É TUDO TÃO CALMO (Crítica)

E TUDO TAO CALMO

4emeio

FICHA TÉCNICA

Título Original: Boven is het stil
Ano do lançamento: 2013
Produção: Holanda
Gênero: Drama
Direção: Nanouk Leopold
Roteiro: Nanouk Leopold

Sinopse: Helmer tem 55 anos e vive sozinho com seu pai, com quem tem uma relação problemática, em uma fazenda afastada. Helmer vive recluso, e rechaça todas as tentativas de aproximação, como a da vizinha que se dispõe a ajudá-lo com seu pai, ou do motorista do caminhão que recolhe o leite em sua propriedade, que parece interessado em Helmer e insiste em se aproximar. Mas a proximidade da morte de seu pai, e a chegada do jovem Henk para trabalhar na fazenda, parecem provocar mudanças em Helmer, o levando a um processo de auto-conhecimento.

Por Jason

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Helmer vive uma vida desagradável numa comunidade rural do interior da Holanda. Seu pai está doente, atrofiado em cima de uma cama e é Helmer quem por uma crueldade do destino acaba sendo responsável por cuidar do velho – dá banho, comida, limpa suas imundícies e o mantém na cama, enquanto o pai, sem conseguir andar direito, insiste em lhe dar trabalho. Helmer é grosseiro, reservado e não consegue dialogar com ninguém. Traz no rosto a própria imagem de amargura, reclusão e de sofrimento que parece que não vai acabar nunca. Não é bonito, não é muito educado. Não se conhece seu passado. As conversas entre pai e filho não rendem. Para completar, ele sempre priva o pai de visitas, um peso, um martírio em sua vida com o qual ele visivelmente não sabe lidar.

Em sua sina, Helmer passa o dia todo no meio dos bichos, cuidando da propriedade rural, de vacas, burros e ovelhas de onde tira seu sustento. Limpa suas imundícies, dá comida, cuida. Não tem uma vida sexual, não se relaciona com ninguém. Esse paralelo entre a vida em que ele leva cuidando de seu pai e dos animais é uma das partes mais interessantes do roteiro. A analogia é clara: a vida de Helmer é ingrata, isolada e solitária – e ele vive praticamente vinte e quatro horas em um beco sem saída, servindo apenas para cuidar das coisas e dos outros. Em seu íntimo, ele anseia se livrar daquilo (verifica se o pai está morto, ouve dele o desejo de morrer, vê o quadro pendurado na parede com uma imagem que lhe parece bonita e decide não jogá-lo fora quando está tentando mudar as coisas dentro de casa) mas nada do que faça parece ser o bastante.

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Paralelo a isso, Helmer mantém contato diário com o parceiro de negócios, o motorista do leite que, visivelmente, demonstra interesse nele, mas toda vez que ele investe, Helmer se esquiva e se retrai. Até que surge em sua vida um jovem ajudante para as atividades diárias e, gradualmente, o inevitável acontece entre os dois. É então que Helmer começa a diferenciar a sua vida e as possibilidades que ele abandonou por não saber lidar com seus sentimentos. Quando sabemos um pouco mais sobre seu passado, entendemos o que finalmente o deixou nesse estado e sofremos com o fato de que o personagem se anulou durante boa parte de sua vida a troco de nada.

É nas atuações que o filme se sobressai porque todos os atores são excelentes. Boven is het stil é um filme difícil, contudo. É seco, a fotografia é monocromática, como a vida de Helmer, ganhando sempre um tom cinza, azulado ou escuro e o sol só parece dar alguma vida a ele ao final do filme. O roteiro sabe trabalhar as nuances do personagem complexo, embora peque por não desenvolver gente que entra e sai na vida dele (o motorista, o jovem ajudante, a amiga). O próprio passado dele é apenas pincelado em alguns diálogos e o final, apesar de sinalizar um novo caminho para o personagem, deixa, de certa forma, um tanto a desejar.

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PRÊMIOS

CHICAGO INTERNATIONAL FILM FESTIVAL
Indicação: Melhor Filme Estrangeiro

TRAILER

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1 Comentário

  1. aline naomi

    Oi, Kadu!

    Boa a resenha! Vi o filme, gostei bastante (apesar das lacunas) e comprei o livro para entender melhor algumas partes. Ainda não foi publicado no Brasil, então comprei a tradução para o inglês, que se chama “The Twin”, e foi escrito originalmente em holandês Gerbrand Bakker.

    Só para avisar, linkei a sua resenha no meu breve post sobre o livro (que ainda não li).

    Abraços!