EXTRAORDINÁRIO (Crítica)

Kadu Silva

Sensível olhar sobre as diferenças

Certamente você já deve ter ouvido o ditado que diz: “de perto, ninguém é normal”. O filme “Extraordinário” mostra exatamente isso, afinal ao sublinhar um garoto com uma grave deformação facial, vemos que todos ao seu redor também apresentam “anomalias” iguais ou maiores a dele, e que elas são as que fazem a identidade de cada um.

Esse garoto é o Auggie Pullman (Jacob Tremblay), que após 27 cirurgias plásticas e vivendo isolado em sua casa, aceita aos 10 anos encarar o primeiro dia na escola, estando sujeito a todos os olhares e comentários maldosos de seus coleguinhas.

O roteiro foi baseado no best-seller de R.J. Palacio e o grande acerto foi não vitimizar o protagonista, ainda que o texto apresenta seus clichês para um filme de superação, e as famosas frases de efeito e seus momentos piegas e de manipulação da emoção, tudo acontece sem exageros, tais recursos acabam sendo introduzidos de forma a favorecer na narrativa da história. O grande diferencial é que houve um cuidado de usar o humor no timing certo sempre que o longa tendia a exagerar na dose.

Pôster de divulgação: EXTRAORDINÁRIO

Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível) mais uma vez se mostra extremamente sensível ao retratar a trajetória de Auggie, e constrói sua narrativa num formato em capítulos, fazendo com que cada personagem tivesse seu arco muito bem apresentado e assim causasse com mais impacto o contraponto perfeito ao “problema” do protagonista, afinal como já foi mencionado acima, todos temos algum tipo de “anomalia” que gostaríamos que ninguém ficasse olhando e comentando. Outra escolha inteligente de Chbosky é usar o lúdico para mostrar os pensamentos do protagonista, dessa forma o longa leva o espectador para um lugar quase mágico, e somos introduzidos no universo inocente das crianças, seja no espaço sideral ou na interação com personagens da franquia Star Wars, tudo acontece organicamente na narrativa.

A trama ainda consegue sem se tonar panfletaria, despertar no espectador a necessidade de falar sobre bullying. Sem um grande aprofundamento no tema, o filme sugere que tal comportamento pode ser fruto da convivência familiar, e isso é extremamente interessante dentro da história, numa cena o diretor consegue desenhar sua visão e assim causar o impacto que deseja no espectador.

Grande parte do resultado do filme se encontra na escolha do elenco, todos estão formidáveis em seus papeis e com uma química impressionante, Jacob Tremblay (O Quarto de Jack), reforma todo seu carisma e talento nessa papel difícil e cheio de nuances e como era de se esperar é o grande destaque.

Mas o filme tem lá seus “probleminhas” (infelizmente), o arco principalmente é construído através de um maniqueísmo exagerado, principalmente ao retratar uma história que tem como personagens principais crianças, existe ainda na composição da maioria dos personagens estereótipos desnecessários e o desfecho do longa é extremamente preguiçoso. Vemos novamente um momento já mostrado milhares de vezes em outros filmes, faltou criatividade e ousadia para não cair no lugar comum.

Ainda assim, “Extraordinário” é uma obra sensível, e que soube mostrar que o ser humano naturalmente apresenta diferenças e que o mundo pode ser melhor ao aceita-las naturalmente.

Pôster de divulgação: EXTRAORDINÁRIO

Pôster de divulgação: EXTRAORDINÁRIO

SINOPSE

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

DIREÇÃO

  • Stephen Chbosky Stephen Chbosky

  • FICHA TÉCNICA

    Roteiro: Steven Conrad, Jack Thorne, Stephen Chbosky
    Título Original: Wonder
    Gênero: Drama
    Duração: 1h 53min
    Classificação etária: 10 Anos
    Lançamento: 7 de dezembro de 2018 (Brasil)

    Comente pelo Facebook