COMO NOSSOS PAIS (Crítica)

Igor Pinheiro

É muito difícil se contar narrativamente, em alguns casos, um drama familiar como o presente em Como Nossos Pais sem que ele pareça um grande “classe média sofre” ou “white people problems”. Quando essa trama se torna maior e vemos o que está por trás, como críticas sociais e reflexões propostas pelo que é contado, esse tipo de história ganha uma força incrível. E esse fator do novo filme de Laís Bodanzky me lembrou bastante Big Little Lies, a badalada minissérie da HBO com Reese Witherspoon e Nicole Kidman. E isso é um enorme elogio, posso garantir.

Maria Ribeiro interpreta Rosa, mulher de uma família tradicional, um bom trabalho, casamento e filhos aparentemente estáveis. Em um almoço de família, ela descobre que não é filha do homem que sempre achou ser e sempre teve como exemplo. A descoberta a faz questionar sua própria vida e sua posição no mundo diante de suas ideologias e crenças, passando por temas como a relação com os pais, a busca da felicidade, a necessidade do feminismo e até mesmo com o modo como encaramos a morte.

COMO NOSSOS PAIS (Crítica)

Além de um dos melhores trabalhos (e muito bem premiado) de Maria Ribeiro como protagonista, a personagem de Clarisse Abujamra, mãe de Rosa, é um dos pontos mais fortes e impactantes do longa, e poderia ter saído completamente errado se caísse em mãos erradas. O elenco, que ainda conta com boas performances de Paulo Vilhena (sim, eu sei) e do ótimo Felipe Rocha, se destaca por seu realismo, os diálogos são muito naturais e parece até que já participamos de alguns deles.

O ponto falho mais marcante fica no personagem de Herson Capri, não por sua existência em si, mas por alguns fatores que o compõem e o tornam desnecessário e quase inverossímil.

Com alguns pontos mais lentos do que talvez devessem ser, o roteiro entrega um produto completamente satisfatório, uma personagem comprometida com suas finalidades com a qual é fácil de se envolver. Como Nossos Pais era um dos favoritos na lista de possíveis indicações do Brasil ao Oscar, posto que ficou com o também excelente Bingo: O Rei das Manhãs. Mas não ter sido o escolhido, nem de longe, torna o longa de Laís Bodanzky inferior. Ele, aliás, se faz muito necessário em nosso cenário social atual.

Pôster de divulgação: COMO NOSSOS PAIS

Pôster de divulgação: COMO NOSSOS PAIS

SINOPSE

Rosa (Maria Ribeiro), 38 anos, é uma mulher que se encontra em uma fase peculiar de sua vida, marcada por conflitos pessoais e geracionais: ao mesmo tempo em que precisa desenvolver sua habilidade como mãe de suas filhas, manter seus sonhos, seus objetivos profissionais e enfrentar as dificuldades do casamento, Rosa também continua sendo filha de sua mãe, Clarice (Clarisse Abujamra), com quem possui uma relação cheia de conflitos.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Laís Bodanzky” espaco=”br”]Laís Bodanzky[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Laís Bodanzky, Luiz Bolognesi
Título Original: Como nossos pais
Gênero: Drama
Duração: 1h 42min
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 31 de agosto de 2017 (Brasil)

Comente pelo Facebook