Elite – 1ª Temporada | (Crítica)

Kadu Silva

Embalagem pop de um conteúdo avassalador

Talvez você tenha visto o material de divulgação da série original espanhola da Netflix, Elite e pensado: – Deve ser uma série adolescente estilo Glee, Rebeldes ou até Malhação, pois é meu caro, não se trata de nada disso, de fato a embalagem é bem estilo pop nas cores exuberante, a fotografia dourada, mas é tudo para ressaltar o cerne da trama, que é a Elite perfeitinha se achando dona do mundo.

Na trama três alunos do ensino público acabam sendo transferidos para o Las Encinas, o melhor e mais exclusivo colégio da Espanha, onde somente os filhos da elite estudam. O choque cultural que esses três alunos menos favorecidos causam nos demais, culmina em um assassinato brutal, eis que a policia terá que descobrir quem é o assassino dentre tantos suspeitos.

O roteiro é simples na construção do arco dramático central, mas as ramificações de assuntos que ele coloca em pauta de forma muito bem arquitetada é avassalador. Vemos situações que evidencia a má distribuição de renda, a sujeira da elite manipuladora diante dos mais pobres, o conservadorismo religioso e cultural, a homofobia, preconceito com soropositivo, bissexualidade, xenofobia, poliamor e assim por diante.

Elite - 1ª Temporada | (Crítica)

Por se tratar de uma trama de suspense policial muitas escolhas acabam levando a narrativa da série para o clichê óbvio. O formato de colocar os depoimentos de todos os alunos suspeitos mesclando à história que está sendo contada é uma escolha preguiçosa/burocrática. O enredo por si só poderia seguir uma narrativa mais criativa, que criasse no espectador o envolvimento com a trama, apesar disso, a série não perde seu encantamento, pelo contrário, os personagens fortes e muito bem escritos, as atuações em nível exuberante acabam sobressaindo aos equívocos.

O formato romantizado da trama também é algo que pode incomodar alguns, mas a escolha nesse caso acaba sendo interessante para reforçar o perfil plastificado da elite. Ainda que tenha esse viés romântico a série não tem pudor em contar a história, existe muito nu, sexo bem intenso, drogas, mas tudo de forma orgânica, ou seja é uma série de personagens teens, mas para um público adulto.

Vale ressaltar a direção da série que consegue sustentar o suspense em torno do assassinato até o último momento, não é possível descobrir de antemão quem é o verdadeiro infrator, a cada novo episodio somos levados a acreditar que é um o outro personagem, o que só acaba deixando a revelação ainda mais impactante.

Já foi citado o elenco que é um caso a parte, mas dentre todos, merece menção especial a atuação de Miguel Bernardeau (Es por tu bien), que faz o personagem Gúsman, a complexidade do papel, que ora nos faz ter raiva e muitas vezes amar é algo muito difícil de encontrar essa linha tênue e chegar no publico como Miguel o faz. Atuação exuberante vale prestar atenção nele.

A série deixa pontas para uma segunda temporada. Certamente existe espaço para termos mais desses ótimos personagens que tem muito a dizer para a sociedade mundial. Portanto, podemos concluir que: Elite tem um conteúdo potente e necessário para ser debatido nos dias atuais, para quem sabe não tenhamos casos tristes como o ocorrido na série.

Pôster de divulgação: Elite

Pôster de divulgação: Elite

FICHA TÉCNICA

Título Original: Elite
Ano: 2018
País: Espanha
Criação: Carlos Montero, Darío Madrona
Direção: Ramón Salazar, Dani de La Orden
Elenco: Miguel Herrán, María Pedraza, Danna Paola e grande elenco
Duração: 8 episódios de 47 a 60 minutos cada

Comente pelo Facebook