COPA DE ELITE (Crítica)

Copa de Elite

2emeio

Por Emílio Faustino

Oportunista, sem graça e nada original.

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Como fazer um filme para ganhar dinheiro no Brasil?

Receita: pegue um punhado de filmes que fizeram sucesso recentemente no cinema nacional para atrair a massa, adicione como plano de fundo o evento mais esperado do ano pelos brasileiros (Copa do Mundo), misture bem com atores de várias emissoras diferentes e para fermentar adicione uma pitada da cantora mais tocada do ano passado (Anita) e uma dose extra do cara mais seguido no twitter (Rafinha Bastos). Com o forno já pré-aquecido, coloque a massa e espere o bolo crescer.

Pronto! Assim temos a receita que rende para um país inteiro, afinal brasileiro é um povo que adora justificar sua falta de interesse em filmes que não sejam do gênero comédia com o argumento: “A vida real já é tão difícil, por isso quando vou ao cinema, eu vou porque quero rir e esvaziar a cabeça”. E dessa forma, temos mais uma comédia que não alimenta esse povo que adora se distrair. (Não é atoa que as maiores bilheterias de filmes nacionais do ano passado foram comédias. Pra se ter uma noção dos 10 filmes que mais arrecadaram, 8 eram comédias.)

Passada a receita, vamos à história do filme que é pra lá de forçada. Afinal, só assim para conseguir contextualizar em um único filme sátiras de: “Minha mãe é uma peça”, “De pernas para o ar”, ”Se eu fosse você”,“2 filhos de Francisco”, “Tropa de Elite”, “Bruna Surfistinha, “Chico Xavier”, “Meu nome não é Jhonny”, “O homem do futuro”, entre outros…

Na trama Jorge Capitão (Marcos Veras) é um destemido Capitão do BOP, e um ídolo brasileiro. Porém, após salvar o maior craque argentino de um sequestro às vésperas da Copa do Mundo, ele acaba virando o inimigo público número 1 do Brasil.

Expulso da corporação, ele terá que aprender a trabalhar em equipe para evitar um atentado contra o Papa na final do torneio. Para isso ele conta com a ajuda de uma seleção de craques como a empresária de sex shop Bia Alpinistinha (Julia Rabello), um médium (Bento Ribeiro) que fará a ponte com o além e de sua mãe (Alexandre Frota) que é uma peça.

Em seu primeiro longa, o diretor Vitor Brandt optou parodiar os sucessos nacionais. Algo aos moldes de filmes americanos como “Todo mundo em pânico”, “Inatividade paranormal” e afins… Porém, satirizar filmes de terror é bemmmmm diferente de satirizar comédia. Isso porque, funciona muito mais rir de algo que costumava te dar medo do que rir de algo que você já riu.

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Ou seja, o que vemos no cinema é a piada da piada, o pior é que as sátiras não são nada sutis, eles visivelmente subestimaram a capacidade de assimilação do público e forçaram as paródias com as mesmas frases dos filmes parodiados, como se temessem que piadas mais inteligentes ou menos óbvias não fossem captadas pelo povão.

Desta forma, define-se bem o público a quem o filme quer atingir, que é o mesmo publico que curte Zorra Total, A praça é nossa e por mais que existam 2 atores do canal do Youtube “Porta dos Fundos”, as piadas do filme nada se assemelham com a do canal que ficou famoso por seus quadros ácidos e suas críticas sociais.

Dizem que comédia boa é aquela te faz rir, independente do estilo ou dos recursos que ela utiliza a serviço do riso. Mas infelizmente, esse filme não funcionou para mim que cheguei a ver a maioria dos filmes satirizados, que dirá para aqueles que não viram os filmes. Deu pra contar nos dedos de uma mão a quantidade de vezes que esbocei uma risada tímida.

Massssssssssssssssssssss, senso de humor é uma coisa muito pessoal, né? Eu quero deixar claro que não tenho nada contra comédias, o me incomoda é o oportunismo que existe nesse mercado que fica nessa de fazer mais do mesmo. Nessas histórias que parecem que foram feitas em 5 dias de tão improvisadas.

É muito recurso e dinheiro investido para pouca história, o Brasil merece histórias e enredos que não o subestimem. O lado bom de “Copa de Elite”? É que esse filme não poderia existir há 5 anos atrás. Isso porque não havia muitos lançamentos no cinema nacional e que dirá filmes emblemáticos para poder fazer uma sátira reconhecida pelo público.

