CONFISSÕES DE ADOLESCENTE: O FILME (Crítica)

CONFISSOES DE ADOLESCENTE

3emeio

Por Kadu Silva

Apenas regular

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O primeiro grande mérito da adaptação de Confissões de Adolescente para o cinema é a escolha do diretor. Por mais que Daniel Filho ainda peque em querer transpor a linguagem televisiva para o cinema, é sem dúvida o diretor nacional, que melhor consegue conversar com o público brasileiro em geral.

Já citei isso uma vez, e quase quiseram me matar, mas o vejo como o Spielberg nacional (mas calma), essa semelhança é na facilidade de conseguir falar com o público sem precisar de apelação, e nem de textos de comedias retardadas para alcançar grandes bilheterias.

Tirando esse fato, acredito que a história do longa é praticamente de conhecimento comum, já que por 20 anos a série foi um grande sucesso na TV Cultura e sua versão cinematográfica, segue a mesma linha. 4 adolescentes vivendo com o pai, cada uma com idade diferente, mas todas na adolescência. E como acontece com “todos” nessa faixa etária, existem duvidas, medos e descobertas que acompanhamos no dia a dia dessas garotas e seus amigos.

O roteiro é de Matheus Souza e foi baseado nos diários de Maria Mariana e lógico na peça e na série de TV. Matheus trouxe a linguagem para os dias de hoje com a influência das redes sociais na vida dos adolescentes, além das referencias pops do momento e também nas gírias – nesse quesito, Souza acertou muito bem, mesmo que alguns diálogos se mostrem datados, mas como a tecnologia é muito rápida, há de se entender.

Já na trama em si o filme se mostra fraco em tudo que se propõe a discutir – há uma sensação de medo de se aprofundar em coisas mais “pesadas”. A começar pelo bullying, que foi colocado a tona e quando era para se discutir e mostrar as consequência de quem faz isso, nada é feito (para quem quiser ver um filme bom sobre o assunto, dica: Depois de Lúcia). Depois a homossexualidade na adolescência, também acontece o mesmo, o assunto é levantado e nada é falado mais a fundo (para quem quiser um filme sobre o assunto: Azul é a cor mais quente).

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Enfim praticamente todos os assuntos são tratados com pouco aprofundamento. Até entendo que a ideia seja dar ao longa um tratamento mais popular, uma linguagem fácil, no entanto, a escolha por apenas um dos temas, seria mais acertados (talvez). Laís Bodanzky, por exemplo, conseguiu esse equilíbrio perfeito em As Melhores Coisas do Mundo.

Não vou entrar em detalhes do uso “ridículo” de chroma key em diversas passagens do filme, de escolhas pouco inspiradas da computação gráfica – para não colocar o filme no nível muito baixo.

Não tem como citar também, que a representação desse adolescente do filme, não diz respeito a todos os adolescentes brasileiros, muitos dos hábitos, mostrados são de jovens de classe média alta – faixa pequena da população em geral. Ainda sinto falta de um filme que consiga mostrar um mundo mais próximo do real, sobre adolescentes. O que lembrei, ainda que exagerado, por buscar inspiração em William Shakespeare é a produção, Era Uma Vez… de Breno Silveira.

Entre seus acertos tem a construção eficiente de alguns personagens carismáticos, um ótimo elenco, mesmo que 60% seja da Malhação – o que acaba levando a uma comparação (infelizmente). Tem também as protagonistas da série na TV fazendo, uma participação especial, o que dá para os fãs da série uma nostalgia gostosa.

Daniel Filho também acertou em deixar de lado o puritanismo no olhar do jovem, e a nudez e o sexo são mostrados, quase sem mascaras, e isso eleva significamente a confiança deles em tornar crível o que é mostrado na telona.

Outro e talvez o grande acerto do filme foi na trilha sonora, canções novas e antigos sucessos em versão atualizadas, ajudaram a dar um clima bem divertido para a narrativa, tornando a projeção no mínimo um bom passatempo.

