CONSPIRAÇÃO E PODER (Crítica)

Kadu Silva

Cuidado ao mexer com um vespeiro!

A sétima arte tem como papel primário entreter o seu público, no entanto, em alguns casos ela tem a possibilidade de colocar à tona certos assuntos que acabam ficando em segundo plano com o tempo e que merecem ganhar uma nova possibilidade de serem discutidos, ou até mesmo compreendidos plenamente. O caso da produtora da rede CBS, Mary Papes, que durante as eleições de 2004 em que George W. Bush poderia ser reeleito, resolveu mexer num vespeiro, mostrando um suposto privilegio (ilegal) do ainda jovem Bush para não combater na Guerra do Vietnã é um desses casos que mudou radicalmente a vida da produtora, mas que após as eleições deixaram as manchetes dos principais veículos locais para cair no esquecimento.

Em 2005 a produtora e jornalista Mary Papes escreveu o livro Truth and Duty: The Press, the President, and the Privilege of Power, que relata profundamente seu lado, no que aconteceu no caso e essa obra foi a inspiração para o roteiro de James Vanderbilt (O Espetacular Homem-Aranha) que tentou ainda que usando a visão de produtora, relatar a história sem julgamentos, obviamente falta no roteiro (talvez) uma visão do lado oposto ao embate para se tornar mais completo, mas ainda assim é importante para verificar como a ânsia pelo poder pode ser nociva a quem está envolvida nessa busca.

James Vanderbilt além do roteiro faz sua estreia na direção e soube criar um clima de thriller com a narrativa muito interessante. Não existe enrolação para desenvolver os conflitos, tudo é harmonicamente apresentado no arco dramático, um recurso fundamental para envolver o espectador na rede de conspiração e acusações que vão brotando ao longo da projeção. Além disso, Vanderbilt soube explorar muito bem o talentoso elenco e tirar de cada um o seu melhor. Cate Blanchett (O Curioso Caso de Benjamin Button) e Robert Redford (Capitão América 2: O Soldado Invernal), que nem precisa comentários, brilham, a troca cênica dos dois é para derreter o coração cinéfilo de quem assisti.

Vale destacar a parte técnica do filme, trilha sonora precisa, designer de produção adequado e principalmente a montagem que soube encontrar o ritmo perfeito para dar a trama o impacto que merecia.

Mesmo não aprofundando, já que o filme não faz julgamentos, há uma menção ao fato do posicionamento feminista de Mary Papes, que em alguns momentos parecia incomodar alguns que estavam a seu redor, e isso incluía colegas de trabalho. Uma das leituras do filme dá a entender que o poder dessa mulher era mais prejudicial do que o que supostamente teria acontecido com a matéria. Seu posicionamento liberal incomodava os conservadores.

Conspiração e Poder é daqueles filmes para se deliciar com grandes atuações e principalmente para dar a quem assiste a possibilidade de pensar sobre como o poder e os interesses as vezes falam mais alto que uma suposta verdade.

CONSPIRACAO E PODER

SINOPSE

A produtora da CBS, Mary Papes (Cate Blanchett), juntamente com o âncora Dan Rather (Robert Redford) suspeitam de que o presidente George W. Bush foi um dos muitos jovens privilegiados que usou os seus contatos para não combater na Guerra do Vietnã. Armando uma exposição, os dois pretendem levar a história ao ar, mas o fato só começa uma guerra entre o poder constituído na tentativa de tirar o crédito das informações, o que abala o emprego dos dois contratados da CBS, quase altera as eleições e quase leva toda a CBS News abaixo.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: James Vanderbilt
Título Original: Truth
Gênero: Drama
Duração: 2h 5min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 14 Anos
Lançamento: 24 de março de 2016 (Brasil)

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