Quer ajudar o cinema nacional a continuar crescendo só que da forma certa? Vá ao cinema ver “Confia em mim” ou o excelente “Hoje eu quero voltar sozinho”. Desta forma estaremos dando um passo de uma longa caminhada rumo a uma nova cultura de filmes nacionais.

Filmes como “Copa de Elite” só existem porque existe público para ver. E o pior: se este filme fizer sucesso teremos uma continuação. Algo como: “Copa de elite 2- missão Olimpíadas”, sério… O Brasil merece mais que isso, desculpem o desabafo.

De qualquer forma, se você é duro na queda e ainda sim quer ver o filme e encarar o grupo “Molejão” (que faz a sua participação especial), “Copa de Elite” estreia dia 17 de abril nos cinemas de todo o Brasil. Só não vai dizer depois que eu não avisei.

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SINOPSE

O policial Jorge Capitão (Marcos Veras) é um competente capitão do BOP e um ídolo brasileiro. Só que depois dele salvar de um sequestro o maior craque argentino, às vésperas da Copa, acaba virando o inimigo público número 1 da nação. Expulso da corporação e desacreditado pelo povo, Capitão precisa reaprender a trabalhar em equipe para evitar um atentado contra o Papa na final do torneio. É quando entra em cena a empresária de sex shop Bia Alpinistinha (Julia Rabello), um médium (Bento Ribeiro) e sua mãe muito louca (Alexandre Frota).

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Vitor Brandt” espaco=”br”]Vitor Brandt[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Vitor Brandt e Pedro Aguilera
Título Original: Copa de Elite
Gênero: Comedia
Duração: 1h 30min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

ENTREVISTA COM O DIRETOR E O ELENCO DO FILME

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27 Comentários

  1. Maia

    “Tropa de Elite”, “Bruna Surfistinha”, “2 Filhos de Francisco”, “Chico Xavier”, “Nosso Lar”, “Meu Nome Não é Johnny” e “Homem do Futuro” não são comédias. Apenas “Se Eu Fosse Você”, “Minha Mãe é uma Peça” e “De Pernas pro Ar” são comédias. Ou seja, quando você diz que o filme se baseia em satirizar comédias, há um erro matemático, já que apenas 30% dos filmes citados são originalmente comédias. Nenhuma palavra sobre a cinematografia? Nem sobre o fato de trazer humoristas da novíssima geração, como Bento Ribeiro, Daniel Furlan e Milton Filho? Ou sobre as piadas com polícia e religião? Quer ajudar o cinema brasileiro: vá ver TODOS os filmes brasileiros e pare de ser preconceituoso.

  2. Paulo Boccato

    Olá, tudo bem? Sou produtor do filme. Considerei sua crítica bastante preconceituosa, o que não ajuda em nada o cinema brasileiro. Bem, se você admite que humor é uma coisa bastante pessoal (nas prés do filme, por exemplo, 90% da sala riu quase o tempo todo), poderia ter centrado a resenha em outros aspectos e tido o mínimo de percepção de que estamos trazendo uma nova geração de humoristas para as telas. Nós temos que brigar contra superheróis com milhões de investimento em marketing e ainda por cima enfrentar uma crítica colonizada. Felizmente, como você mesmo constatou, o cinema brasileiro cresceu muito nos últimos 5 anos e, se hoje temos filmes excelentes como o do meu amigo Daniel Ribeiro arrebentando nas telas, é porque muita gente tem ralado para buscar diálogo com o público. Mas parece que isso é apenas “oportunismo” (obviamente, se Tarantino colocar a Lady Gaga em um filme, não será oportunismo, será genialidade). É a vida… A despeito disso, continuaremos fazendo filmes oportunistas e se “Copa de Elite” for bem, apesar de arriscar ao extremo no humor, espero sua crítica ao filme das Olimpíadas.

    • Vitor Leal

      concordo exatamente com tudo 🙂

    • Filipe Padilha

      O crítico desse site não entendeu que é uma paródia, tão pouco deve saber o que é rir.
      Triste ver os comentários de gente que paga de “crítico” de cinema.

  3. Roberto

    eu assisti na pré estreia, dei umas risadas, tem umas sacadas mto boas… vale a pena assistir para esvaziar a cabeça mesmo… cinema não é documentário, quer informação assiste discovery channel, cbn, national geographic ^^

    • B...

      Concordo com o Roberto.
      É tão normal satirizar outros filmes…..aposto que os filmes americanos nesta mesma linha o autor deste site assiste a todos..rss…só sabe criticar os filmes brasileiros pra não perder o costume…

  4. Rubens

    Assisti a pré estreia e o desejo que tive quando acabou foi de nunca ter saído de casa.
    É um filme babaca, não no sentido humorístico, mais sim um babaca que extrapola o bom senso.
    Não é humor, é uma mistureba que propõe a quem assiste que abra mão do bom gosto e insista em tentar gostar de uma bobeira marqueteira e oportunista.

