ECLIPSE DE UMA PAIXÃO (Crítica)

Pedro Vieira

FICHA TÉCNICA

Título Original: Total Eclipse
Ano do lançamento: 1996
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Agnieszka Holland
Roteiro: Christopher Hampton
Classificação etária: 16 Anos

Sinopse: Em 1871, Paul Verlaine (David Thewlis), um renomado poeta, convida o jovem Arthur Rimbaud (Leonardo DiCaprio) para morar com ele e sua esposa em Paris. O comportamento rude de Rimbaud desestabiliza os moradores da casa assim como os poetas franceses, mas Verlaine fica encantado com sua personalidade e logo se apaixona pelo jovem. Os dois se tornam amantes e vivem um tórrido romance, até que, em 1973, um acidente irá separar os dois poetas.

ECLIPSE DE UMA PAIXAO

Arthur Rimbaud foi um dos mais notáveis poetas franceses do século XIX, tendo tido um famoso caso romântico com outro poeta, Paul Verlaine, durante sua juventude. “Eclipse de uma paixão” (Total Eclipse), toma como base para sua narrativa as cartas trocadas entre os dois escritores, mostrando desde o início da relação de Rimbaud (Leonardo DiCaprio) com Verlaine (David Thewlis), até o desfecho que a vida dos dois toma após isto.

Trata-se de uma história que poderia facilmente se mostrar tocante e comovente se não fosse um problema: seu roteiro confuso. Fragmentado em cenas que parecem pequenos episódios pouco conexos, os personagens da trama agem de forma estranha e pouco natural, e apresentam personalidades repulsivas, que impede o espectador de criar qualquer relação de apego junto a eles. Rimbaud, por exemplo, deveria apresentar-se como um jovem espírito rebelde, mas parece muito mais um adolescente arrogante e mimado, que mal consegue manter um diálogo sem realizar algum comentário indecente – embora o roteiro insista em lembrar o espectador que o personagem é um rapaz simples (e assim não poderia ser mimado), mas muito inteligente, que possuí diversas ideias incríveis sobre o mundo e problemas pessoais.

Há alguns momentos em que Rimbaud se despe de sua faceta de criança e se coloca como um adulto, recitando frases sérias e filosóficas, destoando do que é mostrado pelo filme a maior parte do tempo. A DiCaprio resta apenas se adaptar ao que o roteiro manda, e mesmo que o ator tente transformar Rimbaud em um personagem mais complexo, ele não consegue deixar de infantilizar o poeta no momento em que precisa agir de forma imatura.

Já Verlaine é um personagem que age de forma um pouco mais coerente, uma vez que é romântico a maior parte do tempo, mas se torna violento quando entra em contato com a bebida. Ele porém não está livre de problemas em sua construção: o modo como ele se apaixona por Rimbaud é repentino, e mesmo que ele demonstre certo desdém pela burguesia, não há nenhum fator que justifique a forma raivosa como ele trata sua rica esposa. Seria simples, aliás, criar alguma simpatia pela esposa, quanta esta é maltratada por Verlaine, mas a personagem é tão secundária que não há nenhum tipo de desenvolvimento realizado com ela. O grande trunfo de Verlaine vem da interpretação de Thewlis, que consegue a partir de seus breves olhares e movimentos faciais trazer certa humanidade ao poeta.

Apesar de seus pontos negativos gritantes, o longa ainda apresenta alguns aspectos interessantes. Vez ou outra o diretor Agniezka Holland consegue criar uma sequência inspiradora, unida à bela trilha composta por Jan A.P. Kaczmarek. As sequências finais ainda expõem certa sutiliza e profundidade ao filme, algo que infelizmente falta e muito durante a maior parte da narrativa. Porém, nem os bons atributos fazem com que “Eclipse de uma paixão” se mostre como uma tentativa falha de recriar um romance sobre dois personagens tão interessantes e importantes para a poesia francesa.

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