FILHA DISTANTE (Crítica)

FILHA DISTANTE

4emeio

Por Pedro Vieira

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Desde o início, a sensação que cobre o filme argentino “Filha Distante” (Días de Pesca) é a de que o protagonista Marco Tucci (Alejandro Awada) está em uma busca eterna. No caso, é uma busca pela família. Porém, nesta busca não é a família que está perdida, muito contrário, quem está perdido é próprio protagonista.

Após problemas de saúde, Marco viaja até a Patagônia tendo em vista dois objetivos: reencontrar e se reaproximar da filha Ana (Victoria Almeida), que vive afastada dele há anos; e pescar tubarões.

A bela fotografia faz alusão à primeira ambição do protagonista. Sempre com planos que privilegiam a linha do horizonte, como se algo estivesse sempre por vir, a imagem retrata não apenas a história, mas o estado de Marco: quase perdido na sua procura pela família (aqui representada pela filha).

O esporte da pesca, referenciado no título original, simboliza como ele irá realizar essa busca. O ato de pescar – ou seja, jogar a isca e esperar morder – reflete a ação de Marco perante a tentativa de recuperar a afeição de Ana – como no momento em que ele a convida para jantar.

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Essa habilidade do filme em criar metáforas narrativas também surge no roteiro, a partir de diálogos, que de início, são aparentemente banais, mas que acabam ganhando um novo sentido (ou um sentido a mais), graças aos acontecimentos do decorrer da trama. Só que todo esse cuidado em criar camadas de significado narrativo não impede que o longa se torne cansativo.

Seja pela demora da história em começar a ganhar sentido, ou seja pelos detalhes que ela omite, deixando o espectador sem respostas (é difícil perceber algum motivo para a filha não gostar do pai, por exemplo), o fato é que a trama parece ficar cada vez mais lenta conforme ela progride.

Mesmo a boa atuação de Awada, que consegue guiar o filme e fazer com que o público se identifique e realmente se importe com seu personagem (apesar da falta de ação narrativa), salva o longa de se tornar enfadonho.

Apenas em seu desfecho final as coisas realmente melhoram. As situações voltam a funcionar e a fazer sentindo, assim como o filme perde o ritmo lento. Porém, nem tudo faz sentindo na história, mas é fato que “Filha Distante” não é um filme que parece se preocupar muito com a narrativa. Na verdade sua força está muito mais em sua construção visual e em sua possibilidade de criar metáforas, apenas lhe faltava um modo de fazer isso sem se deixar ficar fatigante, prejudicando assim a experiência do espectador.

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SINOPSE

Um homem de 50 anos de idade e ex-alcoólatra decide que chegou o momento de mudar de vida. Ele quer restabelecer os vínculos com sua filha Ana (Victoria Almeida) e para isso viaja até a Patagônia argentina para procurá-la, só que ele não sabe onde ela mora. Além de viajar para ganhar a filha de volta, ele quer pescar, fazer um pouco de turismo, e é claro, mudar de vida.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Carlos Sorín” espaco=”br”]Carlos Sorin[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Carlos Sorin
Título Original: Días de pesca
Gênero: Drama
Duração: 1h 18min
Ano de lançamento: 2014
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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