EASY | 1ª Temporada (Crítica)

Matheus Souza

Que a Netflix mudou o jeito de se assistir TV e séries não é novidade, como se não bastasse emergir muitos assinantes em maratonas de temporadas inteiras, agora a plataforma de streaming lançou um novo diferencial em sua recente série original, Easy. A produção funciona como uma antologia, em que cada episódio conta uma história diferente.

Ao todo, a temporada conta com 8 episódios, em que o enredo e os protagonistas de cada um são diferentes. Portanto é possível os assistir isoladamente, por mais que as histórias tenham uma ligeira conexão. Além de todas elas se passarem na cidade de Chicago, por vezes o coadjuvante de um episódio adquire função de protagonista em outro, mas isso não é nenhuma lei estritamente seguida, o que alguns podem considerar como um deslize.

Os episódios possuem como arco central e que amarra a série, os mais diversos problemas enfrentados por casais modernos. São temáticas cotidianas, como sexo, casamento, gravidez, parentes, relacionamentos passados, diferenças, segredos e por aí vai. Tudo isso abordado de forma muito leve, que em alguns momentos consegue arrancar alguns sorrisos do público e, em outros, alfinetar e levar a reflexão.

O formato rápido, em que cada episódio possui cerca de 30 minutos, funcionou perfeitamente, é como assistir a um pequeno filme. As histórias são despretensiosas, parecem uma produção independente, não são ricas em fatos, cenários ou grandes características audiovisuais. Os diálogos são a base de tudo e os atores não precisam se esforçar muito para atuarem, já que não lhes é fornecido tanto material para isso.

Como comédia, a série não funciona muito bem, as cenas cômicas não têm por objetivo fazer o telespectador gargalhar, mas em alguns momentos consegue arrancar um pequeno sorriso. Ela te fisga pelo enredo, pela simplicidade e mais ainda por cativar. O realismo das histórias é tanto, que é quase impossível não se identificar com uma.

Uma última característica a se ressaltar da série, que talvez não agrade a todos, são os finais. Eles não são fechados, nem sempre entregam uma solução aos dramas expostos e a maioria se vale de cliffhangers. À primeira vista, isso pode causar um estranhamento, mas após refletir, percebe-se que esse tipo de final se encaixa perfeitamente à proposta da série e ao seu realismo. Nem tudo na vida tem uma solução, um final concreto, muitos fatos nos acontecem e a vida segue, sem necessidade de um “felizes para sempre”.

Um ponto negativo da série está no fato de nem todos os episódios conseguirem fisgar igualmente o público. Talvez isso ocorra, pelo fato de nem sempre podermos nos identificar com as situações, mas em algumas histórias você provavelmente não irá desgrudar os olhos da tela e em outros ficará frequentemente checando o tempo para o término. Caso fosse classificar os episódios, certamente colocaria “Utopia” e “Ciderela Vegana” entre os melhores, “A P**ra do Estudo” como o mais engraçado, “Vida e Arte” como o mais tedioso e os demais apenas em “Ok”.

Por melhor e mais realista que seja o retrato contemporâneo feito e o grande elenco presente – que conta com Bloom, Dave Franco e Malin Akerman – eu consideraria Easy como uma série “boa”. Um ótimo passatempo e que vale a pena degustar aos poucos, em momentos que se está afim de algo leve e despretensioso. A série tem pontos positivos e negativos, mas quando se tem muitas opções a dispor, não recomendaria passar à frente de outras produções que você considera prioridade.

Easy

FICHA TÉCNICA

Criador: Joe Swanberg (2016)
Elenco: Orlando Bloom, Dave Franco, Malin Akerman, Marc Maron…
País: EUA
Produção: Netflix
Gênero: Comédia, Drama
Duração dos episódios: 30 minutos
Quantidade de episódios: 8

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