CREED: NASCIDO PARA LUTAR (Crítica)

CREED NASCIDO PARA LUTAR

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Por Gui Pereira

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Em uma das cenas iniciais de ‘Creed’, testemunhamos Adonis Creed (Michael B. Jordan) assistindo em um telão a segunda luta entre seu pai, Apollo – O Doutrinador, e Rocky Balboa. Adonis aproxima-se do telão e começa a simular os golpes tanto de Rocky quanto de Apollo. A câmera foca em um plano aonde vemos as imagens do passado refletidas sobre o jovem Adonis enquanto ele se submerge no universo criado por Sylvester Stallone a quarenta anos. Essa cena tem muito a dizer não só a respeito do filme, mas também pela ambição de seu diretor e roteirista Ryan Coogler.

Coogler, responsável pelo excepcional ‘Frutivale Station’, carrega nas costas os mesmos medos e dilemas do protagonista de seu filme: Ele tem a responsabilidade de honrar um legado e, ao mesmo tempo, construir um novo a partir de seu próprio nome.

Muito mais do que meros “filmes de luta”, os seis filmes da saga Rocky fazem comentários sociais a respeito de sua devida época. ‘Creed’ está no mesmo barco que seus predecessores. Na trama, somos colocados em Los Angeles de 1997, aonde um jovem órfão negro, filho ilegítimo de Apollo, migra de orfanato a orfanato, com paradas em reformatórios para menores de tempo em tempo. É em um desses reformatórios que Mary Anne Creed (Phylicia Rashad), ex-mulher de Apollo, encontra o jovem Adonis. Ela o acolhe e apresenta a ele a história de seu pai. Mary Anne, então, cria o garoto para ser um bom homem, mas Adonis carrega no sangue o espírito de lutador de seu pai. Com o passar do tempo, Adonis, agora adulto, participa de lutas clandestinas e tem o desejo de seguir seus instintos. Mas Adonis carrega em seus ombros a sombra do legado de seu pai. Com medo de toda a responsabilidade do nome ‘Creed’, Adonis adere o sobrenome de sua mãe: Johnson. Ele então embarca em uma jornada para Philadelphia para encontrar Rocky Balboa, antigo amigo de seu pai, para treina-lo.

Michael B. Jordan interpreta magistralmente Adonis Creed, comprovando que tem o carisma necessário para dar continuidade a franquia. Destaque também para bela Tessa Thompson no papel de Bianca, a ‘Adrian’ desse filme. Ela vive uma musicista pela qual Adonis se apaixona. O relacionamento dos dois é bem diferente da dinâmica de Rocky e Adrian. Enquanto Adrian era uma moça tímida e oprimida por seu irmão Paulie, Bianca é uma jovem independente e de atitude. Um paralelo muito interessante entre os filmes e suas épocas.

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Coogler consegue construir uma narrativa dinâmica e inovadora, e ao mesmo tempo presta diversas homenagens a tão amada saga. Seja em diálogos, menções a personagens antigos, ou o design de produção: Rocky ainda tem em sua casa as tartarugas que ele adquiriu no filme original de 1976.

Um dos elementos chave da franquia sempre foi a trilha sonora. Dessa vez, o cargo de compositor do filme ficou nas mãos de Ludwig Göransson. Göransson acertou ao mesclar elementos da trilha original de Bill Conti junto com os gêneros em que ele é especialista: Hip Hop, trap e R & B. Outra marca registrada da franquia são os antagonistas icônicos. Apollo, Clubber Lang e Ivan Drago. Todos os personagens estão imortalizados na cultura pop cinematográfica. Infelizmente ‘Creed’, assim como ‘Rocky V’ e ‘Rocky Balboa’, deixou a desejar. Isso não significa que seu antagonista seja ruim, ele simplesmente não brilhou em meio a outros personagens cheios de luz.

Dessa vez Stallone não assinou o roteiro. Coogler e Aaron Covington apresentam uma história que muito se assemelha a original, aonde um “Zé Ninguém” tem a chance de lutar contra o atual campeão mundial. Mas a jornada e a carga emocional de Adonis é única e diferente de Rocky.

Para finalizar, Sylvester Stallone brilha na pele de Rocky Balboa. Stallone nasceu para ser Rocky. Testemunhamos sua ascensão e seu declínio. Sua juventude e sua velhice. Sabemos quem é esse personagem e seu passado. Em determinado momento da projeção, um personagem diz que é amigo pessoal e que cresceu junto de Rocky. Adonis acredita, mas o público sabe que ele é um mero charlatão que consegue chamar clientes para sua academia somente por que Rocky treinara nela quando Mickey era vivo. Stallone mergulha emocionalmente em sua personagem de um modo nunca visto antes em sua carreira. E ele também trava uma luta pessoal absurdamente linda neste filme. Com certeza será indicado ao Oscar.

‘Creed’ é o filme mais próximo do espirito original do primeiro ‘Rocky’. Em meio a uma onda de remakes e continuações em Hollywood, ‘Creed’ é a prova viva de que um filme feito pela paixão, e não apenas por dinheiro, consegue emocionar todas as gerações. ‘Creed’ é um filme feito por fãs para fãs.

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SINOPSE

Adonis Johnson (Michael B. Jordan) nunca conheceu o pai, Apollo Creed, que faleceu antes de seu nascimento. Ainda assim, a luta está em seu sangue e ele decide entrar no mundo das competições profissionais de boxe. Após muito insistir, Adonis consegue convencer Rocky Balboa (Sylvester Stallone) a ser seu treinador e, enquanto uma luta pela glória, a outra luta pela vida.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ryan Coogler
Título Original: Creed
Gênero: Drama
Duração: 2h 12min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 14 de janeiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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