FORÇA MAIOR (Crítica)

FORCA MAIOR

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Por Pedro Vieira

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O longa sueco “Força Maior” (Force Majeure), indicado ao Globo de Ouro deste ano, possui uma direção sensível e perspicaz no momento de narrar visualmente o seu conflito principal. Desde a cena inicial, é notável que a relação do casal Tomas (Johannes Kuhnke) e Ebba (Lisa Loven Kongsli) não está em seus melhores dias – ainda que os dois não demonstrem isso – e é previsível que ela deverá piorar.

O casal de suecos vai, junto dos dois filhos, para os Alpes esquiar durante alguns dias. Enquanto almoçam, são surpreendidos por uma cortina de neve que eles acreditam ser uma avalanche. Apesar de não se machucarem nem correrem perigo real, eles se assustam. Ebba tenta proteger as crianças, mas Tomas foge com medo – fato que causará uma briga entre o casal.

As majestosas montanhas de neve dos Alpes, aqui reproduzidas em uma fotografia altamente nítida, se mostram como o cenário perfeito para exposição da narrativa. Ebba, que se sente triste e desligada do marido, surge no meio das montanhas de neve sozinha, como um ser perdido entre a imensidão branca. É exposta assim a solidão, emoção sentida apenas pelo olhar e que pode ser percebida até mesmo nos planos em locais fechados, como na cena em que a família janta com um casal de amigos e Ebba se coloca de costas em frente à câmera, apagando a imagem do marido e desfocando os demais personagens. A aflição da personagem fica ainda maior graças à interpretação de Kongsli.

Tomas, por sua vez, não gosta de ser contrariado e busca sempre o apoio de alguém para se contentar. Por isso, por mais que também seja afligido pela angústia da solidão, ele aparece geralmente acompanhado, seja dos filhos ou de um amigo, e se sente feliz quando recebe um elogio.

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A relação do casal evolui junto do ambiente, como uma metáfora. Paisagens dos Alpes unidas à composição musical das “Quatro Estações” de Vivaldi expõem o modo como os personagens de sentem no atual momento. Por tal motivo, na ocasião em que o problema entre Ebba e Tomas já está bem visível, a neve cai sobre os Alpes, pequenas explosões são ouvidas e a música fica mais acelerada. Afinal, a própria “avalanche” do filme é uma metáfora da briga do casal.

Mas este não é apenas um longa sobre conflitos matrimoniais. É um filme também sobre o ser humano e sobre como e quando o mesmo deixa de agir pela razão para começar a ser guiado pela emoção, assumindo suas características mais “selvagens” – a fuga e a covardia de Tomas podem ser vistos como atos comuns a qualquer pessoa em uma situação de perigo em que ela perca o controle do raciocínio.

Acontece que o filme busca saídas fáceis e simplórias para essa complexa questão, caindo dentro de estereótipos e se tornando forçado e cansativo ao final. É perdida assim uma chance de refletir mais sobre esses aspectos, o que poderia tornar “Força Maior” uma obra melhor do que o filme já é – uma vez que é inegável sua qualidade estética.

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SINOPSE

Uma família sueca passa as férias nos Alpes para esquiar. Eles ouvem um estrondo, que poderia ser um alerta de avalanche. Mas o pai não acredita na possibilidade de perigo. Enquanto comem, são surpreendidos pela avalanche. O pai reage com covardia, o que fará com que ele seja perseguido pelos seus erros até o fim de sua vida.

DIREÇÃO

[do action=”cast” descricao=”Ruben Östlund” espaco=”br”]Ruben Ostlund[/do]

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Ruben Östlund
Título Original: Force Majeure
Gênero: Drama
Duração: 1h 58min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 12 Anos

TRAILER

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