DIVERGENTE (Crítica)

DIVERGENTE

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Por Carlos Pedroso

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Já começo me despindo da obrigação de comparar a cinematografia de Divergente com a literatura na qual se baseia por motivos de 1) não li o livro em questão e 2) a liberdade cinematográfica autoral do diretor é o que me interessa. Mas já que toquei no assunto, os minutos iniciais de Divergente são bastante determinantes para se compreender que caminhos a saga deseja almejar. Entretanto, apesar da boa introdução, o que se sucede não passa de mais uma tentativa constrangedora -e sem personalidade- de filme se impondo quanto saga pós-Harry Potter/Twilight/Hunger Games.

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Carregado dum virtuosismo estético cheio de pretensão, que parece existir somente para montar alguma cena de ação ou forçar um suspense ameaçador, o filme de Neil Burger sobre o futuro distópico de uma Chicago pós-Guerra, segregada por facções categorizadas por instinto de personalidade, e onde escolhas cabíveis a qualquer ser humano se tornam de valor imensurável, tem todo o alcance político e psicológico para estabelecer uma experiência de cunho cinematográfico no mínimo curiosa. Porém, todo o vigor da premissa envolvendo Tris – personificação de uma Shailene Woodley bastante apática e inexpressiva – se torna um mero caça-níquel aos moldes das projeções hollywoodianas comuns. A estrutura do filme parece se desenvolver expressamente a fim de emular sensações semelhantes com aquelas que Jogos Vorazes perpetuou tão engenhosamente bem, tornando a saga da moça em mera coadjuvante de si mesma. Se justificando com situações forçadas entre a protagonista e o galã-herói (que surpreendentemente é de longe o personagem mais interessante aqui), que dialogam através duma verborragia manjada, a experiência proporcionada por elenco e diretor se torna tão entediante que nem mesmo a presença de Kate Winslet consegue agregar alguma crivabilidade a toda essa baboseira pseudo-assustadora.

Tão bobo quanto vigoroso, o filme em questão peca justamente no fato de querer ser um produto comercial e ao mesmo tempo carregado de densidade visual (ou de efeito?), sem em nenhum momento se afirmar como tal. Tamanho é o desinteresse que se desenvolve com aqueles personagens, que nem mesmo tentar acreditar que tudo aquilo não passa de uma piada irônica quanto ao número massivo de produções desse porte nos últimos anos se torna uma opção consciente. Tramando um diálogo barato (e frustrante) com a ideia de arrancar do público algum sentimento perante o desperdício de talento (in)explorado em cena, Divergente acaba tendo tanto valor quanto uma folha de papel em branco.

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SINOPSE

Na futurística Chicago, quando a adolescente Beatrice (Shailene Woodley) completa 16 anos ela tem que escolher entre as diferentes facções que a cidade está dividida. Elas são cinco, e cada uma representa um valor diferente, como honestidade, generosidade, coragem e outros. Beatrice surpreende a todos e até a si mesma quando decide pela facção dos destemidos, escolhendo uma diferente da família, e tendo que abandonar o lar. Ao entrar para a Dauntless, ela torna-se Tris e vai enfrentar uma jornada para afastar seus medos e descobrir quem é de verdade. Além disso, Tris conhece Four, um rapaz mais experiente na facção que ela, e que consegue intrigá-la e encantá-la ao mesmo tempo.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Neil Burger” espaco=”br”]Neil Burger[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Evan Daugherty, Vanessa Taylor e Veronica Roth
Título Original: Divergent
Gênero: Ficção Científica
Duração: 2h 19min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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