ENTRE IRMÃS (Crítica)

Emílio Faustino

Chega aos cinemas de todo o Brasil o Um filme épico feminino e intimista. Assim Breno Silveira define ENTRE IRMÃS, seu quinto longa-metragem, que estreia dia 12 de outubro nos cinemas brasileiros, um filme que mistura temas como cangaço, machismo e até mesmo a cura gay, e olha que o filme se passa no período entre as décadas de 30 e 40.

Mas existe um questionamento que inconscientemente todo mundo se faz ou deveria fazer quando se trata de um filme da Globo Filmes: “Afinal, este filme foi pensado para ser apenas um filme ou se trata de mais uma daquelas produções que depois irão virar mini-série na TV?”

Pois bem, “Entre Irmãs” muito provavelmente será uma dessas séries da Rede Globo, seguindo os caminhos de “O Tempo e o Vento” e do sucesso “Sob Pressão”, o curioso é notar que as 3 produções possuem a atriz Marjorie Estiano no elenco, mas dela falaremos mais adiante…

Voltando a questão dos filmes que são pensados para virar série, o grande problema dessas produções é que se gera muito conteúdo para as séries e na hora de fazer os cortes e deixar um filme enxuto ou as coisas não ficam bem amarradas ou o filme fica longo demais, como é o caso deste que tem 2 horas e 15 minutos de duração.

Vamos a trama do filme: “ENTRE IRMÃS traz no elenco Marjorie Estiano, como Emília, a jovem que sonha com um príncipe encantado e em se mudar para a capital e Nanda Costa, como a corajosa Luzia, que faz a opção de seguir um violento grupo de cangaceiros. Criadas para serem costureiras, essas mulheres tecerão suas próprias histórias em cenário francamente adverso à afirmação feminina. Apesar de lutas, conquistas e derrocadas, as duas irmãs separadas pela distância e pelas escolhas, sempre cultivaram uma mesma certeza: sabiam que só podiam contar uma com a outra”.

A sinopse do filme esta entre parênteses pois usamos o texto original de divulgação do mesmo, o curioso é observar como o filme vende a personagem Luzia: “a corajosa Luzia, que faz a opção de seguir um violento grupo de cangaceiro”. Isso porque, no filme não é exatamente uma opção do tipo: “Eu resolvi ser cangaceira”. Ela e sua família são ameaçadas com arma, depois de ver várias pessoas morrerem pelas mãos dos cangaceiros, ou seja, não foi bem uma escolha, não é mesmo? Inclusive ela tenta fugir várias vezes até se apaixonar pelo cara que a sequestrou.

ENTRE IRMÃS (Crítica)

Na psicologia, Síndrome de Estocolmo é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. Logo, este “amor” e esta “opção” ficam altamente questionáveis.

Por outro lado, o filme é muito feliz ao retratar o machismo e ao tocar em temas como cura gay, assunto que infelizmente fazem parte da nossa pauta atual e nos permite fazer a assustadora comparação do que conseguimos evoluir da década de 30 e o que permanece igual ou pior.

Do ponto de vista técnico o filme é muito bem feito, existe uma boa fotografia e a atuação das duas protagonistas são bem convincentes. É realmente um grande feito fazer a gente acreditar que Marjorie Estiano e Nanda Costa são irmãs já que fisicamente elas são tão diferentes, mas no cinema eles conseguiram esta proeza.

Breno Silveira que vem da direção de filmes como “Dois Filhos de Francisco” e “Gozaga de pai para filho” fez questão de preencher os silêncios do filme com muita música. “É muito difícil se emocionar sem a música” disse o diretor na coletiva de imprensa do lançamento do filme em São Paulo.

Uma curiosidade do filme é que embora ele seja predominantemente ficção, existe uma pesquisa histórica que tentou recontar a história de Maria Bonita e Lampião. É como se o diretor tivesse topado o desafio de sair do gênero documental, mas quisesse de alguma forma deixar a sua assinatura. Dentro deste viés é interessante observar que ele optou por contar a história da perspectiva da Maria Bonita e não do Lampião, o que possibilitou evidenciar todo o machismo da época.

Ao fim da sessão, existem muitos elementos bons no filme, mas a impressão que fica é que falta fluidez entre eles, é como se eles tivessem juntado vários ingredientes bons, mas a mistura final não da aquele bolo que você come, quer repetir e indica para os amigos. Vale o ingresso, vale as reflexões suscitadas, mas talvez na versão série ele seja melhor desenvolvido.

Pôster de divulgação: ENTRE IRMÃS

Pôster de divulgação: ENTRE IRMÃS

SINOPSE

Pernambuco, década de 1930. Luzia (Nanda Costa) e Emília (Marjorie Estiano) são irmãs que vivem na pequena Taguaritinga do Norte, ao lado da tia Sofia (Cyria Coentro), que lhes ensinou o ofício de costureira. Enquanto Emília sonha em se mudar para a cidade grande, Luzia se conforma com a realidade ao mesmo tempo em que lida com as dificuldades de ter um braço atrofiado, por ter caído de uma árvore quando criança. A vida destas três mulheres muda por completo quando o cangaceiro Carcará (Júlio Machado) cruza seu caminho, obrigando-as a costurar para o bando que lidera.

DIREÇÃO

  • Breno Silveira Breno Silveira

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Patrícia Andrade
    Título Original: Entre Irmãs
    Gênero: Drama
    Duração: 2h 15min
    Classificação etária: 14 Anos
    Lançamento: 12 de outubro (Brasil)

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