EM RITMO DE FUGA (Crítica)

Kadu Silva

Quase um show inesquecível, quase!

Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo) é sem dúvida um dos diretores da nova geração de maior criatividade e ousadia da atualidade, ele além de abusar de efeitos visuais de forma brilhante, sabe contar uma história como poucos. Sua forma de narrar, em parte, lembra muito Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações), só que Wright é mais inovador em sua proposta.

Em seu novo filme “Em Ritmo de Fuga”, Wright conta a história do jovem Baby (Ansel Elgort), um rapaz que precisa estar sempre ouvindo músicas com seu fone de ouvidos para silenciar um zumbido que o perturba desde um acidente ainda na infância. Apesar desse habito pouco convencionou ele é um excelente motorista e por isso acaba indo trabalhar com uma gangue de criminosos, tudo está indo bem, já que ele estava prestes a largar esse trabalho marginal, mas um assalto no correio americano acaba não saindo como planejado e Baby irá entrar em rota de fuga.

O roteiro de Edgar Wright é brilhante nos dois primeiros atos, ao compor de forma impecável todos os personagens que serão responsáveis pelo arco dramático da história, e por saber construir um enredo envolvente e cheio de camadas que tornam o thriller de tirar o fôlego. O único problema é que exatamente no clímax, a cereja do bolo, não saiu tão bem, além dele abandonar a criatividade narrativa, ele cede o desfecho para uma correria previsível e clichê, típica de longas da “Sessão da Tarde”, mesmo que esses momentos sejam realmente impressionantes pela forma precisa de filmagem e de montagem, tudo fica parecendo, mais do mesmo.

EM RITMO DE FUGA (Crítica)

Wright nos dois primeiros atos, narra a história através do ritmo das músicas que embalam a história, tudo que é mostrado está de acordo com o ritmo da canção do momento, de um fechar de porta ao um objetivo colocado a mesa, tudo entra na tela no ritmo perfeito da canção, fazendo da experiência de assistir um deslumbre de cair o queixo, mas no terceiro ato, isso é abandonado para dar espaço para explosão e perseguição e tiros sem a mesma maestria que estava sendo presente até então.

No entanto é de se destacar a impressionante na condução da trama, por exemplo, no início do filme tem um plano sequencia enorme de mais de cinco minutos, que é para fazer qualquer amante da sétima arte babar, pela precisão coreográfica de cada elemento cênico.

Obviamente que a trilha sonora tinha que ser brilhante e de fato é, de canções românticas a clássico do rock e soul, tudo é escolhido milimetricamente para ritmar a narrativa, junto a isso, tem o trabalho brilhante da edição, é sem dúvida, uma das melhores montagens de filmes dos últimos tempos.

O elenco está ótimo, Ansel Elgort (A Culpa é das Estrelas), que fala pouco durante o filme, chama atenção por saber se comunicar apenas com as mudanças das expressões faciais, Kevin Spacey (Beleza Americana) e Jamie Foxx (Ray) também chama atenção, um por estar extremamente engraçado no timing certo e outro por saber mostrar uma dualidade do personagem que é fundamental para não ficar exagerado o seu desfecho na trama.

Em Ritmo de Fuga é empolgante, divertidíssimo, mas por algumas escolhas não é uma obra-prima (infelizmente).

Pôster de divulgação: EM RITMO DE FUGA

Pôster de divulgação: EM RITMO DE FUGA

SINOPSE

Um talentoso piloto de fuga (Ansel Elgort) confia na batida da sua trilha sonora para ser o melhor de todos no que faz. Quando ele conhece a garota dos seus sonhos (Lily James), Baby vê uma chance de largar a sua vida no crime e sair dela limpo. Mas depois de ser coagido por um chefe do crime (Kevin Spacey), ele deve enfrentar a música que toca quando um assalto dá errado e ameaça a sua vida, o seu amor e a sua liberdade.

DIREÇÃO

  • Edgar Wright Edgar Wright

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Edgar Wright
    Título Original: Baby Driver
    Gênero: Ação, Policial, Suspense
    Duração: 1h 53min
    Classificação etária: 16 Anos
    Lançamento: 27 de julho de 2017 (Brasil)

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