Filme O julgamento de Viviane Amsalem destaca a luta de uma mulher pelo direito de ser livre

O JULGAMENTO DE VIVIANE AMSALEM

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Por Kadu Silva
Revisão Márcio Santos

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Assistir a um longa de regiões com cultura bem distintas das nossas dá a dimensão do mundo e de suas diferenças. Além da literatura, este é um privilégio de conhecermos mais sobre nós e o mundo que encontramos na sétima arte.

O Julgamento de Viviane Amsalem retrata os dogmas machistas de Israel, onde rabinos são responsáveis por unir ou dissolver casamento. Isso não seria um problema se, para a concretização do divórcio não houvesse a condição única de o marido consentir ou a mulher ter que aceitar a sua sorte (ou azar) e se submeter às decisões pouco humanas dos rabinos. Porém, a protagonista Viviane Amsalem decidiu se debelar contra a intransigência deste destino e, ao decidir pelo divórcio, resolve lutar pelo seu destino, não aceitando a recusa do marido e travando uma verdadeira batalha, anos a fio, pela sua liberdade e felicidade; não sem antes sofrer pesadas humilhações e momentos de profunda tristeza.

Ronit Elkabetz, que vive a protagonista, divide a direção e o roteiro com Shlomi Elkabetz (Cinzas e Sangue). Nota-se que Elkabetz, com o filme, buscou mostrar ao mundo as condições arcaicas que as mulheres vivem em Israel; tanto que, ao longo de sua projeção, são vários os exemplos “absurdos” deste tratamento, a ponto de, em determinados momentos, ser difícil acreditar que, em pleno século XXI, ainda exista este tipo de conduta sub-humana.

O roteiro se destaca também por mostrar uma abordagem criativa de narrativa. O filme se passa, todo, no tribunal, então, não conhecemos os reais fatos, que levaram a esposa a pedir o divórcio, mas a forma como o advogado do marido e mesmo os próprios rabinos tratam Viviane, certamente dão à plateia uma noção do que ela deve ter passado nas mãos daquele homem, tornando a figura do marido ainda mais cruel e desprezível.

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Além do importante protesto apresentado pelo filme, a direção é outro ponto alto, já que com praticamente um cenário, o longa não se torna cansativo para o espectador. São anos retratados e conseguimos embarcar na trama, do começo ao fim.

Para dar ainda mais dramaticidade, a dupla de diretores vai tecendo à narrativa, a cada minuto, um quê de suspense e angústia, presente em cada detalhe.

A película ainda abre outras discussões, como, por exemplo, a tendência, nada saudável, do ser humano, de cuidar da vida alheia. No tribunal, diversas testemunhas convocadas pelos rabinos, criam histórias sobre a vida do casal, sem qualquer preocupação com a veracidade dos fatos e acusações. Notável como o roteiro explora essas tensões no longa-metragem e fica impossível não se identificar com estes atos.

O pequeno elenco é outro destaque do filme, pois todos, sem exceção, se sobressaem. Uma cena em especial, quando Ronit Elkabetz, a Viviane, fica em silêncio, após receber mais uma negativa dos rabinos – e a câmera a coloca em close – se mostra bastante marcante. É como se ela implorasse para o mundo pela salvação de toda aquela humilhação e tormenta.

O Julgamento de Viviane Amsalem é mais do que um excelente filme. É um grito das mulheres de Israel ao mundo sobre como é vergonhoso viver nos dogmas obsoletos do Judaísmo.

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SINOPSE

Em Israel, somente os rabinos tem o poder de firmar ou dissolver um casamento. Mas esta última opção só se concretizará se houver total consentimento do marido. Viviane Amsalem (Ronit Elkabetz) está pedindo um divórcio há três anos, mas seu marido, Elisha (Simon Abkarian), a nega. A intransigência do marido e a determinação de Viviane em lutar por sua liberdade dão o contorno deste processo.

DIREÇÃO

Shlomi Elkabetz, Ronit Elkabetz

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Shlomi Elkabetz, Ronit Elkabetz
Título Original: Gett
Gênero: Drama
Duração: 1h 56min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 14 Anos

TRAILER


Tags:

Viviane Amsalem
Israel
Estreia

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