Desventuras em Série | 1ª Temporada (Crítica)

Matheus Souza

Sabe aquelas novelas do SBT ou alguns filmes que são vendidos como “para toda família”, mas que acabam sendo extremamente infantis? Então, esqueça isso porque a Netflix acertou o tom ao dar vida a uma série que definitivamente vai cativar os mais novos e servir de boa distração aos mais velhos.

Baseada na série de livros de mesmo nome, Desventuras em Série, escrita por Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler), acompanha diversos infortúnios que acontecem na vida de três jovens órfãos, que são destinados a morar com Conde Olaf, um tio distante que demonstra claro interesse na herança que é destinada às crianças Baudelaire.

A produção é formada por um conjunto de fatores que são individualmente destacáveis. A caracterização, por exemplo, é o primeiro a chamar atenção. Todo o trabalho com cenografia e figurinos conseguem transmitir de forma muito perceptível, a surrealidade do universo à parte em que se desenvolve a narrativa. O ambiente fantástico em que se passam os fatos é uma mistura de contrastes, como passado e presente ou real e irreal. Tudo apresentado sobre uma atmosfera propositalmente artificial. A exemplo disso está a computação gráfica, que é empregada em praticamente tudo, e não se preocupa em ser discreta.

Outro fator que se sobressai na série está na escalação dos atores. Tanto Neil Patrick Harris, com sua atuação intencionalmente exagerada, quanto Malina Weissman (Violet), Louis Hynes (Klaus) ou a caçula, parecem ter nascido para viverem aqueles personagens. Patrick Harris brilha como Conde Olaf, sua atuação escrachada, e sua veia humorística demonstram uma dedicação total por parte do ator, que soube executar de forma tão grandiosa quanto Jim Carrey a personificação em live-action do vilão literário.

Entre as características a se ressaltar da série, que pretende adaptar um livro a cada dois episódios, está a presença de um narrador observador que embora se faça visível ao público, e dialogue com o mesmo, não interfere nos rumos da história. O narrador, Lemony Snicket, além de apresentar e explicar os fatos ao público, também se reserva a fazer comentários irônicos sobre os acontecimentos, o que ajuda a servir como escape cômico para algumas desgraças vividas pelas crianças.

Outro traço único da produção é seu humor caricato, semelhante ao de Scream Queens, que deixa claro que não se pode levar tudo que é apresentado tão a sério, e também ajuda a suavizar situações que são um tanto quanto “pesadas”. Sobre tais momentos ainda é possível inferir que o show em nenhum momento subestima o telespectador, que em grande maioria serão crianças, mas nem por isso excedem o quanto é necessário ser apresentado.

A primeira grande série de 2017 da Netflix chega trazendo uma marca comum a todas suas grandes produções: um diferencial. A primeira série destinada ao público de todas as idades, consegue conquistar os mais novos, sem com isso ceder a infantilidade. Porém a de se alertar ao humor caricato e sua artificialidade, que podem se tornar cansativos aos mais exigentes ou que forem com grandes expectativas. Na dúvida, assista-a caso esteja procurando algo mais leve e descontraído e preferencialmente para se acompanhar com alguém da idade a quem a série melhor entretém, o público infanto-juvenil.

Desventuras em Serie

FICHA TÉCNICA

Título Original: Lemony Snicket’s A Series Of Unfortunate Events
Ano: 2017
País: EUA
Criação: Mark Hudis
Direção: Daniel Handler, Brett Helquist
Elenco: Neil Patrick Harris, Malina Weissman, Louis Hynes
Duração: 8 episódios de 50 minutos cada

Comente pelo Facebook