COLEGAS (Crítica)

COLEGAS

Com algumas falhas graves, o filme encanta pela ideia, ainda que mal desenvolvida

O filme Colegas já ganhou vários prêmios em alguns festivais que participou, já esteve na Mostra SP ano passado e apesar de não ter um entusiasmo aparente da crítica, em ele sempre despertou grande interesse no mundo cinéfilo. Teve ainda a genial ideia de marketing de trazer o ator Sean Penn para assistir o filme com o protagonista, que segundo a campanha era o sonho de infância do garoto – fatos que contribuíram para aumentou a expectativa sobre seu lançamento, mas infelizmente o que o filme apresenta é uma ideia maravilhosa, que não soube ser desenvolvida de forma ideal na telona.

Em linhas gerais o filme retrata uma experiência fantástica na vida de três jovens especiais Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pook) e Márcio (Breno Viola), amigos que viviam juntos numa instituição voltada para portadores de síndrome de Down. Um certo dia Stallone que sempre foi apaixonado por cinema teve a brilhante ideia de assim como ele assistiu no filme de Thelma e Luisa, pegar um carro e sair estrada a fora em busca de seu sonho, ele então compartilhou a ideia com seus amigos e quando o jardineiro (Lima Duarte) estava ocupado em seu quarto, pegaram o carro e saíram em busca dessa aventura divertida, durante o passeio fizeram um pacto que só voltariam depois de cada um realizar um sonho. Conhecer o mar, se casar e voar, sonhos aparentemente simples que na cabeça desses três jovens especiais só poderia existir de forma lúdica e fantástica e assim o filme se desenvolve.

O roteiro é do diretor Marcelo Galvão, que além de ter essa ideia genial utiliza o fato da paixão do cinema do protagonista como forma de contar a história. O desenvolvimento da trama traz sempre referencia a filmes de grande sucesso, ou seja o arco dramático é sem dúvida genial.

Só que o roteiro se perde em dois momentos cruciais, primeiro em desenvolver os sonhos dos garotos, por mais que o diretor, talvez tenha pensando em usar a visão lúdica dos protagonista para contar o sonho, eles não apresentam encantamento, não digo que precisava seja piegas ou fazer chorar, mas é tão simples e básico e seu tom fraco, deixa a ideia que envolve a trama pequena em função dessa falha. Infelizmente!

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A outra falha se dá no uso equivocado de humor fora do tom de algumas cenas, chega a ser constrangedor dentro de um filme tão lírico e poético ver atores fazendo cenas que mais parecem tiradas do “humorístico” da rede globo, Zorra Total. É como se caísse ali de paraquedas não se mostrando harmonioso com o restante da trama.

Outro problema, talvez menos grave é na forma como é mostrado a trama paralela dos policiais que estão em busca dos garotos, por mais lúdico e fantástico que o filme foi desenvolvido, nessa momento algo mais pé no chão, deixaria o filme mais interessante. Vou citar por exemplo dois filmes que utiliza algo que talvez pudesse servir de inspiração – em preciosa, o mundo de sua imaginação era bem diferente do mundo real, o filme rompia em cores, iluminação e tudo mais, os elementos reais para soar mesmo uma visão lúdica da sofrida garota, em Dançando no escuro a mesma coisa, ao meu ver essa solução cairia bem para a trama paralela a dos garotos, utilizar um tom mais crível, deixaria bem mais redondo o desenvolvimento da narrativa – obvio que não precisava ser tão serio e melodramático que os exemplos citados, mas algo que seguisse para esse lado, ainda mais diante do desfecho escolhido.

Mas apesar dessas falhas graves, a ideia de contar a história através da visão lúdica e fora da realidade dos garotos, encanta, já que os três são carismáticos e conseguem segurar muito bem o desenrolar da narrativa.

A narrativa em off feita por Lima Duarte pesar de ter a função de ser didática, soa muito bem em determinados momentos. Sua dicção é perfeita, para essa ideia de um contador de história que Galvão pretendia passar. Em determinados momentos é por ela que a emoção chega forte durante a projeção.

Outro acerto é na escolha da trilha sonora que é toda composta por canções do Raul Seixas, cada uma delas parece ter sido feita para embalar a cena. Já que Raul tinha em sua letras sempre fez uso do elemento fantástico para compor as canções. Até um couver do cantor aparece no longa, demonstrando a paixão do diretor pelo artista.

Portanto Colegas é um filme que vale pela intenção, pela forma como Galvão soube humanizar seus personagens, sem usar da condição dos atores como elemento emotivo do enredo. Ainda assim no final das contas dá um gostinho de quero mais, pois aquilo foi pouco para toda a riqueza que poderia ter sido extraída da brilhante ideia.

DESTAQUE

Sem dúvida nenhuma é a homenagem através das referencias a vários filmes que aparecem durante o longa. Vou citar um que me chamou atenção e eu percebi que quase ninguém entendeu. A cena no motel, onde os policiais precisam passar a noite é do filme Psicose, se você não assistiu o clássico de Hitchcock, veja que vai entender porque ele começa a chamar pela mãe, sem explicação aparente. Esse é uma das passagens que achei fantástica.

SINOPSE

Stallone (Ariel Goldenberg), Aninha (Rita Pook) e Márcio (Breno Viola) eram grandes amigos e viviam juntos em um instituto para portadores da síndrome de Down, ao lado de vários outros colegas. Um belo dia, surge a ideia de sair dali para realizar o sonho individual de cada um e inspirados pelos inúmeros filmes que já tinham assistido na videoteca local, eles roubam o carro do jardineiro (Lima Duarte) e fogem de lá. A imprensa começa a cobrir o caso e a polícia não gostou nem um pouco dessa “brincadeira”. Para resolver o problema, coloca dois policiais trapalhões no encalço dos jovens, que só querem realizar os seus sonhos e estão dispostos a viver essa grande aventura, que vai ser revelar repleta de momentos inesquecíveis.

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ELENCO

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DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Marcelo Galvão
Título Original: Colegas
Gênero: Comédia
Duração: 1h 39min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 10 Anos

TRAILER

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