ESPELHO, ESPELHO MEU (Crítica)

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Mirror Mirror
Ano do lançamento: 2012
Produção: Estados Unidos
Gênero: Fantasia, Aventura
Direção: Tarsem Singh
Roteiro: Jason Keller e Melisa Wallack

Sinopse: Após a morte do rei (Sean Bean), sua esposa (Julia Roberts) assume o comando do reino. Extremamente vaidosa, ela passa a cobrar cada vez mais impostos para sustentar uma vida de opulência. Ao mesmo tempo mantém presa em seu quarto a enteada, Branca de Neve (Lily Collins). Ao completar 18 anos, Branca de Neve resolve sair do castelo e conhecer a realidade do reino. Horrorizada com a situação de fome e miséria do povo, ela retorna decidida a derrubar a rainha.

Por Pedro Vieira

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Lançado em 2012, “Espelho, Espelho Meu” (Mirror, Mirror), filme da Relativity Media, faz parte da atual safra de adaptações live-action de contos de fadas, se inspirando livremente no conto da “Branca de Neve”. Porém, ao contrário das outras produções do mesmo gênero, que buscam dar um tom mais “dark” a essas histórias, o longa dirigido pelo indiano Tarsem Singh abraça uma veia mais cômica e infantil.

É algo que se percebe logo no início, em uma bela sequência em animação narrada por Julia Roberts, que faz o papel da vilã “A Rainha”. Servindo de prelúdio para a história, a cena já traz uma amostra do visual que o filme vai seguir, com belas cores em tons pastel, além de dar liberdade para a narradora fazer uma piada ou outra sobre o nome da protagonista ou sobre sua beleza. De fato, é uma sequência encantadora, capaz de agarrar a atenção do espectador. Infelizmente, conforme o filme prossegue, a narrativa vai se desenvolvendo de forma fraca, fazendo com que aquele espectador que foi fisgado logo no começo, perca interesse por aquilo que está assistindo.

Na história, a rainha tomou o poder do reino para ela, e com inveja da beleza de Branca de Neve (Lily Collins), que surge como um empecilho para os planos da rainha de se casar com o príncipe Alcott (Armie Hammer), ela manda seu fiel serviçal Brighton (Nathan Lane) matar a princesa. Com dó da garota, Brighton a solta no meio de uma floresta, onde ela vaga até encontra um grupo de bandidos formado por sete anões que a ajudarão a acabar com os planos da rainha.

Se o principal objeto do filme é se mostrar como uma comédia, ele falha terrivelmente nesse quesito. Pouquíssimas piadas fazem rir, e o modo como o roteiro insere algumas delas acaba por quebrar o clima de diversos planos que se venderiam bem como cenas de aventura, além de fazerem com que determinados personagens pareçam excessivamente ridículos – como o príncipe, no momento em que a rainha usa nele uma poção de “amor de cachorrinho”.

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Os personagens, aliás, são mal desenvolvidos. A Branca de Neve de Lily Collins não tem carisma, e aparece meiga demais no início, para pouco tempo depois, se tornar uma rebelde. Os anões, que deveriam ser elemento importante para a história e principal laço de amizade e família da heroína, são tão rasos que é difícil se lembrar do nome de um deles ao fim da narrativa, ou até mesmo recordar qual a característica individual de cada um. Armie Hammer, por sua vez, tenta fazer com que seu príncipe mescle seu jeito de galã com o de um personagem bobo, e também fracassa.

O príncipe também tem seu papel diminuído nessa narrativa, se considerarmos o conto que a originou, numa forma de tentar de fazer com que Branca de Neve ganhe mais independência, tentando dar ao filme um ar feminista, mostrando que uma mulher pode se defender sozinha. Isso não funciona, pois, justamente quando o longa tem a chance de mostra que Branca é realmente forte e autônoma, ele resolve colocar em seu caminho um personagem masculino para ajuda-la ou para se mostrar superior a ela.

Salvam-se apenas Julia Roberts e o ótimo Nathan Lane. Os dois tem certa química em tela, o que faz com que as cenas de comédia que protagonizam sejam as mais divertidas, mesmo aquelas que são incrivelmente estranhas – como quando a rainha tenta, a todo custo, entrar no corpete para o seu casamento.

Se o filme falha no roteiro, ele acerta em cheio na parte estética. Os cenários são todos muito bem trabalhos, assim como os figurinos de Eiko Ishioka, que dão o tom lúdico à produção. A trilha sonora de Alan Menken (conhecido por ser compositor das trilhas de animações da Disney, como “A Pequena Sereia” e “Enrolados”) também contribui para dar este clima ao filme, mas é notável que o visual destaca-se mais.

Com um roteiro fraco, “Espelho, Espelho Meu” acaba fazendo com que sua direção de arte seja seu grande chamariz. Entretanto, isso não é o suficiente para salvar o filme e nem prender a atenção de quem assiste por muito tempo.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicação: Melhor Figurino

TRAILER

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