    São filmes como esse que fazem o cinema nacional ser tratado como Lixo por algumas pessoas, e me dói dizer isso mais com RAZÃO.

    • EVANDRO

      CARA NÃO VI O FILME, MAS EU GOSTO DO FAMIGERADO “HUMOR INTELIGENTE” E ESSE FILME É UMA VERDADEIRA MISTUREBA DE ZORRA TOTAL COM A PRAÇA É NOSSA E QUEM RI COM ESSES PROGRAMAS TAMBÉM VAI RIR COM O FILME.

  5. Emílio Faustino

    Preconceito seria se eu criticasse de forma negativa TODOS os filmes de comédia nacional, o que não é o caso. Eu vi o filme antes para poder falar, então não é um pré-conceito, é um conceito.

    A crítica é o reflexo da opinião da pessoa que escreve e no caso como fui eu quem escreveu ela não teria como ser positiva (A meno que fosse uma comédia inteligente ou que me fizesse rir). Não tem como falar bem de uma comédia que não faz rir. E eu deixo claro na crítica que ela pode funcionar para públicos menos exigentes.

    A minha opinião é a mesma, eu não preciso dizer que o filme traz os atores da “novíssima” geração, isso já está estampado no cartaz.

    Se Tarantino colocasse uma Lady Gaga em um filme, seria também oportunismo, mas certamente um oportunismo aliado a bom gosto, o que não é o caso de Copa de elite. Veja bem, o problema não é ser apenas oportunista, é usar o oportunismo sem acrescentar nada no lugar.

    E gente supera, o filme é ruim, mas nós sabemos que terá um bom público, se o filme “Crô” teve com toda aquela “qualidade”, não tem porquê “Copa de elite” não ter né… Eu não gostei do filme, achei as piadas infantis e sem graça. Se houver uma continuação deste filme, eu estarei lá para ver e poder opinar novamente. E viva a liberdade de expressão! Se vocês podem fazer um filme cassanique desse, eu posso no mínimo dizer o que penso.

    • EVANDRO

      CARA NÃO VI O FILME, MAS EU GOSTO DO FAMIGERADO “HUMOR INTELIGENTE” E ESSE FILME É UMA VERDADEIRA MISTUREBA DE ZORRA TOTAL COM A PRAÇA É NOSSA E QUEM RI COM ESSES PROGRAMAS TAMBÉM VAI RIR COM O FILME

  6. Paulo Boccato

    OK, viva a liberdade de expressão e o direito de resposta. Quando eu leio sua réplica eu vejo exatamente o que disse antes: parte da “crítica” blogueira despreparada é extremamente nociva ao cinema brasileiro. Olha só o elitismo: “vai agradar públicos menos exigentes” (tradução: “porque eu, que sou um intelectual acima do gosto brasileiro médio, não gostei”); “o Tarantino faria com bom gosto” (tradução: “porque os americanos, ao contrário dos brasileiros, sabem fazer cinema”); “a menos que fosse uma comédia inteligente” (tradução: “pessoas burras e gananciosas fazem esses filmes; elas não trabalham, só querem o meu dinheiro”). Te convido a passar um tempo trabalhando com cinema para ver se você aprende um pouco como funciona, em vez de ter essa noção pré-concebida de como são as pessoas que fazem filmes. No mínimo, talvez você aprenda um pouco de respeito pela profissão e pare de escrever “críticas” baseadas em noções de economia cinematográfica ginasiais.

    • roni rafael

      toda comedia da tv e cinema nacional (TODA) é estupida e escrita para telespectador que acham graça em bordões idiotas (zorra total ,praça é nossa ,divertics ,etc) não podem nos culpar por gostar mais do cinema americano , pois é melhor e ponto. não me venha com papo de que tem que competir com filmes de heróis com que gastam milhões em marketing ,pois muitos filmes bons são independentes e fizeram muito sucesso (pequena miss Sunshine, juno ,etc..) no bom filme o marketing vem depois , você só esta preocupado com a critica pois afastara as pessoas (de bom gosto) do cinema , e não com o sucesso do cinema nacional.
      no cinema naional as comedias sempre apelam para um lado romantico e esquecem que devem fazer rir (os normais o filme, minha mãe é uma peça ,se eu fosse você 1 e 2)
      alguns filmes são bons sim, como : tropa de elite 1 e 2 , dois filhos de francisco, central do brasil ,entre outros .

