma nova e não tão clara perspectiva, Círculo de fogo renasce das cinzas com uma produção conturbada e $150 milhões para fazer a franquia ganhar vida nos cinemas novamente. Desta vez temos como protagonista o astro pop do momento John Boyega (o personagem Finn de Star Wars) que divide a tela com uma jovem desconhecida Cailee Spaeny, ambos vivem os personagens: Jake Pentecost e Amara, ele vive na sombra de seu pai que deu a vida numa batalha no primeiro filme, ela é uma garota rebelde, que monta seu próprio Jaeger pirata com sucatas e peças roubadas. Temos até uma boa conexão entre os dois, algo como uma parceria entre irmãos, já que o filme volta a tocar repetidas vezes sobre perda familiar em diversos âmbitos, afinal de contas, esses conflitos não deixam de ser uma guerra onde os civis são os mais prejudicados. Temos também um tenente metido a galã Nate Lambert interpretado pelo filho do Clint Eastwood, além da volta de outros personagens do primeiro filme, como os cientistas Newt Geiszler e Hermann Gottlieb, e no meio de tanta gente, ainda tem espaço para outros jovens que entram nesse novo grupo de “soldados” onde são mal explorados. Aliás há quase nenhum desenvolvimento de personagem nas sub tramas. Temos o mocinho que ajuda a menina rebelde após serem capturados por construírem um Jaeger ilegalmente (tudo ao acaso, sem nenhuma preocupação com justificativa) e ambos são recrutados para uma missão que surge no meio do caminho, que envolve um acidente e uma suspeita obvia de traição dentro de uma corporação onde a personagem Liwen Shao (Jing Tian que também está no elenco de “Kong: A Ilha da caveira”) muda de personalidade como quem muda de roupa. Ah, essa suspeita mencionada acima, envolve um vilão no mínimo duvidoso e canastrão a décima potência. No meio disso tudo, ainda sobra tempo para um romance clichê e momentos de adolescentes revoltados. Ah, esqueci, o subtítulo é “A Revolta”.

Se o filme de 2013 tinha uma trilha sonora energética e memorável, aqui nesta nova versão eles tentam emular o mesmo, mas sem empolgar tanto, assim como a direção do estreante Steven S. DeKnight vindo da televisão não tem a mesma elegância e plasticidade de Del Toro. Os efeitos visuais são ok. As batalhas tentam ser grandiosas, mas aí volto ao “Transformers” de Michael Bay, tudo muito barulhento e sem emoção. Ainda sim com tudo isso, se você ama esse gênero, independente das críticas, vai acabar encontrando algo ali que te entretenha por quase 2hs.

Pôster de divulgação: CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA

Pôster de divulgação: CÍRCULO DE FOGO: A REVOLTA

SINOPSE

Filho de Stacker Pentecost (Idris Elba), responsável pelo comando do programa Jaeger, Jake (John Boyega) era um promissor talento do programa de defesa, mas abandonou o treinamento e entrou no mundo do crime ao vasculhar ferros-velhos em busca de peças de robôs abandonados. Perseguido após não encontrar uma peça valiosa, ele encontra o esconderijo da jovem Amara (Cailee Spaeny), que clandestinamente está construindo um Jaeger de porte pequeno. Ambos tentam fugir usando o robô, mas acabam sendo capturados. Para escapar da prisão, eles são enviados ao treinamento de pilotos Jaeger. Lá Jake reencontra sua irmã de criação Mako (Rinko Kikuchi), uma heroína da época do combate contra os kaiju, que tenta lhe ajudar a se readaptar ao ambiente militar.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Steven S. DeKnight” espaco=”br”]Steven S. DeKnight[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Emily Carmichael, Kira Snyder, Steven S. DeKnight, T.S. Nowlin
Título Original: Pacific Rim Uprising
Gênero: Aventura, Ficção científica
Duração: 1h 51min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 22 de março de 2018 (Brasil)

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