ESPLENDOR (Crítica)

Kadu Silva

Muito além do olhar!

Quando você assiste a muitos filmes, a sensação que fica é que tudo de alguma forma já foi contado no cinema, mas hora ou outra, felizmente, somos surpreendidos com algum tema nunca ou raramente explorado, é o caso de Esplendor, que mostra a dificuldade de fazer uma tradução destinada a deficientes visuais para versões cinematográficas.

Misako (Ayame Misaki) é uma jovem profissional responsável por fazer versões cinematográficas para deficientes visuais. Numa de suas reuniões onde está apresentando a voluntários a versão de um novo filme, ela conhece o fotografo Masaya Nakamori (Masatoshi Nagase), um rabugento homem que está perdendo a visão, e que acaba desafiando Misako a encontrar uma forma mais sutil (subjetiva) de descrever o filme, é então que os dois acabam se aproximando e Misako percebe que nesse encontro casual, traumas de seu passado voltarão à tona em sua vida.

ESPLENDOR (Crítica)

Muitas vezes somos enganados pelos nossos olhos. Algo belo e reluzente, pode esconder terríveis problemas, doenças e afins. Quando conseguimos encher além dos olhos, pelos nossos sentidos mais profundos, podemos enxergar a alma, e é exatamente esse o desafio de Misako e de Masaya. Essa jornada de descobertas é magistralmente conduzida pela delicada cineasta japonesa Naomi Kawase (Sabor da Vida), que também é responsável pelo roteiro. Um roteiro sensível, que usa a metalinguagem de forma brilhante, justamente porque o texto é certeiro em mostrar o que ela propõe.

Se não bastasse tanto doçura, a dupla de protagonista Ayame Misaki (Ataque dos Titãs) e Masatoshi Nagase (Paterson) entregam atuações incríveis para seus papeis e por isso rapidamente a plateia se envolve pela trama que é acompanhada por uma trilha sonora arrepiante e uma fotografia de encher os olhos.

Esplendor é um filme sensível e que sabe através da sutileza apresentar sua mensagem de forma arrebatadora!

Pôster de divulgação: ESPLENDOR

Pôster de divulgação: ESPLENDOR

SINOPSE

Misako escreve versões de filmes para deficientes visuais. Durante uma exibição, ela conhece Nakamori, um fotógrafo mais velho que, lentamente, está perdendo a visão. Quando Misako descobre as fotografias de Nakamori, essas imagens irão, estranhamente, levá-la de volta ao seu passado. Juntos, os dois vão aprender a enxergar o mundo radiante que, antes, estava invisível aos olhos dela.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Naomi Kawase” espaco=”br”]Naomi Kawase[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Naomi Kawase
Título Original: Hikari
Gênero: Drama, Romance
Duração: 1h 43min
Classificação etária: 18 Anos
Lançamento: 30 de novembro de 2017 (Brasil)

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