EPA! CADÊ O NOÉ? (Crítica)

EPA CADE O NOE

Por Juca Claudino 3estrelas

EI, JÁ PENSOU SE “ESQUECERAM DE MIM” ROLASSE EM UM DILÚVIO?

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Com um roteiro divertido e personagens carismáticos, “Epa! Cadê o Noé?” trabalha os clichês sobre valorização da amizade e do trabalho em equipe com significante graciosidade e humor, além de se mostrar bastante agradável para seu público-alvo. É um “feel-good movie” (“filme para se sentir bem”) que baseia-se em desconstruir o sentimento de “deslocamento do seu contexto” dos seus personagens (que constantemente se queixam sobre “eu não sirvo para nada”, “todos me desprezam”), em uma mensagem de auto-estima para o público infantil. Mas o melhor de tudo é como ele adapta o que nós aprendemos sobre ecossistema na escola para gerar piadas e situações bem agradáveis para quem assiste.

Com o lançamento de “Os Dez Mandamentos – O Filme”, a crítica negativa por parte da imprensa que vai se acumulando sobre a película apresentado pela Rede Record é bem, mas bem grande. “Epa! Cadê o Noé?”, que também se inspira em uma história presente na Bíblia, talvez não seja o filme infantil que mais se destaque nas bilheterias e críticas durante seu lançamento. Porém é divertido. A comparação com o filme bíblico inspirado na novela de mesmo nome na verdade foi apenas para gerar certo humor: “Epa! Cadê o Noé?”, longa de Toby Genkel e Sean McCormack (ambos com poucos longas no currículo), reconta a história da Arca de Noé mas não faz referência “espiritual” ou “religiosa”. Nada do tipo. É uma história fofa, com personagens fofos e uma mensagem de auto-estima fofa. E o melhor, o faz do ponto de vista dos bichos que a habitaram. É inegável que quando transforma a arca em um “cruzeiro”, com quartos para os seus habitantes e burocracias como fazer “check-in”, temos um efeito cômico bem trabalhado. O filme é muito bom nesse aspecto, em gerar uma releitura cômico do mito. Além do mais, outra releitura cômica que faz o filme valer a pena é como ele brinca com os conceitos do “ecossistema”: a ideia de “parasita” e “hospedeiro”, os “embates” entre carnívoros e herbívoros, a ideia de habitat natural. Ao humanizar o reino animal, esses conceitos se tornam “birras” dos personagens, como por exemplo um tigre odiar ter que se desculpar a um esquilo por tentar comê-lo (quando na verdade na Arca nenhum animal pode devorar um outro), ou quando vemos um “hospedeiro” falar para o seu “parasita” que ele é insuportável. Não que haja algo de original nesses processos de releituras, mas é de se elogiar.

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Contudo, o centro do filme gira em torno da mensagem de auto-estima que quer validar. Finny e Dave, filhinho e papai Nestrians, sentem-se deslocados de seu contexto. Além do mais, sentem-se inúteis e ignorados pelo Reino Animal. Quando não constam na lista de Noé para adentrar à arca (calma, parece que o filme se mostra desumano ao mostrar que alguns seres serão deixados para morrer e outros não – mas no fim tudo se redime), sentem-se mais deslocados ainda. É aí que o filme nos apresenta outros personagens do mesmo tipo: Obesey e o parasita que hospeda, ambos com mesmo trauma. Além do mais, temos Leah, uma “grymp” (espécie que se aparenta com tigres), que está decidida que, por ser uma grymp, deve atuar de forma individualista, egoísta e, principalmente, sozinha – mas sabe que aquilo, ao mesmo tempo que a faz se sentir superior, a incomoda pois torna sua vida solitária. Quando tais personagens são deixados para trás no dilúvio, após uma série de acontecimentos, a moral da amizade e do pensamento coletivo é valorizada, e o filme deixa a atender que “todos somos especiais”. Clichês que sempre são funcionais em um filme infantil como “Epa! Cadê o Noé?”. E esse em especial consegue transmitir isso com suficiente graciosidade, capaz de nos gerar um certo encantamento perante aquele idealismo. Um fator elogiável da película é que esta não peca no tom sentimental em nenhum momento: não há cenas melodramáticos que, de tão exageradas, destoam do filme (algo que muitos filmes do gênero cometem). Mas o que se pode notar também é que, enquanto muitos filmes desenvolvem sua trama com coerência e finalizam com um final “senso comum” (aquele final emotivo idealizado batido), aqui temos um final emotivo idealizado que é original e empolgante (a melhor parte do filme, provavelmente).

Toby Genkel e Sean McCormack de fato fizeram um filme infantil suficientemente bom para agradar seu público-alvo. Os personagens são carismáticos, e o roteiro consegue provar que sim, “todos somos especiais”. Um filme que mostra como a vida é mais bonita quando se tem amigos e quando se pensa no amiguinho ao lado e não só em você – ser egocêntrico não é tão legal assim (não entenda isso como um deboche, mas sim como uma figura de linguagem). Mensagens idealizadas clichês em filmes “Sessão da Tarde” como esse. Filme “Sessão da Tarde” que sim, nos diverte.

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SINOPSE

A aventura em animação é baseada na história da Arca de Noé, só que desta vez fala sobre as criaturas infelizes no lado errado da evolução. Os moradores terrestres Nestrians Dave e seu filho Finny conseguiram entrar na Arca de Noé com a ajuda de Grymp e sua filha Leah. Mas quando a Arca flutua para longe, Finny e Leah acidentalmente caem. Este é o início de uma aventura na qual Finny aprende algo muito importante sobre si mesmo, e que poderá salvar a vida de seu pai e de sua nova galera.

DIREÇÃO

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FICHA TÉCNICA

Roteiro: Mark Hodkinson e Toby Genkel
Título Original: Ooops ! Noah is gone
Gênero: Animação
Duração: 1h 26min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: Livre
Lançamento: 4 de fevereiro de 2016 (Brasil)

TRAILER

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