    • Rubens

      Bastante suspeito de a sua parte dar à cara a tapa e sair em defesa de um filme tão ruim e de péssimo gosto como esse, se você for mesmo um dos responsáveis pelo filme recomendo que reveja seus critérios e deixe de lado seu apego quase “afetivo” ao filme e admita ao menos que o nível de “humor” que é proposto no filme é um atentado a inteligência e bom gosto de quem assiste.

      Claro que se espera que pessoas com pouco senso critico exaltem o filme, se referindo a ele como uma boa comédia, mais se você é realmente do ramo e tiver a capacidade de pisar um pouco no orgulho e ser realmente sincero tenho certeza que ira concordar comigo, é um verdadeiro “Filminho” e não é digno do ingresso.

      Não sou dono da verdade, já dou os parabéns antecipados pelo sucesso do Filme, que foi criado justamente para um tipo especifico de publico, mais cá entre nós e com todo respeito, Que Filme descartável

    • Hernan

      Não basta o filme subestimar a inteligência do espectador com esse humor retardado, o cara tem que subestimar a inteligência do leitor achando que alguém considera o filme ruim só por não ser americano ou pior ainda, que Tarantino é bom porque é americano… Não passa pela cabeça que as pessoas podem ter um repertório de filmes muito melhores para serem comparados (até porque não é nada difícil achar um filme melhor que esse). Não acho que gênero humorístico tenha que ter uma reflexão profunda ou conceito complexo, mas com certeza dá pra ser feito com o mínimo de respeito à pessoa que se dispôs a assistir o filme. Dizer que o filme merece uma crítica favorável por ser brasileiro, é o mesmo que dizer “coitadinho, vamos falar bem porque filme nacional não consegue fazer melhor” e isso sim é desmerecer obras excelentes que temos

  7. Marcelo

    Com Rafael Bastos participando o que esperava? Lixo completo.

    • Luiz Hortelã

      E pior: Anitta e Bruno De Luca…

  8. CU

    Esse cara deve ter ganho uma grana de alguem pra publicar uma critica dessas

    • Emílio Faustino

      “o Tarantino faria com bom gosto” (tradução: “porque os americanos, ao contrário dos brasileiros, sabem fazer cinema”)

      PRIMEIRO: quem colocou o Tarantino na roda foi você, então aguente a comparação, diferentemente desse diretor que fez o seu primeiro filme, o Tarantino já fez vários que apresentam coisas que não vemos em Copa de Elite: como roteiros incríveis, atuações marcantes e humor inteligente. Então quando eu falo que seria diferente com Tarantino é pq ele tem bagagem suficiente para se esperar algo bom e não pq americano necessariamente é melhor que brasileiro. Não estou colocando Copa de elite no patamar dos filmes brasileiros, porque na minha opinião ele consegue estar a baixo desse patamar. É um filme brasileiro que tenta ser americano, algo que simplesmente não funcionou.

      E sobre a insinuação ridícula que eu ganhei para falar mal do filme rs… Quem me pagaria?! A produção do Espetacular Homem aranha 2, por medo de perder público para esse filme? por favor né…

  9. Emílio Faustino

    Convido o produtor que acha que eu só falo mal de filmes nacionais a procurar neste mesmo site as críticas que escrevi dos filmes: Flores Raras, Hoje eu quero voltar sozinho, Mato sem cachorro, Mundo invisível e outras… Quem esta falando sem propriedade é você…

  10. camila

    Muito boa sua crítica, e para aqueles que defendem este tipo de comédia: continuem assistindo para queimar mais um pouquinho os seus neurônios. O crítico não é obrigado a assistir um filme e depois vomitar flores, principalmente sendo um filme que é recheado do que a de pior no Brasil. Dá vergolha alheia saber que existem pessoas defendendo filmes deste tipo. O Brasil tem ótimos filmes ,mas convenhamos este é de quinto escalão.

  11. Thiago Borges

    Se o trailer não traz sequer uma risada, quem dirá o filme.
    O didi conseguia fazer comédias mais originais!

  12. Pedro Henrique

    Eu vi o filme e concordo com a crítica. O filme é bem fraco, assim como as piadas. Ele tem bons humoristas como Marcos Veras e Julia Rabello, mas nem o charme deles salva o filme. É muito fraco, ainda falta muito para ser um bom filme.

  13. Fabio

    Confirmo o que o crítico disse e digo mais: o filme é um lixo. Fiquei com vergonha dos atores que participaram.