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SINOPSE

Paulo (Cássio Gabus Mendes) está passando por dificuldades financeiras para sustentar as quatro filhas, Tina (Sophia Abrahão), Bella Camero (Bianca), Malu Rodrigues (Alice) e Clara Tiezzi (Karina), depois que anunciaram um novo aumento no aluguel. Quando ele avisa que eles precisam se mudar do apartamento onde vivem, na Barra da Tijuca (Zona Oeste do Rio), elas se comprometem em ajudar de alguma forma, começando a cortar despesas bobas e ajudando nas tarefas domésticas. Mas enquanto precisam lidar com essa novidade, o quarteto tem ainda outras experiências típicas, relacionadas a idade de cada um delas. Tina vem penando para conseguir um primeiro trabalho, ao mesmo tempo que vem se desentendendo com o namorado riquinho. Bianca, por outro lado, esconde uma relação misteriosa, diferente de sua irmã Alice, ainda virgem, e as voltas com a famigerada primeira vez. Correndo por fora, Karina é a mais nerd da turma e anda atraindo as atenções de um dos colegas da escola, mas eles ainda não sabem bem ao certo como lidar com isso. Apesar dos conflitos, a união entre elas permanece e as experiências, tudo indica, irão contribuir ainda mais para manter a família unida.

ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Sophia Abrahão (Tina)” espaco=”x”]Sophia Abrahao[/do][do action=”cast” descricao=”Isabella Camero (Bianca)” espaco=”x”]Isabella Camero[/do][do action=”cast” descricao=”Malu Rodrigues (Alice)” espaco=”x”]Malu Rodrigues[/do][do action=”cast” descricao=”Clara Tiezzi (Carina)” espaco=”br”]Clara Tiezzi[/do]

DIREÇÃO

Cris D’amato e Daniel Filho

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Matheus Souza
Título Original: Confissões de Adolescente: O Filme
Gênero: Aventura
Duração: 1h 59min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 12 anos

TRAILER

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7 Comentários

  1. Mainara

    Acho que esse filme vai ser muito bom… vou assistir ele dia 11 🙂

  2. Tiago Cardoso

    Eu sou um chato em relação a chroma key, mas não me incomodei com os efeitos nesse filme. Confesso que assisti ele muito emocionalmente pois sou fã da série então pra mim ele é perfeito! =)

  3. Mike

    Sinceramente? Esse filme não tem razão alguma de existir. Muito do que era tabu para a classe média na década de 90 não é mais hodiernamente. E o que hoje ainda é tabu, não é tratado no filme, que se mostra conservador. O diretor acha que mostrar os seios das meninas é mexer com assunto delicado? A molecada hoje com 10 anos já tá no xvideos. Assunto delicado seria tratar da homossexualidade da menina, de legalização do aborto, da despolitização da molecada. A série original nunca mostrou peitinhos, mas era muito mais corajosa do que esse filmeco para leitoras de Capricho. Seria melhor um novo seriado com o elenco antigo: confissões de mãe

    • GUILHERME

      É SERIA MUITO PROVEITOSO ESSE TIPO DE CONSCIÊNTIZAÇÃO CULTURAL ISSO ESTA MUITO LONGE DE ACONTECER PRECISAMOS DE UM REVOLUCIONÁRIO PARA DAR UMA INICIATIVA DESSA CATEGORIA. MAS MESMO ASSIM ESSE FILME TEM RAZÃO DE EXISTIR VOCẼ NÃO PENSO NAS PESSOAS QUE VIVERAM ESSA ÉPOCA. NÃO ASSISTIR À ESSE FILME POR ISSO PRECISO SABER SE ALGUÉM PODE ME PASSAR DETALHAR DO FILME SE FOI BOM OU RUIM/????????

  4. carla vitoria

    ameeeeei e muito bom eu achei a parte mais legal do filme e quando a alice perde a virgindade dela ela pesava em varios atores da telinha da globo