COM AMOR, SIMON (Crítica)

Kadu Silva

Um avanço importante

Felizmente a indústria do cinema, seja a maior e mais poderosa do mundo que é a de Hollywood, como as de países menos expressivos, estão entendendo que o mundo mudou e é necessário avançar na temática de suas narrativas. Mulher Maravilha e Pantera Negra foram dois filmes que mostraram o quanto o público quer ver “novidades” na telona.

Com Amor, Simon é o primeiro filme de Hollywood que apresenta uma comedia romântica adolescente que tem um casal gay como protagonista, sem ser uma obra panfletária ou piegas.

No filme Simon (Nick Robinson) é um adolescente de 17 anos que tem uma vida comum, mas no seu íntimo esconde um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. Tudo fica ainda mais complicado para jovem quando ele se apaixona por um colega da escola, na internet de forma anônima, e assim precisa lidar com o primeiro amor e a “necessidade” de se assumir publicamente.

O roteiro de Elisabeth Berger (This Is Us) e Isaac Aptaker (De Repente, Vovô) é muito inteligente por conseguir usar os clichês do gênero a favor da história. A dupla assume claramente que se trata de uma comedia romântica e usa todas as cenas “padrões” do gênero para contar essa história. O que torna tudo refrescante é que se trata de uma intimidade de um jovem gay, que apresenta as mesmas ansiedades de qualquer um outro adolescente de sua idade. A dupla mostra tudo isso de forma muita delicada e sensível.

COM AMOR, SIMON (Crítica)

O diretor Greg Berlanti (Juntos pelo Acaso), conduz a trama de forma muito natural, sem pesar a mão no fato de ter um protagonista gay, mesmo quando Simon tem que encarar a revelação sobre sua condição sexual, não existe exageros ou melodramas além do necessário, tudo tem o tom certo para emocionar e dar ao espectador a possibilidade de refletir sobre os fatos, sem julgamentos.

Todo elenco está excelente, ajudado pelos personagens marcantes, rapidamente a plateia está envolvida e torcendo por eles, o grande destaque é Nick Robinson (Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros) que não busca compor o Simon com estereótipos, ele faz um jovem como qualquer um, somente em sua intimidade vemos o interesse velado que se encontra com ele. Isso fica ainda mais marcante com o contraponto de um outro personagem que tem trejeitos afeminados, que é muitas vezes a visão comum da maioria das pessoas ao pensar em um homem gay.

Além da excelente montagem que consegue dar ritmo a história mesclando humor e drama na medida certa, o grande destaque é para trilha sonora indie e nostálgica que torna o filme ainda mais especial e marcante.

Com Amor, Simon, é um filme necessário, porque soube mostrar que não existem diferenças quando se trata de amor entre dois seres humanos. Como as obras áudio visuais são importantes para abrir os olhos das pessoas o filme se torna um grande avanço, para que um dia a sociedade saiba respeitar as diferenças naturalmente.

Pôster de divulgação: COM AMOR, SIMON

Pôster de divulgação: COM AMOR, SIMON

SINOPSE

Aos 17 anos, Simon Spier (Nick Robinson) aparentemente leva uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Greg Berlanti” espaco=”br”]Greg Berlanti[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Elisabeth Berger, Isaac Aptaker
Título Original: Love, Simon
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 1h 49min
Classificação etária: 12 Anos
Lançamento: 5 de abril de 2018 (Brasil)

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