FORREST GUMP – O CONTADOR DE HISTÓRIAS (Crítica)

FORREST GUMP

4estrelas

FICHA TÉCNICA

Título Original: Forrest Gump
Ano do lançamento: 1994
Produção: EUA
Gênero: Drama
Direção: Robert Zemeckis
Roteiro: Eric Roth e Winston Groom

Sinopse: Quarenta anos da história dos Estados Unidos, vistos pelos olhos de Forrest Gump (Tom Hanks), um rapaz com QI abaixo da média e boas intenções. Por obra do acaso, ele consegue participar de momentos cruciais, como a Guerra do Vietnã e Watergate, mas continua pensando no seu amor de infância, Jenny Curran.

Por Kadu Silva

FORREST GUMP01

Um dos grandes méritos de filmes consagrados é que a maioria deles, nos fazem refletir, tanto sobre a vida como sobre o mundo em que vivemos. Em geral eles também são dotados de múltiplas interpretações, ou seja, cada um ao seu modo terá uma visão do que foi projetado ao assisti-los.

Forrest Gump é um desses filmes, ganhador do Oscar de 1995, o longa apresenta Forrest um ingênuo homem, que ao esperar seu ônibus, acaba contando para algumas pessoas toda a sua trajetória de vida, desde sua infância. Toda essa trama é mesclada com acontecimentos reias mundiais e locais, que fazem parte da vida do personagem.

O roteiro de Eric Roth e Winston Groom consegue amarrar de forma bem competente os fatos históricos, dentro de uma trama romântica, já que Forrest desde sempre foi apaixonado por Jenny e seu coração puro viveu toda aquela “aventura” para estar ao lado de seu grande amor.

Mas será que de fato o filme é um romance? Ou é somente uma mascara?

Como citei no começo cada um tem sua interpretação, a minha é que o filme não passa de um grande protesto contra o cidadão americano, que é “manipulado” desde pequeno para ser um quase autista do que acontece no mundo.

FORREST GUMP03

Forrest Gump é a representação desse povo norte americano, que vive em função da mídia, mostrando os fatos da forma que melhor lhe convém. É claro que isso também os coloca como meio bobos, ingênuos, heróis (lógico) e puros de coração, e que vivem como num grande conto de fadas, é só observar como Forrest via Jenny. O diretor Robert Zemeckis desconstrói completamente a imagem de princesa de como ele teimava em vê-la, a ponto de mata-la com AIDS (subentendido) e ainda assim ele a não enxergava seus defeitos.

Ou seja Zemeckis, espertamente tratou de colocar vários véus diante de sua trama para que só quem realmente tivesse um olhar mais apurado, pudesse observar as críticas ali projetadas. Inclusive no próprio longa algum personagem diz algo do tipo, você escolhe como vê a vida, fantasiando ou sentindo a realidade como ela é.

Uma outra leitura mais filosófica e o tom poética da direção, ajuda nessa visão, é de como encarar a vida – todos sabemos que não se vive num “mar de rosas” durante toda a nossa existência, então como passar por obstáculos e não cair diante deles? Forrest prefere exaltar o amor, seu olhar doce e inocente diante da vida, acaba por protegê-lo das amarguras.
O longa sugere que a vida pode já ter um destino pré estabelecido (mais pé no chão) ou ser como uma caixa de bombons, onde não sabemos o que iremos encontrar nela ou ainda como uma pena que vai para onde o vento leva “sem destino”, basta agora você leitor escolher como ver o filme e como prefere encarar a vida.

Mas é importante dizer, que tecnicamente o longa é um espetáculo a parte, é de cair o queixo a perfeita integração do personagem Forrest com as imagens reais que são mostradas no filme, parece de fato que tudo aquilo aconteceu, tal é o excelente resultado dos efeitos visuais.

E não para por ai, a direção de arte é magnífica, os figurinos pontuais da década de 70, a edição é precisa, fundamental para não deixar o filme cansativo, (ao meu ver, ainda longo demais), e ainda tem a doce trilha sonora que nos embala nesse linda trajetória de Forrest Gump, predicados que reforçam o prestigio desse bom filme.

Cabe ainda exaltar a ótima atuação de Tom Hanks que faturou seu segundo Oscar seguindo, ele havia no ano anterior ganho por Filadélfia, sua composição é no timing certo, fazendo sem exageros ou de forma caricata esse homem com QI abaixo da media.

Forrest Gump, o Contador de Histórias pode servir para vários momentos é só escolher com que olhar você quer enxerga-lo.

FORREST GUMP02

PRÊMIOS

OSCAR
Ganhou: Melhor Filme, Melhor Diretor – Robert Zemeckis, Melhor Ator – Tom Hanks, Melhor Roteiro Adaptado, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Montagem

Indicações: Melhor Ator Coadjuvante – Gary Sinise, Melhor Fotografia, Melhores Efeitos Sonoros, Melhor Trilha Sonora, Melhor Maquiagem, Melhor Direção de Arte e Melhor Som

GLOBO DE OURO
Ganhou: Melhor Filme em Drama, Melhor Diretor – Robert Zemeckis e Melhor Ator – Drama – Tom Hanks

Indicações: Melhor Trilha Sonora, Melhor Ator Coadjuvante – Gary Sinise, Melhor Atriz Coadjuvante – Robin Wright e Melhor Roteiro

TRAILER

Comente pelo Facebook

1 Comentário

  1. diego tófoli

    é verdadeiramente um grande filme. quanto ao seu post, sugiro anotar dia e hora da postagem e, talvez, ir atualizando. grande abraço.