FLORENCE – QUEM É ESSA MULHER? (Crítica)

Kadu Silva

Um enredo (quase) desafinado

Quando dois filmes estreiam no mesmo ano e apresentam o mesmo enredo é inevitável a comparação entre as obras. Florence – Quem é essa mulher? e Marguerite contam a mesma história. Ambas narram a trajetória da rica americana Florence Foster Jenkins, que era apaixonada por música e tinha o sonho de se tornar uma grande cantora de ópera. Pesquisei a real história de Florence, e constatei que nenhuma das duas produções apresenta a história como de fato aconteceu com a “cantora”, a produção inglesa se aproxima mais do que de fato passou com essa sonhadora, no entanto a produção francesa Marguerite entrega uma obra bem mais interessante, mesmo com suas licenças ficcionais. (Clique aqui para conferir a crítica de Marguerite).

Na produção inglesa, Florence é vivida por Meryl Streep (O Diabo veste Prada) e o recorte da trama destaca os preparativos do primeiro concerto público que Florence iria protagonizar. Vemos desde do seu primeiro encontro com o pianista Cosmé McMoon (vivido pelo ator Simon Helberg), que se tornaria seu único e fiel companheiro artístico, até o grande dia no concerto na prestigiada casa de shows Carnegie Hall.

Se caso não tem conhecimento é importante situar que Florence era uma “cantora” extremamente desafinada, mas não conseguia enxergar isso, e seu marido a protegia de toda a forma para que ela não sofresse com a decepção da realidade.

O roteiro de Nicholas Martin, que estreia em longas-metragens, além de dar para o arco dramático um tom mais romantizado, cria uma áurea de contos de fadas, tornando o drama da “cantora” mais lúdico. Essa escolha tira o peso do que ficava fora da bolha que envolvia o mundo particular de Florence.

Por ser uma história que se passa nos anos 40, o diretor Stephen Frears (A Rainha), apresenta sua história aos moldes narrativos dos clássicos noir (auge nessa década), uma boa escolha, que se encaixa perfeitamente bem na trama. A belíssima fotografia de Danny Cohen (A Garota Dinamarquesa) e o designer de produção que recria a época em detalhes impressionantes e outro destaque técnico que merece menção é a belíssima trilha sonora Alexandre Desplat (O Discurso do Rei).

Meryl Streep além da excelente atriz, que todos já sabem, canta muito bem (vide: Mamma Mia! e Ricki and the Flash: De Volta Para Casa), por isso é ainda mais impressionante verificar a forma como ela consegue desafinar nas diversas apresentações que são mostradas no filme. As cenas de seu “canto” são responsáveis pelos grandes momentos cômicos do filme, é impossível não cair na gargalhada e ao mesmo tempo não sentir pena da mulher que teoricamente tem de tudo, mas não tem o que mais sonha.

Florence – Quem é essa mulher?, diferente da produção francesa é um longa para se divertir, um entretenimento bem produzido, cômico e que ainda que menos importante como conteúdo para se refletir, é uma bela obra cinematográfica.

FLORENCE  QUEM E ESSA MULHER

SINOPSE

Meryl Streep é Florence Foster na história real de uma rica herdeira novaiorquina que perseguiu seu sonho de se tornar uma grande cantora. Para ela sua voz era perfeita, mas para todos era hilariamente horrível. Seu companheiro, Bayfield (Hugh Grant), um aristocrata inglês, tenta proteger sua amada Florence longe da verdade, mas ele enfrentará o seu maior desafio quando Florence decide fazer uma apresentação no Carnegie Hall.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Stephen Frears” espaco=”br”]Stephen Frears[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Nicholas Martin
Título Original: Florence Foster Jenkins
Gênero: Biografia, Comédia dramática
Duração: 1h 50min
Ano de lançamento: 2016
Classificação etária: 10 Anos
Lançamento: 7 de julho (Brasil)

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