EVERESTE (Crítica)

Evereste

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Por Elisabete Alexandre

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Sensação térmica que pode chegar a -50°C – qualquer parte do corpo congelaria em 1 minuto. 8.848m de altitude – a 6.000m o corpo humano começa a morrer pela falta de oxigênio. A partir de 5.000m, caso precise de resgate urgente, você estará por conta própria – pois um helicóptero, que não possui cabine pressurizada como um avião, não alcança tal altura. Esses são apenas três dos diversos desafios que um alpinista terá que enfrentar ao escalar o monte Everest, o pico mais cobiçado pelos praticantes do esporte.

Em 1996, um grupo de alpinistas liderado pelo neozelandês Rob Hall (Jason Clarke) pretende chegar ao topo do Everest. Experiente, Rob passa dias no acampamento base da montanha com toda a sua equipe fazendo a climatização de todos os integrantes que se arriscarão para chegar ao cume, mas até mesmo esse intenso treinamento não os preparou para o que viria. Esse episódio ficou mundialmente conhecido depois que o jornalista, e também alpinista, Jon Krakauer (Michael Kelly, de House of Cards) da revista Outside – sim, o mesmo que escreveu Na Natureza Selvagem, livro que conta a história de Christopher McCandless e que inspirou o filme de mesmo nome -, que fazia parte da equipe de Rob, escreveu um livro (No Ar Rarefeito – Companhia das Letras) sobre o que aconteceu naquele ano trágico onde vários alpinistas experientes perderam suas vidas. Mas não foi a primeira vez que esse livro de Jon serviu de inspiração para a produção de um longa, um ano depois da tragédia, em 1997, o filme produzido para TV e dirigido por Robert Markowitz (Prova de Fogo), Morte no Everest, tentou reviver os momentos de tensão desses alpinistas. Para falar a verdade, não assisti ao filme de Robert, então não posso afirmar com certeza se ele conseguiu, ou não, transmitir com fidelidade a agonia dos momentos finais das vidas dessas pessoas que morreram no que foi considerado, até 2014, o ano mais “mortal” do Everest, onde, no total, 12 pessoas perderam suas vidas para a montanha. Apenas por curiosidade, em 2014 uma avalanche no Everest acabou causando a morte de 16 pessoas e, em 2015, avalanches resultantes do terremoto no Nepal causaram, ao todo, 18 fatalidades, sendo considerada a maior tragédia até o momento. Porém, e desse sim eu posso falar com autoridade, Baltasar Kormákur (Dose Dupla), fez com que eu roesse as minhas unhas enquanto assistia a Everest.

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Também baseando-se nas memórias de Jon, Everest resume em duas horas os acontecimentos que levaram o mundo a repensar sobre a “comercialização” da montanha mais conhecida por todos. O filme, cheio de atores famosos – tais como: Jake Gyllenhaal (Zodíaco), no papel do guia e escalador Scott Fischer; Keira Knightley (Anna Karenina), interpretando a esposa de Rob, Jan Arnold; entre outros -, faz com que você sinta como é estar a mais de 8.000m de altitude, sabendo que seu corpo está morrendo pela falta de oxigênio e, mesmo assim, não abrir mão do seu objetivo. Aliás, pensando nisso, no filme, Jon pergunta aos alpinistas, antes mesmo de começar a jornada ao topo, ainda no acampamento base, quais seriam suas motivações para fazer aquilo. Por quê? Por quê colocar a sua vida em risco? Por quê sofrer deliberadamente para não ganhar “nada”? Cada alpinista tem seus motivos, suas respostas, mas ao ouvir de Doug Hansen (John Hawkes, de Lincoln) os motivos que o levaram a fazer aquela loucura, você entende. Se um simples carteiro pode, todos podem. É nesse momento que, por fim, você mergulha no filme e se sente parte daquela jornada.

Com um roteiro redondinho, sem partes maçantes e cansativas, Everest não me colocou apenas como espectadora, de um ponto de vista externo, mas me tornei ativa na história, sentindo o que aquelas pessoas sentiram naquele episódio marcante da montanha, em 1996. O filme, que abriu o festival de Veneza de 2015, é recomendado para quem gosta de um drama baseado em uma história real, mas, principalmente, para aqueles que, apesar de terem gosto por esportes radicais, preferem não se arriscar. Vocês vão sentir o frio na pele, mas esse sim, será psicológico mesmo.

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SINOPSE

Em 1996, um grupo liderado pelo alpinista Rob Hall (Jason Clarke) tem como objetivo chegar ao cume do monte Everest, montanha mais cobiçada por todo e qualquer praticante desse esporte. Mas, nem mesmo os dias de treinamento e climatização pelos quais todos eles passaram, a fim de prepará-los para o que estava por vir, foram suficientes para o que a natureza reservava.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Baltasar Kormákur” espaco=”br”]Baltasar Kormakur[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: William Nicholson e Simon Beaufoy
Título Original: Everest
Gênero: Aventura
Duração: 2h 02min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER

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