CRÔ – O FILME (Crítica)

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Por Emílio Faustino

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Após conquistar fãs na novela “Fina Estampa”, da rede Globo, o personagem Crodoaldo Valério (o Crô) interpretado por Marcelo Serrado, chega aos cinemas com a assinatura do respeitado diretor Bruno Barreto, que resolveu se aventurar na comédia enquanto ainda colhe os frutos do aclamado “Flores Raras”.

Vale lembrar, que esta é a segunda vez que um personagem de novela ganha um filme exclusivo. Antes de Crô, o personagem Giovanni Improtta, vivido por José Wilker já dava o ar da graça nas telonas. Mas o sucesso de popularidade do personagem na novela “Senhora do Destino” não conseguiu cruzar a fronteira do cinema, culminando em um filme fracasso de bilheteria.

Na época, parte do mau desempenho do longa foi atribuído a demora do mesmo para chegar aos cinemas, pois como se sabe, brasileiro tem memória curta. Pensando nisso, os produtores de Crô correram e um ano após o fim da novela, estão lançando o filme afim de aproveitar o calor da lembrança do personagem.

Porém, como diz o ditado “Apressado come cru”, o que se vê no cinema é o resultado de um trabalho feito as pressas, que estava mais preocupado em acontecer do que de fato convencer.

Segue alguma das sensações que o filme “Crô” proporciona durante sua exibição: incredulidade, perplexibilidade e vergonha alheia. A história não faz sentido, as piadas custam a funcionar e o desfecho é no mínimo frustrante. Sim… Porque após 98288097 capítulos de novela alimentando o mistério quanto a identidade do amante de Crô, o filme nem se quer ousa exibir uma cena de beijo gay.

Segundo Barreto, o beijo não cabia no filme, pois faltava contexto e se trata de “um filme para a família”, o que soa um tanto quanto contraditório haja vista que a história narra a saga de um protagonista homossexual. O filme encontra espaço para exibir cenas de insinuação de sexo (hetero), abuso de trabalho infantil e agressão física e verbal. (Quer dizer… A família brasileira é privada de um beijo gay, mas pode ver todas as demais coisas listadas à cima, não faz muito sentido né?).

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Mas vamos à história… Imagine você após uma vida inteira de servidão herdar uma herança e ficar milionário da noite para o dia. Imaginou? Qual seria o caminho lógico a ser tomado?

A) Viajar o mundo em uma vida de luxo e glamour

B) Contratar um exército de mordomos para lhe servir

C) Doar para os pobres e flagelados

D) Investir o dinheiro e triplicar a herança

Bom… Para absoluta surpresa dos noveleiros de plantão, Crô em meio a uma crise existencial, descobre que sua vida não tem sentido se não estiver servindo alguma mulher poderosa de caráter duvidoso. É isso mesmo, o filme é a saga da bicha submissa que tem como objetivo de vida encontrar uma mulher que mande nele. (Oi?)

É nesse momento da história que surge a personagem Wanda interpretada por Carolina Ferraz, a nova rica que vê em Crô a possibilidade de se sofisticar. Um papel nada confortável de se fazer, afinal, por mais que se esforce ela não consegue ser muito mais do que a sombra da ex-patroa do mordomo mais famoso do Brasil.

O filme segue com uma série de participações especiais que pouco acrescentam a história. Como a de Ivete Sangalo que faz o papel da mãe de Crô, Ana Maria Braga que interpreta ela mesma e a cantora Gabi Amarantos que também faz ela mesma só que na condição de aspirante a patroa de Crô.

Quanto à interpretação de Marcelo Serrado que dá vida ao mordomo, a boa noticia é que ele conseguiu manter a essência do personagem exibida na novela, acrescentando no cinema gírias atualizadas do universo gay que dão um certo frescor a história.

Embora diretor e elenco digam que este filme deve agradar até mesmo quem não acompanhou a novela, acredito que o filme não conseguirá surtir efeito aos que não tiveram contato com o personagem. Isso porque, as piadas surgem em partes por conta de situações recorrentes do que foi apresentado na novela, como a eterna briga de cão e gato entre ele o motorista.

Se o filme é engraçado? Bom… Eu não me lembro de ter rido uma única vez durante sua exibição, sinceramente não indico.

Massss se você gosta de filme trash e está afim de saber um pouco mais da origem do personagem e do desfecho dele depois da novela vá por sua conta em risco. Só não vai dizer depois que eu não avisei. “Crô- O filme” estréia dia 29 de novembro nos cinemas do Brasil.

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SINOPSE

Após herdar a fortuna de Tereza Cristina, Crodoalvo Valério, mais conhecido como “Crô” (Marcelo Serrado), está cansado da vida de milionário. Decidido a encontrar uma nova musa a quem possa dedicar sua vida, ele inicia uma busca pessoal que faz com que entreviste diversas peruas. Seu objetivo é encontrar aquela que seja melhor qualificada para que ele próprio possa servir como mordomo, assim como fez com sua antiga patroa. Entretanto, após muito avaliar, acaba percebendo que sua musa ideal é justamente aquela que jamais havia imaginado.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Bruno Barreto” espaco=”br”]Bruno Barreto[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Aguinaldo Silva
Título Original: Super Crô – O Filme
Gênero: Comedia
Duração: 1h 31min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 12 anos

TRAILER

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