DISQUE M PARA MATAR (Crítica)

DISQUE M PARA MATAR

5estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Dial M. for Murder
Ano do lançamento: 1954
Produção: EUA
Gênero: Suspense, Policial
Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: Frederick Knott

Sinopse: Em Londres, um ex-tenista profissional decide matar sua mulher, para poder herdar seu dinheiro e também como vingança por ela ter tido um affair um ano antes, com um escritor que vivia nos Estados Unidos mas que no momento está na cidade. Ele chantageia um colega de faculdade para estrangulá-la, dando a entender que o crime teria sido cometido por um ladrão. Mas quando algo sai muito errado, ele vê uma maneira de dar um rumo aos acontecimentos em proveito próprio.

Por Kadu Silva

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Talvez pouca pessoas saibam disso, mas Hitchcock sempre foi um diretor que gostava de experimentar novas técnicas em seus filmes, sua constante procura por melhores soluções ou ideias criativas o levou a experimentar o 3D em um dos seus longas. Isso mesmo, essa técnica é antiga e fez muito sucesso em Hollywood de 1952 a 1955, nesse período vários filmes foram lançados, mas a critica e público acabou não consagrando a técnica. A critica porque dizia que os filmes ficaram focados na técnica e esqueceram o conteúdo narrativo e o público porque se sentiam incomodados com os óculos, devido a efeitos colaterais, como dor de cabeça e mau estar.

O filme em questão pensado em 3D por Hitchcock é Disque M para Matar, nele o cineasta procurou vários modos de acentuar a impressão de profundidade, sem esquecer da condução da trama, repleta de suspense e reviravoltas.

Já nos primeiros minutos do filme sem um único dialogo, somente com a maestria da condução da câmera, Hitchcock expõe resumidamente sobre o que iremos ver na trama. O diretor mostra o casal Wendice em seu apartamento, então Margot (Grace Kelly) lê a notícia da chegada de Mark (Robert Cummings) a Londres no jornal. Ele desembarca, logo depois vemos ele chegar no apartamento de Margot e a beija, mesmo sem eles abrirem a boca sabemos de antemão que se trata de uma história que vai envolver um caso de adultério.

Tony (Ray Milland) o marido de Margot é um ex tenista e já sabe da traição da mulher, por isso resolve se vingar matando a esposa. Ele contrata um ex colega de faculdade para estrangulá-la, assim daria a entender que tudo não passou de um crime comentido por um ladrão. Mas algo não sai como planejado e então Tony tenta manipular as provas para que ele tire proveito dos acontecimentos.

O roteiro do filme escrito por Frederick Knott foi adaptado de uma peça de grande sucesso da Brodway do dramaturgo Robert Burks e por se tratar de uma obra teatral Hitchcock a todo momento buscou formas de acentuar esse lado, pois ele admitiu que se a peça teve sucesso, o filme tem que beber da mesma fonte para que também faça sucesso. Os detalhes para que isso fosse sentido pelo espectador levou o diretor até a instalar um assoalho idêntico ao do teatro no cenário principal onde se passa boa parte da trama.

E por se tratar de um filme em 3D, Hitchcock a todo momento filmava objetos em primeiro plano para que a sensação de profundidade ficasse mais evidente. Somente na cena clássica da tentativa de morte de Margot que ele não conseguiu o que pretendia. A cena foi filmada por 12 dias e a ideia do diretor é que a tesoura viesse de encontro ao público para dar ainda mais ênfase no 3D e causasse um grande impacto na plateia, mas devido ao pouco brilho da tesoura teve que se conformar com a versão final da montagem (que ficou excelente, por sinal).

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Hitchcock além disso não se esquecia dos aspectos criativos, tudo para melhor a narrativa e a forma como passar a ideia do filme. Um exemplo disso é o cuidado na personagem de Grace Kelly que aparece inicialmente num belo vestido vermelho que evidenciava a paixão e após os acontecimentos nada bons para ela, seus vestidos vão perdendo a cor, demonstrando o abatimento psicológico da personagem.

Ele também tem um cuidado especial com o personagem de Ray Milland o Tony que faz o marido de Margot, na peça ele é um homem arrogante, frio e calculista. Para que o público não perdesse o interesse na história Hitchcock optou por deixar o personagem extremamente simpático e encantador, uma das estratégias foi retirar algumas faladas de Tony, dentre elas, uma que ele admite que só casou com Margot devido a sua herança.

Um curiosidade desse filme é que ele contém um intervalo aos 54 minutos, poderia ser uma forma de ressaltar a ideia de peça teatral, mas não era por isso, na época para que fosse projetado uma película em 3D, assim como acontecia nas filmagem em que é necessário duas câmeras, nos cinemas era também necessários dois projetores simultaneamente trabalhando. E assim quando acabava um rolo de filme era preciso parar a projeção para troca dos rolos sequentes.

Além disso o filme chama atenção por ter praticamente um só cenário durante toda a sua projeção e mesmo assim ter total concentração do público, afinal Hitchcock sabe como pouco conduz a trama de forma tão competente. O suspense e principalmente as reviravoltas que acontecem durante o filme deixam qualquer um hipnotizado pelo longa-metragem.

Esse filme é o terceiro filme colorido do diretor e foi o primeiro em que tem sua musa Grace Kelly como protagonista, ela ainda não era a estrela Hollywoodiana que acabou se tornando futuramente, muitos dizem que foi esse filme o responsável por coloca-la entre as grandes atrizes da época. Ela acabou trabalhando em outros longas do diretor, só não realizou mais porque deixou a carreira de atriz cedo para se casar com o príncipe Rainier de Mônaco.

E Kelly, Ray Milland, Robert Cummings e também John Williams que faz o carismático inspetor Hubbard, estão esplendidos nos papeis, e muito bem conduzido por diretor. Para um filme com essa pegada intimista, o elenco tão afinado assim é fundamental.

Esse é mais um longa-metragem do mestre Hitchcock que mostra, sua inteligente a frente de seu tempo e principalmente que seus filmes sempre buscavam algo novo e que fosse especial para o público. Imperdível para quem ama cinema, afinal é uma aula de criatividade e mais importante ainda, tudo de forma simples, mas de grande impacto.

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PRÊMIOS

BAFTA
Indicação: Melhor Atriz – Grace Kelly

NEW YORK FILM CRITICS CIRCLE AWARDS
Ganhou: Melhor Atriz – Grace Kelly

NATIONAL BOARD OF REVIEW
Ganhou: Melhor Atriz – Grace Kelly e Melhor ator coadjuvante – John Williams

TRAILER

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1 Comentário

  1. Comentarista

    O filme se torna um erro de concepção quando o marido deixa o amante da mulher adentrar na sua própria casa e ainda ouvir inferências sobre o crime.
    Lamentável.