CORPO ELÉTRICO (Crítica)

Emílio Faustino

Estreia hoje nos cinemas do Brasil o filme “Corpo Elétrico”, o longa dirigido por Marcelo Caetano que traz como protagonista um personagem que trabalha em uma fábrica de confecção de roupa deixa bem claro suas intenções: fugir do óbvio, mostrar o que nem sempre é mostrado e experimentar novas formas de narrativa.

Diferente de filmes que possuem o tradicional começo, meio e fim, “Corpo Elétrico” dispensa apresentações e conclusões, ele te joga de cara em um diálogo do protagonista onde fica claro o grande mote da história: uma jornada de experimentações sexuais sem maiores compromissos com pudores, padrões e futuro.

Elias, personagem vivido por Kelner Macedo é uma pessoa desprovida de ambições que usa o pouco tempo que lhe sobra quando não esta trabalhando, para conhecer pessoas e satisfazer seus prazeres.

O que chama atenção no entretanto na jornada sexual de Elias é a abrangência de seus gostos que ao tudo indica se limita a gostar de homens, porque no que se refere a tipos, o personagem se mostra bastante eclético variando entre: brancos, negros, altos, baixos, magros, gordos, jovens, maduros, ricos, pobres, afeminados e heteronormativos.

Não existe um real objetivo na saga do personagem, que passa a maior parte do tempo flertando com as pessoas que cruzam seu caminho, sejam elas: amigos, desconhecidos ou colegas de trabalho.

CORPO ELÉTRICO (Crítica)

O longa poderia ser considerado uma versão masculina e abrasileirada de “Ninfomaníaca” do Lars Vontrie, porém o filme vai além dessa busca insaciável de Elias que contextualiza muito bem o título “Corpo Elétrico”.

E o que dá camadas ao filme são as escolhas feitas pelo diretor de mostrar justamente o que a nossa sociedade evita ver: a bicha, negra, pobre e afeminada. Embora esteja contextualizado em um ambiente pobre, o filme é rico ao mostrar diversidade. Destaque aqui para as participações especiais de Márcia Pantera (ícone drag que inventou o movimento de bate cabelo) e a Mc Linn da Quebrada (uma transexual que vem ganhando espaço e visibilidade no cenário da música nacional).

Outro ponto que chama atenção no filme são os diálogos, que fluem de forma muito orgânica entre os personagens, trazendo verdade ao filme e fazendo com que nós, observadores, acreditemos naquela história.

A fotografia é outro ponto alto do filme, e presenteia o público com um plano sequência de diálogos incrível rodado no trajeto de uma longa rua. Sem dúvida, uma das melhores cenas do filme, fruto de um trabalho exaustivo que contou com 23 repetições até chegar ao resultado final.

O grande mérito de Corpo Elétrico é apresentar uma história sem se preocupar em julgar a mesma ou passar uma lição de moral para o público. É um recorte de uma realidade que independente de agradar ou não existe.

Provocativo por natureza, “Corpo Elétrico” navega nas águas dos amores livres e apresenta novas formas de viver o amor, de contar uma história e de ilustrar o LGBT. Talvez não a forma mais bonita ou mais comercial, mas certamente a forma necessária para mostrar que a diversidade existe e que rótulos e padrões estão perdendo cada vez mais espaço em nossa sociedade.

Pôster de divulgação: CORPO ELÉTRICO

Pôster de divulgação: CORPO ELÉTRICO

SINOPSE

Elias (Kelner Macêdo) é o jovem criador de uma fábrica de confecção roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba, e passa seus dias entre o trabalho e os encontros com outros homens. Enquanto reflete sobre as possibilidades de futuro, começa a ficar cada vez mais próximo dos colegas da fábrica, e vê os amigos seguirem caminhos diferentes dos seus.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Marcelo Caetano” espaco=”br”]Marcelo Caetano[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Marcelo Caetano
Título Original: Corpo Elétrico
Gênero: Drama
Duração: 1h 34min
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 17 de agosto de 2017 (Brasil)

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