CRASH – NO LIMITE (Crítica)

CRASH - NO LIMITE

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Crash
Ano do lançamento: 2004
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Paul Haggis
Roteiro: Paul Haggis e Robert Moresco

Sinopse: Jean Cabot (Sandra Bullock) é a rica e mimada esposa de um promotor, em uma cidade ao sul da Califórnia. Ela tem seu carro de luxo roubado por dois assaltantes negros. O roubo culmina num acidente que acaba por aproximar habitantes de diversas origens étnicas e classes sociais de Los Angeles: um veterano policial racista, um detetive negro e seu irmão traficante de drogas, um bem-sucedido diretor de cinema e sua esposa, e um imigrante iraniano e sua filha.

Por Kadu Silva

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Na época do lançamento de Crash – No Limite, algumas pessoas me perguntaram o porquê de Crash no titulo do filme, em tradução literal seria choque, trombada para o português, e é através do encontrão de pessoas que o estreante diretor Paul Haggis, mostra o quanto os seres humanos, com o passar dos anos estão se isolando e esquecendo que vivem em comunidade, e que suas ações, direta ou indiretamente influenciam o dia-a-dia de outras pessoas.

A linha condutora da narrativa é o racismo que apesar de velado é ainda forte na sociedade americana. Assim através de encontros casuais de alguns personagens, é tirado o véu que esconde esse ainda “deplorável” comportamento social.

Não há protagonistas, todos os personagens, aqui, são principais, afinal é um retrato real de uma sociedade, que vende para o mundo uma imagem de modernidade, que estão à frente dos tempos, mas que têm enraizadas em seus poros, ideais conservadores e extremamente preconceituosos.

Haggis roteirista de Menina de Ouro consegue, ainda que em alguns momentos forçadamente, desenvolver as histórias paralelas e fazer com que, tudo se conecte, com coerência. Todos os diálogos e situações de todos os personagens agregam a mensagem de que ainda temos muito a evoluir.

A forma que Haggis desenvolve a trama consegue dar para a narrativa a sensação que o racismo é quase algo natural do ser humano, que não há tanta saída para tentar extermina-lo. Ainda que em momentos de perigo, em que o senso de emocional fala mais alto, tudo é deixado de lado, valendo somente do senso de sobrevivência.

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Com o elenco afinadíssimo, com algumas interpretações acima da média na carreira dos mesmos, o diretor conseguiu entrar para o mundo da direção com o pé direto. Ainda que o filme tenha ficando marcado por uma grande ironia, que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, proporcionou. O longa foi lançado no mesmo ano do aclamado pela crítica, O Segredo de Brokeback Mountain, o primeiro filme gay, com reais chances de vencer o Oscar, mas eis que os votantes escolheram Crash, reformando que tudo que Haggis mostrou no longa. O preconceito é puramente real e ainda presente entre nós.

Crash sim tem seus méritos, é um filme diferente, por não colocar um único protagonista e sim o tema como o mais importante, mostra a sociedade de forma mais crua que estamos acostumados a ver em grandes produções, mas em grande parte do longa, a sensação é que estamos vendo um episodio de série televisiva americana, ainda mais pelo uso “exagerado” de canções para embalar as cenas. Me determinados momentos lembrou Lost e A Sete Palmos.

De todas as tramas do filme, a que se destaca, sem dúvida é a do chaveiro imigrante com o comerciante persa, além do texto brilhante (emocional), a situação de angustia e perigo, conseguem mexer com o espectador de tal forma que fica difícil não rolar as lágrimas com o seu desfecho, talvez valesse um longa a parte.

Crash – No Limite mesmo com quase 10 anos de existência, ainda se mostra atual, afinal esse tal isolamento, que o ser humano vem fazendo de si, continua, o que proporciona situações tão tristes ou emocionais como as do filme. Ainda que supervalorizado é um filme que vale a pena conferir, afinal é sempre bom rever nossas atitudes diante do mundo (algo que o filme contribui perfeitamente).

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PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição

Indicações: Melhor Diretor – Paul Haggis, Melhor Ator Coadjuvante – Matt Dillon e Melhor Canção Original – “In the Deep”

GLOBO DE OURO
Indicações: Melhor Ator Coadjuvante – Matt Dillon e Melhor Roteiro

BAFTA
Ganhou: Melhor Atriz Coadjuvante – Thandie Newton e Melhor Roteiro Original

Indicações: Melhor Filme, Melhor Diretor – Paul Haggis, Melhor Ator Coadjuvante – Matt Dillon, Melhor Ator Coadjuvante – Don Cheadle, Melhor Fotografia, Melhor Edição e Melhor Som

INDEPENDENT SPIRIT AWARDS
Ganhou: Melhor Filme de Estréia, Melhor Ator Coadjuvante – Matt Dillon

TRAILER

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