Ferrugem (Crítica)

Kadu Silva

Um olhar íntimo na geração da hiperconectividade

Aly Muritiba (Para Minha Amada Morta) é um diretor peculiar devido a sua trajetória. Das diversas atividades que já exerceu na vida, chama atenção o fato dele ter sido agente penitenciário e professor ao mesmo tempo e de forma não muito planejada, nesse mesmo período, ter entrado no curso de cinema, para que esse universo mágico servisse como uma válvula de escape, para aliviar toda a carga psicológica que essas atividades o proporcionavam, pode-se dizer que exatamente passar por esses lugares difíceis, construiu uma das características marcantes em suas obras, que é a natureza do estudo psico dos personagens.

Em Ferrugem Aly, narra a história de Tati (Tiffanny Dopke), uma garota do ensino médio, que sofre um bullying virtual, quando alguém da escola vaza um vídeo de uma relação íntima dela com seu ex-namorado, transformando completamente a vida da garota.

O roteiro de Aly e da estreante Jessica Candal foi desenvolvido quando o cineasta e sua esposa estavam decidindo se dariam ou não um celular para o filho de 14 anos deles. Diante desse questionamento ele sentiu a necessidade de desenvolver uma obra que coloca uma lupa sobre a geração da hiperconectividade, já que sua vivencia como professor dava embasamento para mergulhar nesse universo.

Ferrugem (Crítica)

Aly e Jessica dividem o filme em dois momentos, no primeiro a montagem ágil, a palheta de cores vibrante, traz uma narrativa mais pop e jovial, já na segunda, o filme leva o espectador para contemplação e reflexão diante do plot twist que liga as duas partes. A escolha por esses dois momentos deram a obra uma profundidade no dialogo que certamente atingirá os jovens e os adultos, assim também o roteiro pode colocar para reflexão diversos temas pertinentes que envolvem o universo jovem da atualidade, como: machismo hereditário, misoginia, preconceito velados e principalmente a comunicação com ruídos ou até a falta dela na hora e da forma correta.

Como é característica de Aly o filme cria um mistério e leva o espectador a se envolver pela trama até o seu desfecho. Devido a isso, não dá para abrir detalhes sobre a trama para analisar, pois o interessante da obra é vivenciar a experiência proposta pelo diretor.

Outro aspecto de destaque do filme é o acabamento técnico. A fotografia é impecável, o trabalho de som preciso e extremamente funcional para a narrativa, a montagem, direção de arte, tudo é muito bem desenvolvido na primeira e segunda parte de forma bem distintas sem que isso transformasse o filme em algo não fluido, pelo contrario, o contraponto de abordagem traz um aprofundamento para o tema.

Onde o longa peca um pouco é na interpretação de alguns atores que não conseguem entregar um resultado condizente com a necessidade do papel, mas não é nada que atrapalhe o filme de forma geral.

Ferrugem é um filme que apesar de tocar num tema polêmico (delicado), soube construir uma trama que causa total empatia a quem o vê, dessa forma, ele se torna um poderoso instrumento para gerar debates sobre o assunto que ainda é tabu na nossa sociedade.

Pôster de divulgação: Ferrugem

Pôster de divulgação: Ferrugem

SINOPSE

Assim como a maioria das meninas adolescentes Tati (Tiffanny Dopke) ama compartilhar sua vida nas redes sociais. Porém, quando menos espera, ela vai ter que amadurecer e lidar com as consequências de seus atos, depois que algo que ela não queria que se tornasse público é divulgado no grupo do WhatsApp de sua turma de colégio.

DIREÇÃO

Aly Muritiba Aly Muritiba

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Aly Muritiba, Jessica Candal
Título Original: Ferrugem
Gênero: Drama
Duração: 1h 45min
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 30 de agosto de 2018 (Brasil)

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