DEIXE A LUZ ACESA (Crítica)

DEIXE A LUZ ACESA

Namorados para sempre, versão homoafetiva?

Deixe a luz acesa é uma autobiografia do diretor Ira Sachs, homossexual assumido, que viveu por 10 anos uma relação amorosa conturbada com seu companheiro dependente químico Bill Clegg.

Apesar do filme acompanhar esses 10 anos do casal de forma bem intima, o que vemos é um filme que transmite muito sobre política, comportamento social e evolução humana.

A relação começa quando Erik (Thure Lindhardt) um cineasta solitário, procura algum homem disponível no sexo-fone para transar. Nesse momento acaba conhecendo Paul (Zachary Booth) um advogado boa pinta, mas que é enrustido, vivendo um romance com uma mulher, tudo para manter as aparências. Mesmo assim a química entre os dois surge já no primeiro ato sexual e a partir dali estabelece uma dependência afetiva um pelo outro.

Mas a intimidade revela para Erik um lado de Paul nada nobre – ele é dependente químico. Esse vicio de Paul é o grande fardo que ambos terão que levar juntos se quiserem manter essa a relação.

Por alguns anos Erik consegue lidar bem com isso, mas as várias recaídas de Paul fazem com que a relação entre numa intensa crise, já que Paul mesmo após anos se tratando não consegue se livrar das drogas e Erik que mesmo vivendo momentos de tristeza e preocupação não consegue se livrar da dependência afetiva de seu companheiro.

O filme então entra no melodrama intenso, bem cru, em que os dois personagens se auto punem para tentar de alguma forma sair daquela relação quase claustrofóbica em que vivem. Sacks narra quase todo o filme em ambientes fechados, tudo para ressaltar ainda mais esse clima de sufoco em que vivem Paul e Erik.

A divisão do filme em capítulos ano a ano, possibilita acompanhar a evolução social em relação a aceitação homoafetiva, principalmente em Nova York, onde o filme se passa praticamente inteiro. E também ajuda ao publico sentir as variações emocionais em que os personagens vivem ano após ano.

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O romance mesmo sendo gay, é de fácil semelhança com qualquer outro tipo, já que é do ser humano essa dependência afetiva pelo outro, no filme podemos ver isso na amiga de Erik, que mesmo não estando 100% bem com seu companheiro, leva a relação para não ficar só, a ponto de se abdicar de sonhos, como ter um filho.

Esse forma humana e sem mascaras que Sachs apresenta, é talvez o que torne o filme uma projeção de difícil indigestão para quem assisti, pois em certos momentos é fácil se ver no lugar dos personagens e nem sempre é agradável reconhecer ou relembrar momentos de intensa melancolia que as vezes a relação a dois proporciona.

Thure Lindhardt e Zachary Booth estão excelentes, a química entre eles já é logo sentida na primeira vez em que eles se encontram. Thure Lindhardt é a pura representação do ser humano dependente de afetivo, de atenção, sua composição é brilhante, tanto é que o filme é ele, sua atuação é arrebatadora, apesar de ainda assim discreta.

Vale menção a forma delicada em que Schas mostra a constante libido do casal, principal de Erik que se mostra totalmente depende de alguém para se sentir melhor, por isso a procura constante de alguém com quem transar.

Infelizmente um filme assim, que consegue discutir com tanta prioridade a relação humana, não ganhe reconhecimento popular, já que a sociedade ainda acha que é um filme somente para gays e não um filme para alma, para nossa evolução como pessoa.

Mesmo com o sucesso de O Segredo de Brokeback Mountain, as barreiras para que filmes gays, saia da marginalidade ainda não foram derrubadas, uma pena. Para quem quiser acompanhar essa dolorida, mas rica experiência de uma relação a dois, o filme é uma aula, que faz grande semelhança narrativa com o também brilhante Namorados para sempre, vale a pena ir atrás para conferir.

DESTAQUE

Para a trilha sonora de Arthur Russell perfeitamente encaixada na proposta crua e muito crível do filme.

SINOPSE

Na Nova York de 1997, o documentarista Erik (Thure Lindhardt) conhece o advogado Paul (Zachary Booth). O que a princípio poderia ser apenas um encontro sexual se transforma em algo muito mais sério, um relacionamento de 10 anos. Paul não assume publicamente que é gay, preocupado com a carreira, já Erik é intenso e destemido. A relação amorosa deles dois vai se tornando instável à medida que eles têm que lidar com seus vícios e compulsões e confrontar seus próprios limites.

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ELENCO

[do action=”cast” descricao=”Thure Lindhardt (Erik Rothman)” espaco=”x”]01 Thure Lindhardt[/do][do action=”cast” descricao=”Zachary Booth (Paul Lucy)” espaco=”br”]02 Zachary Booth[/do]

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ira Sachs” espaco=”br”]Ira Sachs[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ira Sachs, Mauricio Zacharias
Título Original: Keep the Lights On
Gênero: Drama
Duração: 1h 41min
Ano de lançamento: 2013
Classificação etária: 16 Anos

TRAILER

5estrelas

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