Comboio de Sal e Açúcar (Crítica)

Kadu Silva

Mais que um entretenimento “banal”

Licinio Azevedo (Virgem Margarida) é um diretor brasileiro, que há várias décadas está radicalizado na África, mais exatamente em Moçambique e se especializou nesse período em contar histórias principalmente documentais sobre o povo de lá. Comboio de Sal e Açúcar é um dos poucos filmes ficcionais do cineasta, mas sua história é baseada em relatos reais do povo moçambicano durante os anos 80 em plena guerra civil.

O filme conta a difícil viagem que o povo moçambicano encontrava para ir de Nampula a Malawi, para trocar sal por açúcar, pois a diferença de valor entre os dois produtos é que os ajudava a manter a sobrevivência durante a guerra civil que assolava a região nos anos 1988.

O roteiro é baseado no livro homônimo do próprio Licinio Azevedo, ele também foi o responsável por adaptar a história. Licinio buscou extrair as passagens mais importantes do livro e retratar no filme, e de fato os conflitos e dramas que vivem os personagens do comboio são pontuais para entender ainda que superficialmente um pouco da cultura especifica do povo local.

Comboio de Sal e Açúcar (Crítica)

Apesar de essas passagens marcantes servirem como fonte de conhecimento para o espectador, a direção de Licinio erra em sua narrativa, pois cada conflito de suspense que acontece nos diversos momentos de sabotagem que o comboio passa ao longa da viagem, se torna previsível, seja pela trilha sonora, ou mesma pelo destaque da personagem que irá sofre com tal acontecimento, nada pega o espectador de surpresa, a não ser um fato especifico do personagem que é o comandante do exercito, ele deixa no ar uma dúvida, que o diretor explica muito bem na entrevista acima (que ele nos cedeu com exclusividade).

A produção do filme é de encher os olhos; fotografia, direção de arte, figurino, tudo foi pensando para trazer para ao longa uma imagem muito próxima do real ocorrido naquele período, inclusive grande parte do elenco e figurantes são da região, apenas dois não nasceram por lá e apesar disso, o diretor relatou que teve alguns problemas durante as filmagens, primeiro que infelizmente durante esse período, começou novamente uma guerra civil no país e devido a isso, muitos figurantes, às vezes confundiam as situações de filmagem com as de fato real que acontecia por lá, mesmo com toda proteção do exercito local.

Independente das escolhas questionáveis na direção e com todo acerto na produção, Comboio de Sal e Açúcar, é uma obra que vai além de tudo isso, seu conteúdo é de extrema importância para mostrar como o ser humano possui força para superar os obstáculos da vida, simplesmente para tentar sobreviver e Licinio usa do exercício do suspense da ficção cinematográfica como forma de trazer para o espectador a sensação (triste e dura) que uma guerra deixa em seu povo.

Pôster de divulgação: Comboio de Sal e Açúcar

Pôster de divulgação: Comboio de Sal e Açúcar

SINOPSE

O longa “Comboio de Sal e Açúcar” é baseado no livro homônimo do diretor. O filme se passa em Moçambique, em plena guerra civil, onde um trem, que liga Nampula (província do Norte de Moçambique junto ao oceano Indico) ao Malawi, atravessa uma perigosa zona de guerra. Esta viagem é a única esperança para centenas de pessoas dispostas a arriscar a própria vida numa viagem para garantir sua subsistência, indo trocar sal por açúcar no país vizinho. Trafegando por trechos da linha de trem completamente sabotados, a jovem enfermeira Rosa, que está a caminho de um hospital onde irá trabalhar, conhece o Tenente Taiar, que tem como missão conduzir todos a salvo. Uma estória de amor em tempos de guerra a bordo de um comboio de mercadorias, que leva além de pessoas, sonhos.

DIREÇÃO

Licinio Azevedo Licinio Azevedo

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Licinio Azevedo
Título Original: Comboio de Sal e Açúcar
Gênero: Drama, Guerra
Duração: 1h 33min
Classificação etária: 16 Anos
Lançamento: 7 de junho de 2018 (Brasil)

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