FILHOS DA ESPERANÇA (Crítica)

FILHOS DA ESPERANCA

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FICHA TÉCNICA

Título Original: Children of Men
Ano do lançamento: 2006
Produção: EUA
Gênero: Ficção científica , Suspense , Drama
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Timothy J. Sexton, Alfonso Cuarón, David Arata, Mark Fergus e Hawk Ostby
Classificação etária: 14 Anos

Sinopse: 2027. Não se sabe o motivo, mas as mulheres não conseguem mais engravidar. O mais novo ser humano morreu aos 18 anos e a humanidade discute seriamente a possibilidade de extinção. Theodore Faron (Clive Owen) é um ex-ativista desiludido que se tornou um burocrata e que vive em uma Londres arrasada pela violência e pelas seitas nacionalistas em guerra. Procurado por sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), Theodore é apresentado a uma jovem que misteriosamente está grávida. Eles passam a protegê-la a qualquer custo, por acreditar que a criança por vir seja a salvação da humanidade.

Por Pedro Viera

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O cinema contemporâneo vem sendo povoado por uma grande gama de futuros distópicos em produções de ficção-científica. Mas poucas dessas representações futurísticas são tão palpáveis quanto a criada por Alfonso Cuarón em “Filhos da Esperança” (Children of Men) de 2006, inspirado no livro “Children of Men” de P.D. James.

Em 2027, as mulheres se tornaram inférteis e nenhum bebê nasceu desde 2009. O mundo entrou em colapso. O único governo que ainda se mantém em pé é o do Reino Unido, que luta para impedir que imigrantes ilegais de outros países se refugiem no Estado. Theo (Clive Owen) vive sem se preocupar muito com tais problemas até o dia em que é sequestrado por um grupo de pessoas que defendem os refugiados. A líder do grupo é Julian (Julianne Moore), a ex-mulher de Theo, que pede para ele a ajudar a levar uma refugiada até o litoral do país. A situação se complica quando Theo descobre que Kee (Clare-Hope Ashitey), a refugiada que eles transportam, é a primeira garota grávida em 18 anos e que pessoas mal-intencionadas estão atrás da jovem.

Uma explicação para a infertilidade que assolou a sociedade nunca é dada pelo filme, mas isso não o torna menos crível, já que ele se foca muito mais na construção dessa sociedade e de seus personagens para trazer imersão ao espectador do que em dar explicações concretas de tudo o que ocorre. O resultado é mais do que satisfatório: desde a cena inicial, na qual Theo vê uma cafeteria que ele acaba de sair ser explodida por um ataque terrorista, é possível sentir toda a ameaça e o caos que permeiam todo este universo fílmico e ficar imerso no longa durante toda sua duração.

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Cuáron utiliza vários planos sequências que dão fluidez e um estilo próprio à produção, como um toque pessoal que ele aperfeiçoou em “Gravidade” (2013). Não por acaso, o diretor de fotografia deste filme é Emmanuel Lubezki, que também trabalho com Cuáron no filme de 2013 e mais recentemente foi premiado pelo seu trabalho em “Birdman” (2014) de Alejandro G. Iñarritu. O apoio de Lubezki é essencial para que Cuáron crie seus magníficos planos e traga todo o clima de mistério e tensão que “Filhos da Esperança” necessita, em uma trama que não da descanso para o espectador.

Simbolismos também permeiam o longa. O mais notável é a própria personagem de Kee, a mulher negra, pobre e refugiada que poderia ser mal vista pela maior parte da sociedade, mas que representa todo o futuro da humanidade. O objetivo aqui é dar poder a um proscrito que tenha tamanha humildade e compaixão, como um messias do mundo moderno.

A ideia pode parecer perturbadora para alguns, mas “Filhos da Esperança” não é um filme que busque apenas agradar, ele também quer trazer inquietude e fazer seu público refletir. Graças à sua técnica espetacular, sua história envolvente e a construção de um universo altamente real, o longa de Cuáron se sai bem e deixa sua marca entre os filmes de ficção-científica da última década.

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PRÊMIOS

OSCAR
Indicado: Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição

BAFTA
Venceu: Melhor Fotografia e Melhor Direção de Arte.

Indicado: Melhores Efeitos Especiais

ACADEMIA DE FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA, FANTASIA E HORROR – PRÊMIO SATURNO
Venceu: Melhor Filme de Ficção Científica

Indicado: Melhor Ator – Clive Owen e Melhor Diretor – Alfonso Cuarón

FESTIVAL DE VENEZA
Venceu: Prêmio Lanterna Mágica e Prêmio de Melhor Contribuição Técnica

TRAILER

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