CLUBE DA LUTA (Crítica)

CLUBE DA LUTA

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Fight Club
Ano do lançamento: 1999
Produção: EUA
Gênero: Thriller
Direção: David Fincher
Roteiro: Chuck Palahniuk e Jim Uhls

Sinopse: Jack (Edward Norton) é um executivo jovem, trabalha como investigador de seguros, mora confortavelmente, mas ele está ficando cada vez mais insatisfeito com sua vida medíocre. Para piorar ele está enfrentando uma terrível crise de insônia, até que encontra uma cura inusitada para o sua falta de sono ao frequentar grupos de auto-ajuda. Nesses encontros ele passa a conviver com pessoas problemáticas como a viciada Marla Singer (Helena Bonham Carter) e a conhecer estranhos como Tyler Durden (Brad Pitt). Misterioso e cheio de ideias, Tyler apresenta para Jack um grupo secreto que se encontra para extravasar suas angústias e tensões através de violentos combates corporais.

Por Silas Mendes

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Considerado por muitos como a obra prima de David Fincher – e por muitos outros considerado como seu segundo melhor filme, sendo Seven, sua real Obra Prima – Clube da Luta é um dos melhores exemplos de “divisor de opiniões”.

Edward Norton, em um de seus melhores trabalhos e de longe o meu favorito, da vida ao personagem conhecido tecnicamente como “O Narrador”, um homem sem nome que frequenta grupos de apoio de diversos tipos, alcólicos anonimos, tuberculose, câncer na prostata, câncer de pele… Tudo para acabar com o vazio existencial que se torna cada vez maior dentro de si, perdendo inumeras noites de sono e enchendo sua vida com produtos de catálogo para decorar seu apartamento.

“Every evening i died. And every evening i was born again. Resurrected”. Frase de Rupert após um encontro da terapia em grupo.

Voltando de uma viagem de trabalho, Cornellius conhece a personagem de Brad Pitt que entrega mais um ótimo trabalho ao lado de Fincher ao compor seu Tyler Durden, vendedor de sabão artesanal produzido com gordura que rouba de clínicas de lipoaspiração e que faz bombas em seu porão usando os mesmo sabões, e embora não perceba naquele momento, mas ao conhecer Durden, a vida de Lenny muda totalmente de rumo.

“The illusion of safety” diz Durden, sobre as medidas de segurança do avião em que estão.

Um ponto interessante e que considero um dos fortes do filme – além do incrível trabalho do elenco principal e do roteiro muito bem estruturado – é a montagem. Por que?

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Tyler Durden se revela como a vontade de mudança de Jack, o desejo de sair da vida estagnada que vivia, um personagem victicio dotado de características que ele admirava mas que não encontrava em si e que precisou projetar em um ser irreal, mas o que isso tem a ver com a montagem?

Nos momentos em que Durden assume, ainda vemos Lenny executando uma ação. Num primeiro nível, é um ponto comum, Lenny fica preso no aeroporto, Durden rouba um carro. Lenny descreve Durden e enquanto esse trabalha como um garçom, Lenny fala conosco olhando direto para a câmera.

É esse jogo que mantem o grande trunfo da trama muito bem guardado ao longo do filme sendo revelado e mudando toda forma de se ver a história. Na primeira vez que você assiste, Durden é um personagem “real” e tudo parece normal, mas na segunda vez que você assiste é interessante observar os “truques” de roteiro e só então se tem uma noção de quão bem estruturado ele é.

Explodir o próprio apartamento é o estopim de uma revolução interior que mais tarde se revela ser bem maior do que o personagem consciente imagina e que leva a uma sequência de acontecimentos que acaba com a implosão de diversos edifícios de empresas ligadas ao mercado financeiro.

Lenny, Rupert, Jack, Cornellius, Travis… Realmente não importa o nome do Narrador, ele é o homem comum, o homem de uma geração, que vive uma vida estagnada, perdendo o sono noite após noite preenchendo o vázio com uma nova mesa de centro ou “pratos de vidro com pequenas imperfeições que servem de prova de que foram feitos por trabalhadores índigenas simples e honestos… sei lá de onde”.

“Fight Clube” não é um filme pró revolução e nem mesmo contrário. Ninguém sai ileso da crítica ácida do texto original de Chuck Palahiniuk. O filme não é uma campanha pró ideais, mas é uma tentativa de se iniciar debates sobre o status quo. E convenhamos? Gostando ou não do filme, ele é figurinha carimbada nas discuções de cinéfilos em mesas de bar, cafés, de jantar ao redor de todo o mundo e é assim que deve ser.

Fracasso nos cinemas, sucesso no Home Video, desacreditado por parte do estúdio e eleito um dos novos clássicos do cinema, tempos depois. Um dos melhores trabalhos de Pitt, Norton e Boham Carter, Clube da Luta é controverso, complexo, bizarro, hilário e perigoso (?) e eu o considero sim, ser a obra prima de David Fincher.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicação: Melhor Edição de Som

MTV MOVIE AWARDS
Indicação: Melhor Luta

TRAILER

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